16 julho, 2012

Irresolúvel

Não somos mais os adolescentes de ontem, cheios de egoismo, cheios de impaciência e imediatismo. Mas e depois? Continuamos no mesmo sítio. Esse há-de ser sempre o problema. Então para quê voltar atrás, percorrer o mesmo caminho, evitar as falhas e substitui-las pela maturidade que hoje temos? Espero ser a única a esconder estes caminhos abertos para o passado, a única a dizer a verdade mentindo. É que se não for, voltamos à mesma história, mas ainda mais triste e irresolúvel. Uma história burra onde não há amor que possa vencer.

15 julho, 2012

Entre aspas (94)


(Are you?)

Até à velhice


“If we wait until we’re ready, we’ll be waiting for the rest of our lives.”

22 junho, 2012

Prateleiras

Quando sentes que chegas ao fundo, parece-te tão difícil de lá sair. É pelo costume de lá permanecer, como se fosse a tua casa, o local onde haverá sempre um espaço para ti. E, por essa habituação, acabas por te sentir confortável numa prateleira que sabes que não é a tua. A que te pertence está bem longe daqui, quase como um ponto no horizonte, para onde nunca conseguirás caminhar o suficiente. E esperas, que um dia tenhas essa coragem, que haja alguém que te obrigue a começar essa maratona ou que finalmente dês em maluca e te esqueças que ela existe.

20 junho, 2012

Morte lenta

É como se tivesses morrido, como se as longas conversas nocturnas tivessem sido sonhadas e como se as gargalhadas e as lágrimas tivessem sido gastas sem razão. Não gosto de olhar para trás e ver falhas no tempo. Interrogo-me se foi tudo inventado por ti ou se foi uma escapatória que serviu o seu propósito enquanto durou. Tantas dúvidas e nada para esclarecer. Ao menos, morreste lentamente. Essa velocidade permitiu que me fosse consciencializando. E não está tudo dependente desse processo?

17 junho, 2012

Odeio-te

Gosto dos nossos jogos mentais, das coisas que dizemos em código e das quantas vezes que não nos conseguimos decifrar. Gosto dos desabafos que só connosco fazemos, das palavras cheias de sentimentos virados ao contrário. Gosto dos desvios de olhares que tudo dizem e dos olhares atentos que quase nada conseguem guardar. Gosto da proximidade e da forma como a mantemos na distância. Gosto das vezes que admitimos a verdade, mentindo com o consentimento logo a seguir. Gosto de saber que sabemos como tudo é e de não saber como amanhã será o dia. Gosto da confiança que tanto tempo levou a formar e da amizade que tanto a quis destruir. Gosto da permanência. Gosto dos dias que não sentimos saudades e dos momentos em que nos lembramos de nós. Gosto de ti, como nunca hei-de gostar de ninguém. Dizem que é por teres sido o primeiro, o único que até aqui chegou ao ponto da minha alma, o único que se importa sem querer importar.

15 junho, 2012

Terra seca

Sou terra seca, não de amor, mas de vontade de o ter. Gosto de deixar as histórias por escrever e as músicas por acabar. Não gosto dos fins, nem dos princípios. Vivo a pensar na fase do meio, aquela em que já não se pode mudar tudo, mas em que se pode virar o rumo que o caminho de ferro toma. Amanhã, irei mais longe, chegarei tão perto, quase a tocar no céu. Mas não hoje, vou-me deixar adormecer, as terras secas precisam de descansar. Dizem que só assim se chama a chuva. E eu só preciso de chover, estou cansada de só ter nuvens a meu redor, quando o sol está de viagem e só volta quando lhe apetecer.

Entre aspas (93)

09 junho, 2012

Vácuo

Tenho saudades tuas. E raiva de quando fazes as coisas que um dia já fiz. Tenho ciúmes daqueles que se cruzam contigo todos os dias. E detesto-te por deixares as tuas sinceras palavras abandonadas ao vento. Criou-se um vácuo de tempo entre nós. Não sei se algum dia ele irá desaparecer.

01 junho, 2012

Gostamos das coisas bonitas

Gostamos das coisas bonitas, daquelas que só apetece abraçar e guardar só para nós, para que ninguém mais veja, porque as amamos demais para as partilhar. Mas acabamos por fazê-lo, não há nada melhor do que partilhar a alegria, aquela que se multiplica em vez de se dividir. Até podemos querer dias chuvosos, mas nunca iremos querer os mais próximos a condizer com esse tempo. Gostamos das coisas que nos mantém vivos, gostamos, nem que sejam elas as coisas mais simples que se possa imaginar.

27 maio, 2012

Botões e suas casas

Não sei onde foram parar os meus confidentes, aqueles a quem nada tinha receio de contar, os grandes senhores que me faziam orgulhar de ser próxima. Não sei se os coloquei na caixa errada ou se fui sendo transparente quando no mundo só as cores reinam. Não sei se o calor queimou os cabos ou se o frio enrijeceu as tomadas. Posso, sem qualquer dúvida, dizer que a energia falhou e tudo acabou por mudar. Inevitavelmente,  a ínfima coisa vai mudando à medida que rezamos para que fique no mesmo exacto lugar. Mas já ninguém se mantém igual, parece que cada um está por conta própria. Os botões dizem que isto é crescer, quanto menos confiares, mais seguro de ti estarás. As casas destes dizem que tudo tem de se encaixar, cada um tem o seu sítio onde mais nada caberá. E nós, andamos na corda bamba a tentar equilibrar o que raras vez tem equilíbrio.

25 maio, 2012

Entre aspas (92)

O tal passo

Por vezes ainda sonho acordada, que vais acabar por ficar comigo e que te vais arrepender de nunca teres dado o tal passo, aquele que te atormentava, te fazia azia e te deixava sem chão.  Um dia vou rir-me disto tudo, tal como secalhar já te ris agora. O facto que não me posso esquecer é que, quando calha no assunto coração, tu não sabes mentir, tu não te sabes enganar. Sabes, como ninguém, respeitar alguém por quem tomas consideração. É bom perceber que sempre estive num patamar elevado, afinal nem todas tiveram o privilégio de passar tempo contigo e de tratar como um irmão. Há coisas que ficaram por dizer, certamente, também o achas. Mas conforta-me olhar para trás e perceber que podemos sempre voltar a sair como se nada se tivesse passado. É que não gosto de esquecer, mas também não me agrada estar sempre a relembrar.

23 maio, 2012

Entre aspas (91)

Entre aspas (90)

22 maio, 2012

No sítio certo

No início, quase morremos de ansiedade, quase esfolamos a pele, quase arrancamos cabelos. Depois, tudo se entranha, tudo ganha forma. No fim, não queremos que acabe, não queremos voltar para a miséria de nada poder fazer.

Enfermagem 

Um dia vou perceber

Sonhei que uma amiga de longe me ligava, pedia desculpa por se ter enganado no número e disse-me, com toda a clareza, que agora tinha uma amiga melhor. Como é óbvio, mandei-a para a merda. Sonhei que assaltava uma casa e que no espelho da casa de banho via uma menina pequena, cheia de graça e de conselhos bons para dar. Juntas descobrimos quem realmente havia assaltado a casa, mesmo assim ela arrepiava-me. Sonhei que estávamos numa casa no oceano, não à beira-mar, e iria acontecer uma orgia. Videochamadas também aconteceram, não liguei a isso, porque de repente ia-me tornar prisioneira, quase escrava do dono da casa. E aí ele apareceu, para me defender, acho que não, talvez para não me deixar sozinha e acabou por admitir que tínhamos tido um caso. Fiquei parva. E o dono da casa obrigou-nos a ficar sequestrados juntamente. Sonhei que havia imensas sanitas, imensos quartos, imensos corredores, imensos gatos, imensos ursos de peluche, imensas pessoas que não conheci. Uma coisa não é certa, um dia vou perceber estes sonhos.

16 maio, 2012

Qualquer dia

Qualquer dia mudo-me para uma casa abandonada, onde só existem os desejos e os sonhos daqueles que já se foram. Como podem as pessoas ter medo daqueles que vivem em cinzas ou num caixão confinado, se são os vivos que tornam o nosso mundo não tão brilhante, como gostaríamos? Para mim, tudo é tão chato, tão cheio de regras e padrões, de facadas e chapadas, tão de sorrisos melosos e mentirosos. Quero voar daqui, era bom voar daqui para uma casa abandonada, fazê-la minha e enchê-la só de mim. Viveria solitária, mas acompanhada só das minhas coisas. Passaria os dias a escrever, a sonhar com o impossível, a desejar nunca me ter apaixonado pelas coisas maravilhosas da vida, a utilizar a máquina fotográfica para me recordar a mim própria, a ver o sol entre as pálpebras e a adormecer nas águas rasteiras. Nada mais seria necessário. Pelo menos, hoje é isso o que me apetecia.

14 maio, 2012

Preto e branco

Tudo é mais bonito, mais subtil, mais inteligente... a preto e branco. Digam o que disserem, tudo é mais perceptível a preto e branco, quando as cores se podem imaginar, quando tudo pode ganhar cor, ou ficar sem ela. O preto e o branco deixam tudo por dizer quando neles está tudo dito. Têm a magia de ocultar e desvendar o que os nossos olhos vêem. Quem não entender... tem tudo feito, tudo cheio, tudo definido. E como é bom ter espaço para imaginar, criar e esborratar. Preto e branco... tudo fosse a preto e branco.

12 maio, 2012

12 de Maio


♥ Dia do Enfermeiro 

(Deveria haver espaço suficiente para todos.
Somos tão precisos e cada vez mais nos querem cortar as asas.
Mas o orgulho permanece, porque iremos sempre fazer a diferença.)

11 maio, 2012

Entre aspas (89)


(Guess I'm not made for that.)

A última carta

Agora ficou consciente. Mudaste, eu mudei. Conheci novas pessoas, fi-las chegadas. Aproximei alguns antigos, deixe-te ir. Tu quiseste ir. Aquela breve conversa de ocasião apenas serviu para obter certezas. Muita coisa mudou. Eu quero ser enfermeira, tu queres ser... não faço ideia. E não faço ideia de nada do que seja a ti relativo. Apenas tenho as memórias e as fotografias espalhadas por aí. Quando chegar o verão, vou pensar em renovar, retirar o que se foi e acrescentar o que veio. Inevitavelmente eles tinham razão, o nosso destino era outro. Tanto que começaste a ser chegada a quem eu sempre gostei de ser inexistente, tanto que nunca tiveste noção de como eram as minhas paixonetas, tanto que só sabias as novidades quando já tinha contado aos outros. Apenas agradeço à pessoa que nunca me deixou ir e que sempre me mantém o mais perto possível. Ela sim, posso chamá-la de melhor. Mas, queres saber a verdade? Olho para ti e vejo outra pessoa, alguém que não conheço, alguém que me lembra uma amizade que um dia me foi tanto. Se olhares para mim, vais perceber, também já não me conheces, não fazes ideia das doenças que tive, dos problemas que enfrento, das coisas que já fiz ou das pessoas de quem gosto. Somos duas pessoas, que nada têm a ver uma com a outra.

08 maio, 2012

Pesadelos

Disseste-me que íamos ficar juntos sem abrir a boca. Esse teu jeito de ser alegre, esse teu jeito de ser ficar no silêncio e o meu jeito para ir atrás. Será que alguma vez cheguei a ganhar, mesmo antes de perder? Eu disse-te que o difícil não era perceber como estaríamos na realidade, era saber como queríamos que um dia a história fosse contada. A história ficou por contar, a desilusão ficou para ser amada. Trocámos o frio da incerteza pelo aconchego de nada começar e de nada fazer para resultar. Somos bons amigos, ninguém precisa de falar sobre isso e nós não precisamos de sentir falta disso.

Nós

Tenho um nó. E mais um nó. Esses nós não me deixa fazer nada. Odeio este nó. E também o outro. São nós que me tratam por tu e que me dão momentos de pura loucura. Alguém sabe desfazer nós, nós crónicos, nós que ganharam resistência à medicação?

06 maio, 2012

Conta e medida

Foi um daqueles dias em que só a chuva te consolou. Deixaste-a ser um pouco de ti e ela envolveu-te. Não conseguiu refrescar essas ideias baralhadas e, acima de tudo, desiludidas e magoadas. Mas fez-te perceber que às vezes tens de te libertar e deixar que as tuas lágrimas se fundem com a tua pele. Precisas de te libertar. Por vezes, deixares que os outros percebam como te sentes é o suficiente. Nas outras, tens de dar ouvidos às tuas preocupações. Mas já aprendeste, não há soluções perfeitas nem há regras de três simples. Só tu podes ir descobrindo e inventando a tua conta e medida.