Nós a crescer e eles a morrer. E tu vais crescer tanto que não te vais lembrar disto. Mas, um dia, contar-te-ei a história dele, onde nós temos, pelo menos, papéis secundários. Vais conhecer o que ele era para nós e o que nós eramos para ele. Porque, embora sejas ainda um pequeno humano, tens o direito de saber a verdade quando fores grande o suficiente. Acho, nas profundezas das minhas incertezas, que ele gostava de nós e que, bem lá no fundo, ele apenas não sabia a forma acertada de gostar. E é por isso que nunca sentimos o amor dele. Mas dela sim, ela vivia para me dar beijinhos e vivia para te conhecer. Chegaste tarde demais ou foi ela que foi cedo demais? Nunca havemos de saber. Ou saberemos? Se algum dia descobrires, conta-me, é que quero mesmo tirar esta ideia de que andámos todos a fazer tudo ao contrário.
01 outubro, 2012
19 setembro, 2012
316
"Diz-se que não há amor como o primeiro e é verdade. Há amores maiores, amores melhores, amores mais bem pensados e apaixonadamente vividos. Há amores mais duradouros. Quase todos. Mas não há amor como o primeiro. É o único que estraga o coração e que o deixa estragado."
11 setembro, 2012
315
Chega a ser a expressão de um gene ou até mesmo uma doença, como se a amargura fosse infinita e como se não houvesse antídoto para o veneno que deliberadamente tomamos. Não voltamos a fazer parte da esfera que nos dá sonhos, outras vezes pesadelos, e partimos para outra terra, outra que nos dê segurança, para além de abrigo. É claro que seria mais agradável ficar, ser mais consistente, dentro da credibilidade possível, mas, infelizmente ou felizmente, nada é linear. Nem nós, nem o mundo. E deixar o corpo morto, ao ponto de permitir que a mente morra também, será sempre mais fácil do que sair durante uma tempestade para, inutilmente, a fazer parar.
08 setembro, 2012
07 setembro, 2012
313
Eu vi isto e automaticamente pensei: olha, alguém no futuro tirou-nos uma fotografia, a mim e à Mia, e fê-la chegar até ao Eu-de-Agora via internet. E ri-me... porque estamos mesmo lindas. Porra, vamos ganhar o prémio das velhas sexys! Também adoro o facto de estarmos simplesmente a beber café, como se dentro dele não estivesse nada de suspeito. E a quantidade de bolos que andámos a comer, parece que no futuro o açúcar finalmente emagrece. Melhor ainda, vês aquele ramo de flores? Não sei o que dizer do ramo de flores... Espero que não sejam para mim, porque são feias. E os livros? Estão cheios de histórias lindas de morrer, um deles contém como personagem principal aquela moçoila que nós vimos no facebook há um molhe de anos atrás, quando ainda não haviam giletes. Mas, os álbuns de fotografias é que são mesmo o máximo, éramos mesmo fotogénicas quando novas. E em velhas também, olha-me para os nossos ricos dentes! O que eu não gosto é desses teus chinelos, feios como a merda. Mais vale andares descalça, mulher! Falando nisso, tenho cara de que preciso ir mijar, ou então estou só a ser irónica sobre o facto de não me conseguir levantar. E os cabelos brancos, nunca pensei, mas ficam-te a matar! Até aqui tudo bem. Não percebo é o que é estamos a fazer debaixo da mesa. Uma festa de alcatifas? Uma revolução contra cadeiras? Um ritual do clube das sanitas? O futuro o dirá. Isso e quem é o animal que nos tirou a fotografia. Mas deixa-me dizer-te, Mia-de-Agora, somos umas velhas muito hardcore.
28 agosto, 2012
24 agosto, 2012
23 agosto, 2012
307
Sinto falta. É a única coisa que consigo dizer sobre ti. O que se está a tornar cansativo. Tão cansativo que começo a perder-te no pensamento e a esquecer-te na memória. Já não vale a pena, porque a minha alma por ti está cada vez mais pequena, então penso em usufruir do direito de te mandar embora. No entanto, ainda sinto as tuas mãos nas minhas. Ainda te vejo a olhar para mim como se fosse o teu mundo. Ainda me perco na tua voz. E isso tudo não me quer deixar-te ir. Que pena, podia ser imensamente feliz se não te tivesse sempre por aqui.
15 agosto, 2012
11 agosto, 2012
302
Tu mostraste proximidade, eu mostrei abertura. E então sorriste-me, como se hoje fosse sábado. Vieste com o ar modesto, sempre com a boca bem esticada. Falámos até tarde, combinámos um amanhã. Disse-te tons cor de rosa e tu um baú cheio de nada. O caminho ainda é longo, quinze minutos bastavam. Se um dia o sol deixar de se erguer, a lua não será mais a rainha. Como de costume, eu quis. Tu hesitaste.
07 agosto, 2012
Sem preço
Adoro o que não tem preço. No entanto, não deixa de ser difícil alcançar o sem preço. Está tão longe, como se estivesse no outro lado do continente. Como um peixe que sonha chegar ao cimo de uma árvore. E no entanto, a árvore está mesmo na margem do rio onde o peixe costuma nadar. Só espero pelo que não tem preço. Tudo o que faço é sonhar com o que não tem preço.
Sistema de cura
A cada ano que passa torna-se mais fácil encontrar-te no meio da multidão. E há qualquer coisa em ti que me faz voltar atrás. Poderia ficar a olhar-te como se não houvesse amanhã. Tudo o resto deixa de existir. Quando matamos saudades, parece que elas nunca existiram, e quando tenho de te dizer até amanhã, elas voltam a crescer. Como se houvesse algo que nos impede de colapsar, como se tivéssemos um sistema de cura imediata, estamos sempre em sintonia. Independentemente da última vez que nos vimos. Os meus olhos ficam grudados nos teus e tu não me queres deixar ir.
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