30 janeiro, 2012

Impossível

Tudo o que mais queres é impossível. Então para onde hás-de ir, se não há mais nenhum sítio onde queres estar?

29 janeiro, 2012

Se

Todos nós temos uma pessoa na memória que nos faz questionar acerca de todo o tipo de coisas. E se não tivesse sido assim? E se não tivesse desistido? E se as circunstâncias fossem outras? E se eu tivesse outro tipo de maturidade? E se eu deixasse tudo para trás só por uns dias? Nunca se irá saber. Ficam as perguntas e as certezas de que nada do que pensarmos hoje irá mudar o que fizemos ontem. E se tudo tiver de correr bem, havemos de lá chegar.

28 janeiro, 2012

Entre aspas (65)

26 janeiro, 2012

Entre aspas (64)


(Preciso tanto, meu deus.)

25 janeiro, 2012

Deveria ser rica

Os dias correm porque têm de se apressar. As noites são frias porque não é sua função dar alento. As pessoas desconhecem-se porque são egoístas, por vezes, ignorantes. Os amigos, também por vezes, são irritantes porque esperamos sempre deles o mais possível, outras vezes são o que temos de melhor porque fazem por isso. Eu sou ingenua porque me deixo ser, quero acreditar no melhor dos outros e espero o pior de mim quando os factos me dizem que sou tudo menos isso. Só a banda desenhada me entende, só o escuro me diz que a luz está perto, só os espaços amplos e vazios me fazem sentir pequenina, e tudo o resto, insignificante. Acho que deveria ser rica, estes momentos de depressão e dúvida seriam óptimos para ser escritora, fotógrafa e sarcástica a todo o tempo e sem me preocupar com o amanhã. Acho que tenho palavras a mais no coração e de menos na memória. E que ando eu a fazer, afinal?

Entre aspas (63)

24 janeiro, 2012

Entre aspas (62)

23 janeiro, 2012

Nova etapa

- Um dia vais querer saber o porquê de ter agido assim.
- Não quero saber. O teu passado não me pertence.
- Mas esse passado também foi teu.
- Recomeçámos uma nova etapa, não estragues tudo.
- Não quero estragar, só quero que percebas.
- E eu só quero que não me desiludas novamente.

22 janeiro, 2012

Teias

Nunca te deste ao trabalho de pensar nas pessoas por quem vais passando. Julgo eu? Sais de um para o outro, passas de tijolos a paredes, largas os teus bens, largas o seguro e dás asas ao incerto. E não sentes pena, não sentes culpa, remorsos ou saudades. Constróis tudo de novo, de raiz, deixas tudo crescer até aos fins dos inúmeros ramos. Dás o matrimónio por vencido, chegas a colher o fruto e ter cuidado para que ele não apodreça. E depois? Fazes com que tudo se degrade, lentamente, às vezes, do dia para a noite. Ninguém sabe o que te vai na alma, no pensamento. Nem os teus olhos conseguem ser sinceros, só a tua boca sabe reagir. Ou direi mentir? Mas as tuas irmãs, que são quem mais te apoiam, são quem mais te conhecem. E elas sabem, claro no escuro, que nunca irás terminar de erguer e destruir castelos. É o que melhor sabes fazer, safas-te tão bem, imaginam elas que sentimentos terás por isso. E terás rugas, dificuldade em andar, o peso dos anos irão fazer tuas costas dobrar, mas nunca deixarás de ter teias na manga. A tua estratégia, a destes tempos, está quase completa. Mas por favor, não destruas os teus frutos. São a coisa mais bonita que poderias ter feito, deixa-os ser livres de mentiras e ser presos à verdade.

19 janeiro, 2012

Caixas

Não há nada pior do que saber que estamos no sítio errado, com as pessoas erradas, com as esperanças erradas. Não há nada pior do que querer que o tempo pare nele próprio ou que passe tão rápido que não dê sequer para saber o que se passou. Somos caixas tão pequenas e guardamos tanta coisa cá dentro. Às vezes penso que vou explodir, às vezes só quero que seja isso a acontecer. Mas, enquanto a caixa não encher, nada irá sair. Nada será pior do que conter.

13 janeiro, 2012

Entre aspas (61)

Teorias

- Quando te sentas sozinho, o que é que pensas?
- Penso em aquecedores.
- Aquecedores... de alma, uma metáfora?
- Não.
- Pensei que fosse algo que te confortasse.
- E conforta. Aquecedores, daqueles que usamos em casa.
- Mas porquê?
- Quando não tens calor humano, tens de arranjar uma máquina que, mal e porcamente, o substitua.

09 janeiro, 2012

Notas

Por vezes escrevo notas no telemóvel, coisas que vêm no momento e que acho interessante para mais tarde recordar. Quando me lembro que essas notas existem, vou ler o que escrevi e tenho sempre a sensação de que foi escrito por outra pessoa, que invadiu o meu telemóvel de prepósito para me lembrar dos pormenores que me estou sempre a esquecer.

04 janeiro, 2012

Sempre

Um dia disseste-me que ia ser para sempre. E eu acreditei. E acreditei tão piamente que ainda hoje penso que será para sempre. De outras maneiras e por outros caminhos, é claro, isso nem se coloca em dúvida. Mas, no descalabro e na imaginação daqueles tempos, é estranho falar em certas coisas, é estranho dizer aos outros o que hoje é, é loucura o que outros entendem disso. Só que somos mesmo esse tipo de pessoas e seremos sempre assim.

02 janeiro, 2012

Entre aspas (60)

01 janeiro, 2012

Primeiro dia

Acho que estamos a ir num mau caminho. Acho que o fazemos mal por ser o primeiro dia do ano. Acho que há coisas que não conseguimos evitar. Acho que os monstros que nos assombram todos os dias nos deixam a sós à noite. Acho que é por isso que nos estamos a deixar ir. Se te arrependeres, não me ligues, mas sabe já que também o vou fazer. Acho que fomos feitos apenas e só para nos arrependermos.

30 dezembro, 2011

Entre aspas (59)

28 dezembro, 2011

Rapina

Tudo o que e lhe falta é a razão. Enquanto não a achar, ele vai continuar a caminhar num sentido, que não sei  se é o que lhe é necessário, se é o que o vai levar a espetar contra uma árvore e morrer à beira-mar. Os seus desejos estão concentrados em levá-lo ao oposto do lhe têm dito que tem de fazer. Tudo o que sei é que não há nada de novo quando tudo o que lhe passa pela cabeça é relaxar o corpo e cair em rapina, sem se preocupar com o embate ou com o tempo que ele demorará a chegar. Ele diz que algumas pessoas estão destinadas a morrer sem ser, eu acho que ele quer morrer para não ser. Tentei conversar sobre a tão falada razão, mas ele continua a sua tempestade e diz-me, sem qualquer intenção, de que precisa de dormir, mas sofre de insónias desde que descobriu o que é a maturidade.

25 dezembro, 2011

Des

Apesar de desproporcional, desintegrada, desagradada, desmiolada, até um pouco disfuncional, e imagino que há quem pense que seja uma desfamília, tenho a melhor família do mundo e não quero mais nenhuma.

24 dezembro, 2011

Várias formas

Todos os dias descubro novas maneiras de estarmos juntos, seja por aqui, seja por ali, seja depois de ontem, seja depois do mês passado. E nada do que possam dizer ou criticar irá mudar as memórias com que fico. Há tantas formas de amor e a maioria delas é tão patética aos olhos dos outros que se torna tão legítima aos meus. Para mim amor é chamar nomes e rir a seguir, é fazer caretas e dar murros, é dar a mão sem nada dizer, é olhar nos olhos e dizer uma piada sem sentido, é falar sobre coisas sérias e manter a cabeça baixa, é fazer silêncio quando não há nada a dizer, é dizer que se gosta ao ofender, é tirar macacos do nariz enquanto o outro está a ver. Há várias receitas, sempre com a mesma solução, sempre com a mesma intenção.

Entre aspas (58)

22 dezembro, 2011

Amizades e amizades

Há tanta coisa para dizer que nada acaba por ser dito. De todas as vezes que estamos juntos, evitamos certos assuntos, percorremos as ruas pintadas a cores e deixamos as de preto e branco guardadas para outra pessoa. Porque precisamos que pensem que estamos a ter uma boa vida, que temos tudo o que desejamos, que estamos a ser felizes. Mas tudo o que me apetece dizer é que quase nada está a ser como pensei, como quero ou como sonho. Mas eles não podem saber disto. Há amigos que só servem para rir e dizer mal dos outros, esses que não são como nós e que não estão bem. Tenho pena que seja assim, mas há amizades que não são talhadas para os maus momentos. Há outras que são talhadas para tudo e, essas, são as melhores.

20 dezembro, 2011

Entre aspas (57)

13 dezembro, 2011

Entre aspas (56)

10 dezembro, 2011

Há um facto

Há séculos que não escrevo nada romântico, nada lamechas, nada sobre duas pessoas apaixonadas, nada sobre o amor. Há uma ironia quando escrevo a palavra "amor". Há uma explicação para isso. Há uma falha na minha vida amorosa. Há uma não existência de sentimentos. Há um vazio no compartimento que se intitula "pessoa por quem poderia morrer por". Há uma vontade de mudar isso. Há uma falta de tempo que nem me deixar pensar decentemente em como resolver a questão. Há uma esperança que um dia alguém venha preencher o espaço oco. Há uma certeza de que daqui para a frente tudo vai piorar, a triplicar. Há muitas coisas para fazer, porque raio estou eu aqui a falar do que não existe?