07 dezembro, 2011

Adoro

Os sapos que engolimos em conjunto, os olhares que falam e que ninguém mais entende, as risadas de algo que ninguém mais se riria, os abraços só porque sim, dar as mãos num acto puro de amizade, evitar os beijinhos o mais possível porque não são algo nada confortável, as ideias que surgem ao mesmo tempo, as conclusões a que chegamos juntos, ter os mesmos sonhos e desejar que o outro os realize, as músicas que não têm piada mas passam a tê-la só porque as estamos a cantar, o gozo que sai de todas as situações de que irremediavelmente falamos sempre que estamos juntos, os comentários sobre a nossa própria vida e que nos fazem dizer coisas parvas, as séries que adoramos e as frases que estamos sempre a repetir. Adoro ter amigos assim. E não dispenso adorar saber que só alguns têm o privilégio de manter estes simples gestos comigo. Os outros... são apenas pessoas que não posso descartar, porque me irão levar a algum lado. Não é aproveitamento, é ter de aguentar as regras da sociedade e saber manter a postura quando tudo o que os outros fizeram foi baixar de nível.