19 janeiro, 2013
15 janeiro, 2013
08 janeiro, 2013
25 dezembro, 2012
340
O natal foi inventado para juntar as famílias e para que estas se lembrem que se amam e que devem permanecer juntas durante o próximo ano (bla bla bla). A verdade é que o natal não junta nada nem ninguém, só permite ver o quão falidas, por dentro e por fora, estão as pessoas. Os presentes não significam nada, dizem, o que também acho que é pura mentira. Para mim, esta época acaba por ser só uma desculpa para comprar mais livros para ler durante o resto do ano.
23 dezembro, 2012
339
Despedi-me agora da minha nova melhor amiga, que já não o é e que, talvez num dia longínquo, o volte a ser. É sempre assim, apaixono-me pelas personagens como se fossem minhas irmãs e dou-lhes tudo o que tenho de sobra, o tempo, a atenção e, principalmente, as emoções. Sofro com elas, rio com elas, choro se for preciso, mas nunca as abandono. Pelo menos até as páginas acabarem. Agora estou de luto, um luto diferente dos outras, esta minha melhor amiga tinha de muito parecido comigo. Era maluca e tinha um apresso especial por entrar em pânico. Pena é que esta despedida é triste como todas as outras. Fico abraçada a ela, à parte teórica dela, a rever toda a sua história e a tentar fazê-la sentido. Chega a doer-me o coração. E a prateleira vai-se enchendo de melhor amigos, os melhores que poderei ter. Amanhã haverá mais um.
22 dezembro, 2012
338
Depois do fim do mundo acabar e de as mortes serem apenas as estritamente programas para acontecerem com a naturalidade de até então, lembrei-me. Nunca me vou ver livre de ti, tal como nunca me vi livre dos que me invadiram o coração e nele instilaram uma mistura de amor com podridão, ao que eu chamaria inocentemente de veneno. O ideal era só restar o amor, puro e intocável, desejável e de sobra, um veneno que fosse como o sangue, útil. O teu caso é diferente, obviamente. A podridão apoderou-se do outro elemento, que era suposto existir numa quantidade maior, mais real, e o meu músculo cardíaco, já não sei com o que é suposto ele rimar.
21 dezembro, 2012
336
Por breves momentos, de longe a longe, a sensação de uma doença mental assombra-me a consciência. É uma sentença deveras cruel, deveras inoportuna. Mais do que uma doença física, em que a dor do corpo se penetra na mente, parece-me o inferno mascarado de saúde. Sinto-me demente, julgo eu, quando os meus olhos se enublam e me mostram uma realidade que pode não ser completamente real. Como um sofrimento, não dos neurónios, mas das suas próprias ligações, que deturpam e conspurcam as sensações corporais e nos levam a criar outros mundos. Serão das histórias de terror, dos livres cheios de romances impossíveis, dos filmes de criminosos inteligentes, das bandas sonoras que fazem rolar lágrimas, ou ainda, inevitavelmente, da subconsciência criada no avançar do tempo, da idade, da maturidade... ou da área de estudos tomada com posse. Se um dia me tornar algo fora de mim, pelo menos, um dia cheguei a ter noção de que a linha que separa a sanidade da loucura é extremamente frágil, diria até inexistente. Mas para quê de tudo isto? Para nada, diria eu.
17 dezembro, 2012
16 dezembro, 2012
10 dezembro, 2012
331
Não gosto de olhar para trás e sentir saudades das pessoas de quem gostei, que seriam possíveis de se amar. Nunca pensei que aquelas poucas pessoas, só por partilharem comigo parte da genética, me fizessem falta. A falta que durante vinte tempos nunca conseguiram dar cabo. Agora que tudo, mais ou menos, parece se encaixar sem que precise de muito pensar. Fazem-me comichão. Uma comichão que não se coça, em que se vê a pele desfiar e o sangue a resmungar. Resmunga que ninguém o controla. Segreda que, no meio das gentes, ninguém terá a mesma consistência. Coisas que ficaram por dizer, outras por rebentar e outras ainda por descobrir, quiça, repartir. E sinto-me como se tivesse quarenta, um quarenta morto vivo. O peso de uma herança vazia, na balança que não sabe pesar, pesa tão levemente que nunca irá acertar. E um dia, o vazio irá degradar-se até que reste o nada. É do nada que tenho medo. E ele parece não ter medo de mim.
04 dezembro, 2012
330
There's an
elephant in the room
"(...) If we talk about the fact that I might die
Perhaps we can talk about how I am living
Can we talk about the elephant without you looking
away?
For if we cannot,
then you are leaving me Alone
... in a room
... with an elephant."
03 dezembro, 2012
13 novembro, 2012
326
É só deixar que colapse e que se reparta em estilhaços. Aquilo que nos prende, apenas devemos deixar ir. Um dia mais tarde, acabará por fazer sentido. E enquanto não o faz, deixamos tudo a flutuar, como se nunca tivesse colapsado. Memórias a meio gás, são como livros deixados a meio. No meio, está a virtude. Parece que é isso que dizem.
02 novembro, 2012
325
A minha avó está presente nos livros velhos, que são mais velhos do que eu. Este está já preso a fita-cola, em que as folhas já não são brancas, mas amarelas do uso. O cheiro dela, tão característico dela, que só ela o sabia provocar e que só nela o consegui cheirar, está empregnado neste livro. Como se ele tivesse sido dela, mas ela nunca foi de ler livros de psicoterapia ou coisa que o valha. Os livros dela eram outros. Mas tudo neste livro cheira à minha avó. É como se ela vivesse dentro deste livro. E gosto de me lembrar dela, assim de vez quando. Gosto que ela me deixe sinais por toda a parte e que, de vez em quando, o quanto baste, me faça lembrar dela. E eu vou sorrindo silenciosamente, só para a minha avó ver. E quando eu for já velha, como o livro é e como ela era, espero ter um livro assim, que cheire a ela e, depois, que cheire a mim. Um cheiro que nos perpetue para toda, ou quase toda, a eternidade.
23 outubro, 2012
322
Passado tanto tempo, parece que quase tudo ficou na mesma. Mas, depois daquela noite, em que morri um pouco por dentro e em que uma nova parte de mim nasceu novamente, tudo ficou mais claro. O tempo passou e as noites voltaram a ser frias. O tempo passa, mas o dia não deixa de passar por aqui. É que, por momentos, ainda sonho os sonhos antigos, mas os novos estão a formar-se. E amanhã, quem sabe não irá ficar tudo um pouco mais livre. Eu... mais livre de ti.
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