"Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam."
13 outubro, 2013
18 setembro, 2013
377
Fico com o coração tão apertado que se torna do tamanho de uma noz. Como eu adoro nozes, parecem-se com o cérebro humano e, no entanto, são tão simples quando mais comparações se lhes fazem. Fico com os olhos inchados, como se levasse uma surra de uma mão imaginária. Fico com a alma perdida, tão perdida que levo dias até achá-la. Lá estará ela, bem escondida de mim, bem protegida do mal que lhe faço. É bom ficar assim, partida em três bocados. Enquanto não forem mais, tudo se há-de compor. É só preciso tempo e paciência. E depois fico com um nó na garganta, como se ela tivesse coisas para dizer e estes bocados lhe estivessem a torturar.
31 agosto, 2013
30 agosto, 2013
19 agosto, 2013
372
Hoje senti-me triste, porque veio a mim, numa das inúmeras vezes, a consciência de que nada poderá ser eternizado, se não na memória. O que é uma chatice, porque a minha memória é a coisa mais enferrujada e preguiçosa que tenho. Se me esqueço das coisas más, acabo também por esquecer as que são boas e dignas de eternizar. Como a lagoa numa tarde de maré cheia, como as gargalhadas com as minhas amigas depois de uma história qualquer, como a sensação de fechar um livro depois de saber o seu final ou como a sensação de caminhar até casa depois do último exame do ano. Gostaria, talvez até amaria, poder revivê-las e recontá-las tal como elas aconteceram, mas acabo sempre por esquecer. É por isso que gosto de elefantes.
17 agosto, 2013
13 agosto, 2013
370
São aquelas coisas demasiado importantes para conter, mas demasiado devastadoras para partilhar. É uma ambivalência onde não há meio termo. Onde há tanto para dizer e tão poucas palavras para falar. E assim me deito na incerteza do que fazer ou do que esperar. Perdida nas minhas dúvidas me fico e aqui vou ficando. É que já tinha saudades de estar sozinha, dou-me tão bem comigo mesma que chego a não sentir falta das pessoas. E nada disto fará sentido quando o sol e a lua finalmente se cruzarem. Até depois.
369
Mesmo que não sejam meus, os segredos são um peso que gostaria de não saber. É um cansaço que não descansa. Seria tudo tão mais bonito se não tivéssemos de guardar coisa alguma. Se se pudesse contar tudo e sobre tudo se pudesse falar. No entanto, não é assim o mundo onde cresci. Talvez numa próxima vida.
06 agosto, 2013
01 agosto, 2013
367
É difícil viver normalmente quando nos arrancam uma parte de nós e a colocam no lixo, como se nada valesse e nada importasse. Literalmente. Depois de uma extracção de incluso, só o abaixo citado para me fazer rir. Nada como a inocência, ou a burrice, de um adolescente para me fazer relembrar como é linda a prostituta da vida. Entretanto, vou dormir na posição de semi-fowler e sonhar com partes afectadas e tesouras que suturam.
“Qual o ideal do homem do Renascimento?”
“O homem ideal do Renascimento é o João, do 10.ºA, porque renasceu para mim.”
17 julho, 2013
15 julho, 2013
365
Gosto de ti. Porque sim. Porque também gostas de mim. E assim vamos. Assim iremos. Até que o pesadelo se desintimide. Ou a realidade se revele melhor do que o sonho. E quando estivermos na arriba, a olhar o cruzamento entre o céu e o mar, não me vais deixar cair. Porque sou de vidro e não me queres ver partir.
01 julho, 2013
361
Há dias em que tudo se volta a recompôr. Como se as pétalas de uma flor voltassem às suas origens. Tenho tanto na cabeça, parece que nada no coração. Sempre me disseram que as aparências podem iludir. Nada pior que uma desilusão para me levar à loucura. Ou será desta que encontro o meu amor? Tenho abelhas nos ouvidos e pregos nos sentimentos. Os meus neurónios só funcionam a meio gás. E uma explosão se está a preparar para comigo rebentar. Todas as coisas que estão fora de mim se movem a uma velocidade superior à da luz, numa correria em que nada consigo entender. No entanto, tudo no tempo volta atrás, como se estivesse a assistir à minha própria novela. Pode ser que seja agora, o tempo de me encaixar na vida de um ser que me faça bem.
18 junho, 2013
03 junho, 2013
25 maio, 2013
19 maio, 2013
356
Quero guardar as pessoas nas minhas mãos, para que não fujam. Mas elas são como água, deixam-se moldar pelo vazio e escorregam. Até que desaparecem. Por vontade própria ou por falta de atrito, sem nada que as prenda e com todas as razões para se deixarem ir. Um dia, olhei para trás e tudo o que vi foram memórias de pessoas que já não existem, apenas tiveram vida no passado. Hoje já nada tenho a dizer-lhes, nada que valha a pena ser dito, pelo menos. E sem demais demoras, aqui me fico, na certeza de que quase tudo é passageiro. Muito pouco perdura, durando, sem se desgastando. Muito pouco.
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