Os últimos são sempre os piores. E o pior é que nunca quis ser jornalista para a andar a escrever jornais. Quis ser enfermeira. Mas para ser enfermeira é preciso escrever muito. Todos os dias me arrependo um bocadinho. Devia ter enveredado pelo caminho de escrever livros. Ou ser freira. Era mais fácil. Odeio seres humanos. Gosto de personagens. Gosto de pessoas que são gente. Mas há tão pouca gente, andam a virar bichos. Dai-me preguiça e uma caçadeira para a matar. E qualquer coisa que em mim crie paixão, para que ela me mate a mim.
21 abril, 2013
20 março, 2013
349
Nos meus sonhos, vens com calma e matas-te com alma. De olhos abertos, vingo-me das coisas que não fizeste e choro pelas coisas que deveria ter feito. Sinto e deixo de sentir logo de seguida. Volto-me e continuas a olhar o vazio que sou eu. Parece que te quero abanar para que acordes e reajas. Estás preso ao chão, só o meu corpo se movimenta, pavoneio-me e danço para ti numa guerra onde só eu tenho o direito de ganhar. Rio-me no fim, não sei bem porquê. E continuo vazia, porque nada mudou. Perdes a alma, sufoco-ta e acabas por morrer. Não me consigo recordar ao certo como fiz tudo isso, só sei que estás vivo numa memória desfocada.
09 março, 2013
348
É no final de um dia como este em que escrevo cartas para as minhas pessoas. Algumas cheguei a enviar, outras ficaram perdidas na minha cabeça e a maioria ficou estagnada num folha de papel verdadeira ou digital. Mas hoje não tenho a quem escrever. Talvez esteja a escrever para mim própria, no final das contas. E é nestes momentos que tenho noção do quão tudo é relativo. De quão tudo pode ser possível, até o inimaginável. "Eu quero que fiques", diz a música. Só que nada permanece definitivamente. Torna-se reproduzível na memória, ficando alojado numa porta que pertence ao passado e por lá fica. Todas as coisas novas, essas são reais. Mas por pouco tempo. E eu não quero que fiques. Quis um dia, hoje só quero que te vás. De vez.
28 fevereiro, 2013
347
Gosto das pessoas que se ralam, das que ficam fiéis e das que correm quando andar já não chega. Gosto das pessoas que sabem estar separadas, que sabem devorar as saudades, essas malvadas que só lembram o quanto o carinho é grande, um carinho que chega à medula óssea. Gosto das pessoas que se guardam para sempre, porque o para sempre existe, só é preciso saber em que esquina é que ele se oferece.
19 janeiro, 2013
15 janeiro, 2013
08 janeiro, 2013
25 dezembro, 2012
340
O natal foi inventado para juntar as famílias e para que estas se lembrem que se amam e que devem permanecer juntas durante o próximo ano (bla bla bla). A verdade é que o natal não junta nada nem ninguém, só permite ver o quão falidas, por dentro e por fora, estão as pessoas. Os presentes não significam nada, dizem, o que também acho que é pura mentira. Para mim, esta época acaba por ser só uma desculpa para comprar mais livros para ler durante o resto do ano.
23 dezembro, 2012
339
Despedi-me agora da minha nova melhor amiga, que já não o é e que, talvez num dia longínquo, o volte a ser. É sempre assim, apaixono-me pelas personagens como se fossem minhas irmãs e dou-lhes tudo o que tenho de sobra, o tempo, a atenção e, principalmente, as emoções. Sofro com elas, rio com elas, choro se for preciso, mas nunca as abandono. Pelo menos até as páginas acabarem. Agora estou de luto, um luto diferente dos outras, esta minha melhor amiga tinha de muito parecido comigo. Era maluca e tinha um apresso especial por entrar em pânico. Pena é que esta despedida é triste como todas as outras. Fico abraçada a ela, à parte teórica dela, a rever toda a sua história e a tentar fazê-la sentido. Chega a doer-me o coração. E a prateleira vai-se enchendo de melhor amigos, os melhores que poderei ter. Amanhã haverá mais um.
22 dezembro, 2012
338
Depois do fim do mundo acabar e de as mortes serem apenas as estritamente programas para acontecerem com a naturalidade de até então, lembrei-me. Nunca me vou ver livre de ti, tal como nunca me vi livre dos que me invadiram o coração e nele instilaram uma mistura de amor com podridão, ao que eu chamaria inocentemente de veneno. O ideal era só restar o amor, puro e intocável, desejável e de sobra, um veneno que fosse como o sangue, útil. O teu caso é diferente, obviamente. A podridão apoderou-se do outro elemento, que era suposto existir numa quantidade maior, mais real, e o meu músculo cardíaco, já não sei com o que é suposto ele rimar.
21 dezembro, 2012
336
Por breves momentos, de longe a longe, a sensação de uma doença mental assombra-me a consciência. É uma sentença deveras cruel, deveras inoportuna. Mais do que uma doença física, em que a dor do corpo se penetra na mente, parece-me o inferno mascarado de saúde. Sinto-me demente, julgo eu, quando os meus olhos se enublam e me mostram uma realidade que pode não ser completamente real. Como um sofrimento, não dos neurónios, mas das suas próprias ligações, que deturpam e conspurcam as sensações corporais e nos levam a criar outros mundos. Serão das histórias de terror, dos livres cheios de romances impossíveis, dos filmes de criminosos inteligentes, das bandas sonoras que fazem rolar lágrimas, ou ainda, inevitavelmente, da subconsciência criada no avançar do tempo, da idade, da maturidade... ou da área de estudos tomada com posse. Se um dia me tornar algo fora de mim, pelo menos, um dia cheguei a ter noção de que a linha que separa a sanidade da loucura é extremamente frágil, diria até inexistente. Mas para quê de tudo isto? Para nada, diria eu.
17 dezembro, 2012
16 dezembro, 2012
10 dezembro, 2012
331
Não gosto de olhar para trás e sentir saudades das pessoas de quem gostei, que seriam possíveis de se amar. Nunca pensei que aquelas poucas pessoas, só por partilharem comigo parte da genética, me fizessem falta. A falta que durante vinte tempos nunca conseguiram dar cabo. Agora que tudo, mais ou menos, parece se encaixar sem que precise de muito pensar. Fazem-me comichão. Uma comichão que não se coça, em que se vê a pele desfiar e o sangue a resmungar. Resmunga que ninguém o controla. Segreda que, no meio das gentes, ninguém terá a mesma consistência. Coisas que ficaram por dizer, outras por rebentar e outras ainda por descobrir, quiça, repartir. E sinto-me como se tivesse quarenta, um quarenta morto vivo. O peso de uma herança vazia, na balança que não sabe pesar, pesa tão levemente que nunca irá acertar. E um dia, o vazio irá degradar-se até que reste o nada. É do nada que tenho medo. E ele parece não ter medo de mim.
04 dezembro, 2012
330
There's an
elephant in the room
"(...) If we talk about the fact that I might die
Perhaps we can talk about how I am living
Can we talk about the elephant without you looking
away?
For if we cannot,
then you are leaving me Alone
... in a room
... with an elephant."
03 dezembro, 2012
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