À medida que ele cresce e à medida que os anos vão passando no calendário, ele vai percebendo o porquê de não conseguir suportar as pessoas durante dias a fio. Como se lhe tivessem escrito uma carta onde nela constasse a sua sentença de morte, ele compreendeu. Está a tornar-se tão diferente das pessoas que admira e das pessoas que despreza que apenas o silêncio não compartilhado lhe trás cumplicidade. Diferente, insubstituível, único. No entanto, cada vez mais indefinível, irreconhecível. São várias as perguntas que o vão assombrando, mas nem a uma é capaz de responder. Ele apenas sabe que precisa de espaço para as organizar e classificar, sem que alguém lhe tente impor uma resposta que não cabe nas suas medidas.
09 março, 2012
08 março, 2012
As tuas meninas
Hoje, as tuas meninas, lembraram-se de ti, mais do que é normal lembrar. Eu, porque uma colega falou de uma situação familiar de doença. Ela, porque viu as mensagens antigas que a tentavam consolar em vão depois da tua partida. Eu, tentava lembrar-me, não do momento, mas da data e da aula que estava a ter quando soube da notícia. Ela, soube pelas mensagens que foi há quase três anos. Eu, contei-lhe que a primeira memória que me ocorre é de ti a sorrir no só teu sorriso maroto. Ela, contou-me que estranhou ser já há tanto tempo. Ambas tentámos não chorar ao telefone, ambas tentámos recordar-te um pouco. O nosso consolo é que acreditamos que estejas a cuidar de nós, de uma forma que nunca conseguiste fazer enquanto ainda te podíamos ver.
04 março, 2012
28 fevereiro, 2012
Isto e aquilo
Haverá sempre alguma coisa sobre a qual não posso falar, nem sequer escrever. São assuntos que dizem respeito a tanta coisa que acabam por ser segredos que só eu tenho direito a conhecer. Às vezes sou torturada por eles. Noutras, sinto as costas demasiado fracas para os carregar. Mas, em todas as vezes que o quotidiano me faz lembrar, desejo fortemente livrar-me deles. Depois, lembro-me de como é bom partilhar coisas comigo mesma e desisto de me abrir com alguém. Talvez um dia me torne suficientemente capaz de os contar ou de os discutir. Acho que no fundo, apenas sinto falta de uma pessoa com quem possa partilhar tudo, sem reservas. Por vezes, é um vazio. Por outras, é saber que não se pode confiar plenamente em ninguém.
Velho amigo
De cada vez que te vejo nas fotografias por aí espalhadas, penso nas inúmeras opções que poderíamos ter tomado juntos, em vez daquelas que escolhemos seguir em separado. Foi algo que já aconteceu há tanto tempo que já nem me recordo de certos pormenores, pormenores esses que antigamente sabia de cor e que todas as noites revia e revivia. Cresci tanto, mudei tanto, penso de forma tão diferente. E tu, não sei, não sei por onde andas, em que pensas ou de quem gostas. Acho que quando te abraçar de novo, vai ser completamente diferente, talvez constrangedor, ou então apenas reconfortante. Só sei que quando te vir novamente, ao vivo, vou sentir que continuamos amigos, daqueles que não se vêem, que não se falam, mas que continuam a sorrir um para o outro, num sorriso que fala e manda calar as palavras. Tenho saudades, espero que tu também.
26 fevereiro, 2012
Gato e rato
Escrever sobre nós é simples. Mas não em dias como este. A minha cabeça corre no sentido contrário ao do coração e diz-me, explicitamente, para não sair da zona de conforto. Sempre me disseram que tinha de sair dela, mas não o vou fazer quando mais coisas estão em jogo. O meu plano é manter-me no meu lugar, não fazer estragos pelo caminho. Este jogo nunca terá fim. Seremos sempre o gato e o rato. E quando descobrirmos o segundo significado da apanhada, ficaremos desiludidos demais para continuar a alimentar o interesse. Só me apetece não falar, mas connosco não funciona assim.
25 fevereiro, 2012
23 fevereiro, 2012
A seguir
Ouvi dizer que algumas coisas estão simplesmente perdidas. Acho que outras estão simplesmente acabadas. As histórias que já tiveram um final não podem ser reabertas para que outro se lhes acrescente. As outras ou estão a ser escritas conforme as vontades dos donos ou estão simplesmente deixadas à maré para ver se sobrevivem à tempestade que ninguém pareceu reparar que chegou. Algumas coisas estão simplesmente tão intactas que um pequeno tremor de terra consegue colocar toda a infra estrutura em ponto de desabar. Ou então, são apenas histórias que aparecessem por vontade própria. Nunca se sabe o que vem a seguir.
17 fevereiro, 2012
16 fevereiro, 2012
Perdidos
Odeio as conversas que tenho contigo. Simples. Odeio. Tal como te odeio a ti e todas as nossas bocas em que tentamos superar um ao outro. Onde foi parar a nossa sinceridade? Onde está aquela que não temos de medir? Tenho saudades de sentir alguma coisa que não isto. Estamos perdidos. Parece que vou ter de me conformar.
14 fevereiro, 2012
Manhã de primavera
O teu coração fraqueja. Mas não a tua voz nem as palavras que demoras a escolher. Cada lágrima que derramares por ele tem de ser escondida. O que está certo é seguir em frente. O que está errado é olhar para trás e começares a reviver uma história que já teve o seu fim há muito, muito tempo. Olha para mim, eu sei o que queres, mas também sei que não é isso que te vai fazer feliz. Só te peço que sejas forte e que não deixes os teus olhos fraquejarem. Porque se eles o fizerem, o teu coração será posto a nu. E ele tem de ser protegido, o mais possível. Espero que um dia consigas fazer desse amor todo que tens, uma bela manhã de primavera. Sem chuva, com um sol radiante e cheia de esperanças para a tarde que se seguirá.
11 fevereiro, 2012
10 fevereiro, 2012
Mãos geladas
A verdade é que não sei para onde me virar. Se um por um lado quero seguir em frente e dar o melhor, por outro só me apetece continuar distante e esconder o que tenho para dar. Não é questão de não saber o que quero, é saber que o fracasso está garantido, tão garantido que é mais certo do que ter as mãos geladas num dia de inverno. Tenho saudades de quando tudo era fácil de fazer, sem segredos ou meias voltas. De quando podia abrir a boca sem ter de medir as palavras.
08 fevereiro, 2012
Gosto tanto
Só me apetece dançar, sorrir e cantar. Há dias assim, que compensam o dia de ontem e que fazem valer a pena recomeçar mais um amanhã. Mas o mérito não é só meu. Com as pessoas certas, que, em certos momentos, até podem ser as erradas, tudo corre bem e tudo nos apetece fazer bem. E eu gosto tanto.
05 fevereiro, 2012
Entre aspas (67)
Tenho tantas saudades tuas. Até dos teus defeitos, que me levavam a arrancar cabelos e a responder-te mal. E de fazer as pazes contigo depois de todas as imbirrações saudáveis, depois das menos saudáveis também. E da forma como me confortavas só ao dizeres algo parvo com intenção séria. Mas do que mais sinto falta é de poder chorar no teu ombro e de poder abraçar sempre que precisavas de atenção. Há coisas que não se substituem, nem a melhor pessoa do mundo pode substituir alguém que foi durante anos a nossa irmã gémea. Volta.
04 fevereiro, 2012
Mais tempo, por favor
Precisa-de de tempo para dormir, para estudar, para fazer trabalhos, para estar com a família, para estar com os amigos, para fazer o que apetece, para fazer o que faz bem. Precisa-se de tempo para conseguir arranjar tempo para tanta coisa que precisa de tanto tempo.
03 fevereiro, 2012
Nós
De vez em quando, fazes com que o nó na garganta se faça e o que nó da gravata se desfaça. Não gosto de me ter de proteger desta maneira, não gosto de sentir que não posso falar como se estivesse liberta. Não gosto de ver que sorris para mim e que eu vou estando cada vez mais distante. Volta para a tua terra. Sê feliz onde não quiseste que ninguém entrasse. E leva os teus nós contigo, odeio ter de vestir a gravata quando chegas.
02 fevereiro, 2012
30 janeiro, 2012
Impossível
Tudo o que mais queres é impossível. Então para onde hás-de ir, se não há mais nenhum sítio onde queres estar?
29 janeiro, 2012
Se
Todos nós temos uma pessoa na memória que nos faz questionar acerca de todo o tipo de coisas. E se não tivesse sido assim? E se não tivesse desistido? E se as circunstâncias fossem outras? E se eu tivesse outro tipo de maturidade? E se eu deixasse tudo para trás só por uns dias? Nunca se irá saber. Ficam as perguntas e as certezas de que nada do que pensarmos hoje irá mudar o que fizemos ontem. E se tudo tiver de correr bem, havemos de lá chegar.
28 janeiro, 2012
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