31 julho, 2012

Entre aspas (98)

30 julho, 2012

Tertuliano

Tertuliano arrepende-se, mas só agora. Esta coisa, que lhe está a tirar a vida, fez com que olhasse para a sua vontade. Ela nunca foi avantajada desde que se soube o que havia de ser o seu futuro. Antigamente, quando ainda tinha força nas canelas e palavreado na garganta, todo ele era vontade de continuar. Agora as canelas rendem-se aos lençóis e a garganta a ser comida. Tertuliano arrepende-se agora, mas só agora, de não ter enfrentado os seus medos. Ele sabe que deveria ter lutado, de armas e bagagens. Deveria ter-se erguido e enchido o peito, gritar ao seu mundo que tudo iria ficar bem. Não deveria ter-se acomodado. Tertuliano arrepende-se, mas só agora, de ter dado, como presente, os seus medos a quem reza por ele. Deu a si próprio a espera de chegar à próxima fase, que será a última.

Entre aspas (97)


28 julho, 2012

Entre aspas (96)

Entre aspas (95)

Ideias

O que ele me disse encheu-me o coração. Fez valer a pena todas as discussões, todos os gritos, todas os choros. Ele disse-me, cheio de orgulho. E desta vez, sim, acredito que tenhamos achado os meios termos, onde nos podemos encontrar sem que mais ninguém precise de entrar. Ele disse-me e eu nada disse, porque falou pelos dois. Somos do mesmo sangue, acho que é por isso que às vezes não preciso de falar. Ele confia em mim como em ninguém e eu venero-o pelas vezes que teve de lutar e conseguiu vencer. Acabámos os dois por aprender em conjunto. E eu nunca me vou esquecer daquele momento, daquelas palavras.

"Eu oiço as tuas ideias e respeito-as,
tu ouves as minhas ideias e respeita-las também.
Não há ninguém que venha mexer com isso."

25 julho, 2012

Chato

Ontem matei um pouco as saudades. Mas de que serve isso? Só gostava de te pôr as mãos no lombo e obrigar-te a ouvires-me até de manhã. Mas sou demasiado orgulhosa para isso. Quem sabe um dia, me convides para ir à praia e me obrigues a apanhar um escaldão.

22 julho, 2012

Adolescentes

Estes dias têm servido para afugentar a pessoa que achavas que eu era. Como podes ver, não sou mais a adolescente rebelde que quer tudo à sua maneira e que o quer só porque sim, para se afirmar e ser mais do que apenas uma adolescente dependente dos seus progenitores. A verdade é que continuo a ser uma criança, que ainda apanha escaldões porque se esquece de colocar protector solar, ainda choro quando me dói o corpo e ainda fico envergonhada quando sei que errei. Mas estou responsável pelo meu futuro, pela pessoa que me quero tornar, por quem acho que sou boa a sê-lo. Sei ser dona de casa sem esquecer que a minha prioridade é ser estudante. Sei que inevitavelmente sou filha dos meus pais e que, por escolha, não sou neta do meu avô, nem sobrinha de alguns tios. Em vez disso, sou irmã dos meus amigos. E todas estas decisões me fizeram crescer, porque não seria eu se não me tivesse revoltado e provado a mim mesma que ninguém conseguiria retirar-me do meu caminho. A questão é que tu és parte do meu caminho, mas não me podes impedir de escolher, apenas podes sussurrar qual para ti achas que é o melhor para mim. E eu vou ter isso em conta, mas as minhas ideias virão sempre em primeiro. Afinal de contas, tu não queres que viva toda uma vida debaixo das tuas calças.

17 julho, 2012

Fidelidade

Quem disse que as pessoas não mudam está totalmente errado. Ou então está certo, se a mudança consiste em deixar transparecer aquilo que tanto tempo mantiveram escondido. Mas isso não me importa quando se trata de desconhecidos. Mas com as minhas pessoas, quando elas mudam drasticamente e para pior, deixam de ser minhas, passam a ser de quem as consegue achar toleráveis quiçá, honráveis. Bom é saber que há quem não mude, que permanece fiel a si mesmo e fiel à amizade que comigo mantém. É isso de que o povo precisa, fidelidade.

16 julho, 2012

Irresolúvel

Não somos mais os adolescentes de ontem, cheios de egoismo, cheios de impaciência e imediatismo. Mas e depois? Continuamos no mesmo sítio. Esse há-de ser sempre o problema. Então para quê voltar atrás, percorrer o mesmo caminho, evitar as falhas e substitui-las pela maturidade que hoje temos? Espero ser a única a esconder estes caminhos abertos para o passado, a única a dizer a verdade mentindo. É que se não for, voltamos à mesma história, mas ainda mais triste e irresolúvel. Uma história burra onde não há amor que possa vencer.

15 julho, 2012

Entre aspas (94)


(Are you?)

Até à velhice


“If we wait until we’re ready, we’ll be waiting for the rest of our lives.”

22 junho, 2012

Prateleiras

Quando sentes que chegas ao fundo, parece-te tão difícil de lá sair. É pelo costume de lá permanecer, como se fosse a tua casa, o local onde haverá sempre um espaço para ti. E, por essa habituação, acabas por te sentir confortável numa prateleira que sabes que não é a tua. A que te pertence está bem longe daqui, quase como um ponto no horizonte, para onde nunca conseguirás caminhar o suficiente. E esperas, que um dia tenhas essa coragem, que haja alguém que te obrigue a começar essa maratona ou que finalmente dês em maluca e te esqueças que ela existe.

20 junho, 2012

Morte lenta

É como se tivesses morrido, como se as longas conversas nocturnas tivessem sido sonhadas e como se as gargalhadas e as lágrimas tivessem sido gastas sem razão. Não gosto de olhar para trás e ver falhas no tempo. Interrogo-me se foi tudo inventado por ti ou se foi uma escapatória que serviu o seu propósito enquanto durou. Tantas dúvidas e nada para esclarecer. Ao menos, morreste lentamente. Essa velocidade permitiu que me fosse consciencializando. E não está tudo dependente desse processo?

17 junho, 2012

Odeio-te

Gosto dos nossos jogos mentais, das coisas que dizemos em código e das quantas vezes que não nos conseguimos decifrar. Gosto dos desabafos que só connosco fazemos, das palavras cheias de sentimentos virados ao contrário. Gosto dos desvios de olhares que tudo dizem e dos olhares atentos que quase nada conseguem guardar. Gosto da proximidade e da forma como a mantemos na distância. Gosto das vezes que admitimos a verdade, mentindo com o consentimento logo a seguir. Gosto de saber que sabemos como tudo é e de não saber como amanhã será o dia. Gosto da confiança que tanto tempo levou a formar e da amizade que tanto a quis destruir. Gosto da permanência. Gosto dos dias que não sentimos saudades e dos momentos em que nos lembramos de nós. Gosto de ti, como nunca hei-de gostar de ninguém. Dizem que é por teres sido o primeiro, o único que até aqui chegou ao ponto da minha alma, o único que se importa sem querer importar.

15 junho, 2012

Terra seca

Sou terra seca, não de amor, mas de vontade de o ter. Gosto de deixar as histórias por escrever e as músicas por acabar. Não gosto dos fins, nem dos princípios. Vivo a pensar na fase do meio, aquela em que já não se pode mudar tudo, mas em que se pode virar o rumo que o caminho de ferro toma. Amanhã, irei mais longe, chegarei tão perto, quase a tocar no céu. Mas não hoje, vou-me deixar adormecer, as terras secas precisam de descansar. Dizem que só assim se chama a chuva. E eu só preciso de chover, estou cansada de só ter nuvens a meu redor, quando o sol está de viagem e só volta quando lhe apetecer.

Entre aspas (93)

09 junho, 2012

Vácuo

Tenho saudades tuas. E raiva de quando fazes as coisas que um dia já fiz. Tenho ciúmes daqueles que se cruzam contigo todos os dias. E detesto-te por deixares as tuas sinceras palavras abandonadas ao vento. Criou-se um vácuo de tempo entre nós. Não sei se algum dia ele irá desaparecer.

01 junho, 2012

Gostamos das coisas bonitas

Gostamos das coisas bonitas, daquelas que só apetece abraçar e guardar só para nós, para que ninguém mais veja, porque as amamos demais para as partilhar. Mas acabamos por fazê-lo, não há nada melhor do que partilhar a alegria, aquela que se multiplica em vez de se dividir. Até podemos querer dias chuvosos, mas nunca iremos querer os mais próximos a condizer com esse tempo. Gostamos das coisas que nos mantém vivos, gostamos, nem que sejam elas as coisas mais simples que se possa imaginar.

27 maio, 2012

Botões e suas casas

Não sei onde foram parar os meus confidentes, aqueles a quem nada tinha receio de contar, os grandes senhores que me faziam orgulhar de ser próxima. Não sei se os coloquei na caixa errada ou se fui sendo transparente quando no mundo só as cores reinam. Não sei se o calor queimou os cabos ou se o frio enrijeceu as tomadas. Posso, sem qualquer dúvida, dizer que a energia falhou e tudo acabou por mudar. Inevitavelmente,  a ínfima coisa vai mudando à medida que rezamos para que fique no mesmo exacto lugar. Mas já ninguém se mantém igual, parece que cada um está por conta própria. Os botões dizem que isto é crescer, quanto menos confiares, mais seguro de ti estarás. As casas destes dizem que tudo tem de se encaixar, cada um tem o seu sítio onde mais nada caberá. E nós, andamos na corda bamba a tentar equilibrar o que raras vez tem equilíbrio.

25 maio, 2012

Entre aspas (92)

O tal passo

Por vezes ainda sonho acordada, que vais acabar por ficar comigo e que te vais arrepender de nunca teres dado o tal passo, aquele que te atormentava, te fazia azia e te deixava sem chão.  Um dia vou rir-me disto tudo, tal como secalhar já te ris agora. O facto que não me posso esquecer é que, quando calha no assunto coração, tu não sabes mentir, tu não te sabes enganar. Sabes, como ninguém, respeitar alguém por quem tomas consideração. É bom perceber que sempre estive num patamar elevado, afinal nem todas tiveram o privilégio de passar tempo contigo e de tratar como um irmão. Há coisas que ficaram por dizer, certamente, também o achas. Mas conforta-me olhar para trás e perceber que podemos sempre voltar a sair como se nada se tivesse passado. É que não gosto de esquecer, mas também não me agrada estar sempre a relembrar.

23 maio, 2012

Entre aspas (91)

Entre aspas (90)

22 maio, 2012

No sítio certo

No início, quase morremos de ansiedade, quase esfolamos a pele, quase arrancamos cabelos. Depois, tudo se entranha, tudo ganha forma. No fim, não queremos que acabe, não queremos voltar para a miséria de nada poder fazer.

Enfermagem