03 abril, 2012
02 abril, 2012
Espécie de loucura
Não sei se é de mim, se é dos outros, se é da espécie de loucura em que todos vivemos, mas há sempre algo que está incrivelmente deslocado. Apetece-me afundar em sonhos impossíveis e em músicas depressivas. Por outro lado, quero fechar os olhos e movimentar o corpo como se parar fosse mesmo morrer. Coisas que ficam por fazer, são pesos na consciência que não se deixam esquecer. Temos problemas de personalidade, acho que é isso. Ou então, andamos a dormir bem demais.
29 março, 2012
Disco externo
Quando precisas de ir buscar o disco externo, já sabes que vais acabar por mergulhar nas coisas que já esqueceste e que adoras relembrar. É instantâneo, mal acabas de ver o que te levou ali, veste inundada de coisas antigas. Pessoas que já se foram, palavras que te magoam, lugares que sabes que já não são teus, sorrisos que te fazem chorar, brincadeiras que te provocam as maiores gargalhadas. E dói tanto. Dói ver as pessoas que um dia abraçaste e chamaste de eternas. Algumas provam-te que são duras de roer e que persistem. Mas as outras, criam-te um buraco no coração, mais uma vez. E, por fim, acabas por ver o quanto mudaste. Já deixaste os óculos para andar por casa, já retiraste o aparelho dos dentes, já tens o cabelo comprido e macio, já tens o peso dos vinte anos e a consciência de mais vinte para te avisar que o tempo está a passar e que, em alguns aspectos, fraquejaste e deixaste-os por aprofundar.
28 março, 2012
24 março, 2012
2 de Outubro, 2010
E eu não sei que amor tenho dentro de mim para dar, não sei ainda se quero algum receber, não sei dos quilos de amor de que fui feita um dia, é isso, eu não sei. Não sei do amor.
23 março, 2012
Dejavú
Custa sempre ir, mas nunca custa voltar. É como se fosse um dejavú, repete-se tudo outra vez, mais uma vez, e não percebes porque não o consegues parar. Acho que é mesmo assim, aprendemos a não deixar ir e depois caímos na rede que já morre de velha. Mas desta vez vai ser diferente. Ou isso ou as garras que nos prendem ao presente irão sucumbir de tanta força para que tudo seja melhor do que em tempos foi.
20 março, 2012
19 março, 2012
Cá estão
Cá estão os baixos. Cá estão os silêncios que se lamentam, mas não se partilham. É inevitável quando o percurso na calçada nos leva a cozer o fígado, ainda para mais quando estamos calejados de tanto ferver a bílis. E pior do que subir a ravina da altura das nossos medos, é temer que nunca mais iremos desfrutar da queda de os ver sucumbir. Cá estão as vísceras, saindo pela pequena ferida que se rasgou no cotovelo. Cá estão as coisas que não se dizem, as coisas guardadas que, uma vez libertadas, podem quebrar os ossos que nos sustém de pé. Cá estão os danos nas relações que a custo vão sarando.
15 março, 2012
13 março, 2012
Fantasmas
O lugar mais seguro que conheces não é debaixo das cobertas. E por mais que te possas sentir sozinho, nunca estarás só. Terás sempre os teus fantasmas para te deixar na insegurança e te acompanhar para onde quer que vás. Eles transformam-se nos teus melhores amigos e a partir daí torna-se muito mais difícil encontrar o caminho para a superfície. Parece que mergulhaste numa queda sem fundo.
12 março, 2012
Medidas
À medida que ele cresce e à medida que os anos vão passando no calendário, ele vai percebendo o porquê de não conseguir suportar as pessoas durante dias a fio. Como se lhe tivessem escrito uma carta onde nela constasse a sua sentença de morte, ele compreendeu. Está a tornar-se tão diferente das pessoas que admira e das pessoas que despreza que apenas o silêncio não compartilhado lhe trás cumplicidade. Diferente, insubstituível, único. No entanto, cada vez mais indefinível, irreconhecível. São várias as perguntas que o vão assombrando, mas nem a uma é capaz de responder. Ele apenas sabe que precisa de espaço para as organizar e classificar, sem que alguém lhe tente impor uma resposta que não cabe nas suas medidas.
09 março, 2012
08 março, 2012
As tuas meninas
Hoje, as tuas meninas, lembraram-se de ti, mais do que é normal lembrar. Eu, porque uma colega falou de uma situação familiar de doença. Ela, porque viu as mensagens antigas que a tentavam consolar em vão depois da tua partida. Eu, tentava lembrar-me, não do momento, mas da data e da aula que estava a ter quando soube da notícia. Ela, soube pelas mensagens que foi há quase três anos. Eu, contei-lhe que a primeira memória que me ocorre é de ti a sorrir no só teu sorriso maroto. Ela, contou-me que estranhou ser já há tanto tempo. Ambas tentámos não chorar ao telefone, ambas tentámos recordar-te um pouco. O nosso consolo é que acreditamos que estejas a cuidar de nós, de uma forma que nunca conseguiste fazer enquanto ainda te podíamos ver.
04 março, 2012
28 fevereiro, 2012
Isto e aquilo
Haverá sempre alguma coisa sobre a qual não posso falar, nem sequer escrever. São assuntos que dizem respeito a tanta coisa que acabam por ser segredos que só eu tenho direito a conhecer. Às vezes sou torturada por eles. Noutras, sinto as costas demasiado fracas para os carregar. Mas, em todas as vezes que o quotidiano me faz lembrar, desejo fortemente livrar-me deles. Depois, lembro-me de como é bom partilhar coisas comigo mesma e desisto de me abrir com alguém. Talvez um dia me torne suficientemente capaz de os contar ou de os discutir. Acho que no fundo, apenas sinto falta de uma pessoa com quem possa partilhar tudo, sem reservas. Por vezes, é um vazio. Por outras, é saber que não se pode confiar plenamente em ninguém.
Velho amigo
De cada vez que te vejo nas fotografias por aí espalhadas, penso nas inúmeras opções que poderíamos ter tomado juntos, em vez daquelas que escolhemos seguir em separado. Foi algo que já aconteceu há tanto tempo que já nem me recordo de certos pormenores, pormenores esses que antigamente sabia de cor e que todas as noites revia e revivia. Cresci tanto, mudei tanto, penso de forma tão diferente. E tu, não sei, não sei por onde andas, em que pensas ou de quem gostas. Acho que quando te abraçar de novo, vai ser completamente diferente, talvez constrangedor, ou então apenas reconfortante. Só sei que quando te vir novamente, ao vivo, vou sentir que continuamos amigos, daqueles que não se vêem, que não se falam, mas que continuam a sorrir um para o outro, num sorriso que fala e manda calar as palavras. Tenho saudades, espero que tu também.
26 fevereiro, 2012
Gato e rato
Escrever sobre nós é simples. Mas não em dias como este. A minha cabeça corre no sentido contrário ao do coração e diz-me, explicitamente, para não sair da zona de conforto. Sempre me disseram que tinha de sair dela, mas não o vou fazer quando mais coisas estão em jogo. O meu plano é manter-me no meu lugar, não fazer estragos pelo caminho. Este jogo nunca terá fim. Seremos sempre o gato e o rato. E quando descobrirmos o segundo significado da apanhada, ficaremos desiludidos demais para continuar a alimentar o interesse. Só me apetece não falar, mas connosco não funciona assim.
25 fevereiro, 2012
23 fevereiro, 2012
A seguir
Ouvi dizer que algumas coisas estão simplesmente perdidas. Acho que outras estão simplesmente acabadas. As histórias que já tiveram um final não podem ser reabertas para que outro se lhes acrescente. As outras ou estão a ser escritas conforme as vontades dos donos ou estão simplesmente deixadas à maré para ver se sobrevivem à tempestade que ninguém pareceu reparar que chegou. Algumas coisas estão simplesmente tão intactas que um pequeno tremor de terra consegue colocar toda a infra estrutura em ponto de desabar. Ou então, são apenas histórias que aparecessem por vontade própria. Nunca se sabe o que vem a seguir.
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