Não sei onde foram parar os meus confidentes, aqueles a quem nada tinha receio de contar, os grandes senhores que me faziam orgulhar de ser próxima. Não sei se os coloquei na caixa errada ou se fui sendo transparente quando no mundo só as cores reinam. Não sei se o calor queimou os cabos ou se o frio enrijeceu as tomadas. Posso, sem qualquer dúvida, dizer que a energia falhou e tudo acabou por mudar. Inevitavelmente, a ínfima coisa vai mudando à medida que rezamos para que fique no mesmo exacto lugar. Mas já ninguém se mantém igual, parece que cada um está por conta própria. Os botões dizem que isto é crescer, quanto menos confiares, mais seguro de ti estarás. As casas destes dizem que tudo tem de se encaixar, cada um tem o seu sítio onde mais nada caberá. E nós, andamos na corda bamba a tentar equilibrar o que raras vez tem equilíbrio.
Nos dias que correm,
os meus pensamentos fogem.
27.5.12
25.5.12
O tal passo
Por vezes ainda sonho acordada, que vais acabar por ficar comigo e que te vais arrepender de nunca teres dado o tal passo, aquele que te atormentava, te fazia azia e te deixava sem chão. Um dia vou rir-me disto tudo, tal como secalhar já te ris agora. O facto que não me posso esquecer é que, quando calha no assunto coração, tu não sabes mentir, tu não te sabes enganar. Sabes, como ninguém, respeitar alguém por quem tomas consideração. É bom perceber que sempre estive num patamar elevado, afinal nem todas tiveram o privilégio de passar tempo contigo e de tratar como um irmão. Há coisas que ficaram por dizer, certamente, também o achas. Mas conforta-me olhar para trás e perceber que podemos sempre voltar a sair como se nada se tivesse passado. É que não gosto de esquecer, mas também não me agrada estar sempre a relembrar.
23.5.12
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