23 janeiro, 2012

Nova etapa

- Um dia vais querer saber o porquê de ter agido assim.
- Não quero saber. O teu passado não me pertence.
- Mas esse passado também foi teu.
- Recomeçámos uma nova etapa, não estragues tudo.
- Não quero estragar, só quero que percebas.
- E eu só quero que não me desiludas novamente.

22 janeiro, 2012

Teias

Nunca te deste ao trabalho de pensar nas pessoas por quem vais passando. Julgo eu? Sais de um para o outro, passas de tijolos a paredes, largas os teus bens, largas o seguro e dás asas ao incerto. E não sentes pena, não sentes culpa, remorsos ou saudades. Constróis tudo de novo, de raiz, deixas tudo crescer até aos fins dos inúmeros ramos. Dás o matrimónio por vencido, chegas a colher o fruto e ter cuidado para que ele não apodreça. E depois? Fazes com que tudo se degrade, lentamente, às vezes, do dia para a noite. Ninguém sabe o que te vai na alma, no pensamento. Nem os teus olhos conseguem ser sinceros, só a tua boca sabe reagir. Ou direi mentir? Mas as tuas irmãs, que são quem mais te apoiam, são quem mais te conhecem. E elas sabem, claro no escuro, que nunca irás terminar de erguer e destruir castelos. É o que melhor sabes fazer, safas-te tão bem, imaginam elas que sentimentos terás por isso. E terás rugas, dificuldade em andar, o peso dos anos irão fazer tuas costas dobrar, mas nunca deixarás de ter teias na manga. A tua estratégia, a destes tempos, está quase completa. Mas por favor, não destruas os teus frutos. São a coisa mais bonita que poderias ter feito, deixa-os ser livres de mentiras e ser presos à verdade.

19 janeiro, 2012

Caixas

Não há nada pior do que saber que estamos no sítio errado, com as pessoas erradas, com as esperanças erradas. Não há nada pior do que querer que o tempo pare nele próprio ou que passe tão rápido que não dê sequer para saber o que se passou. Somos caixas tão pequenas e guardamos tanta coisa cá dentro. Às vezes penso que vou explodir, às vezes só quero que seja isso a acontecer. Mas, enquanto a caixa não encher, nada irá sair. Nada será pior do que conter.

13 janeiro, 2012

Entre aspas (61)

Teorias

- Quando te sentas sozinho, o que é que pensas?
- Penso em aquecedores.
- Aquecedores... de alma, uma metáfora?
- Não.
- Pensei que fosse algo que te confortasse.
- E conforta. Aquecedores, daqueles que usamos em casa.
- Mas porquê?
- Quando não tens calor humano, tens de arranjar uma máquina que, mal e porcamente, o substitua.

09 janeiro, 2012

Notas

Por vezes escrevo notas no telemóvel, coisas que vêm no momento e que acho interessante para mais tarde recordar. Quando me lembro que essas notas existem, vou ler o que escrevi e tenho sempre a sensação de que foi escrito por outra pessoa, que invadiu o meu telemóvel de prepósito para me lembrar dos pormenores que me estou sempre a esquecer.

04 janeiro, 2012

Sempre

Um dia disseste-me que ia ser para sempre. E eu acreditei. E acreditei tão piamente que ainda hoje penso que será para sempre. De outras maneiras e por outros caminhos, é claro, isso nem se coloca em dúvida. Mas, no descalabro e na imaginação daqueles tempos, é estranho falar em certas coisas, é estranho dizer aos outros o que hoje é, é loucura o que outros entendem disso. Só que somos mesmo esse tipo de pessoas e seremos sempre assim.

02 janeiro, 2012

Entre aspas (60)

01 janeiro, 2012

Primeiro dia

Acho que estamos a ir num mau caminho. Acho que o fazemos mal por ser o primeiro dia do ano. Acho que há coisas que não conseguimos evitar. Acho que os monstros que nos assombram todos os dias nos deixam a sós à noite. Acho que é por isso que nos estamos a deixar ir. Se te arrependeres, não me ligues, mas sabe já que também o vou fazer. Acho que fomos feitos apenas e só para nos arrependermos.

30 dezembro, 2011

Entre aspas (59)

28 dezembro, 2011

Rapina

Tudo o que e lhe falta é a razão. Enquanto não a achar, ele vai continuar a caminhar num sentido, que não sei  se é o que lhe é necessário, se é o que o vai levar a espetar contra uma árvore e morrer à beira-mar. Os seus desejos estão concentrados em levá-lo ao oposto do lhe têm dito que tem de fazer. Tudo o que sei é que não há nada de novo quando tudo o que lhe passa pela cabeça é relaxar o corpo e cair em rapina, sem se preocupar com o embate ou com o tempo que ele demorará a chegar. Ele diz que algumas pessoas estão destinadas a morrer sem ser, eu acho que ele quer morrer para não ser. Tentei conversar sobre a tão falada razão, mas ele continua a sua tempestade e diz-me, sem qualquer intenção, de que precisa de dormir, mas sofre de insónias desde que descobriu o que é a maturidade.

25 dezembro, 2011

Des

Apesar de desproporcional, desintegrada, desagradada, desmiolada, até um pouco disfuncional, e imagino que há quem pense que seja uma desfamília, tenho a melhor família do mundo e não quero mais nenhuma.

24 dezembro, 2011

Várias formas

Todos os dias descubro novas maneiras de estarmos juntos, seja por aqui, seja por ali, seja depois de ontem, seja depois do mês passado. E nada do que possam dizer ou criticar irá mudar as memórias com que fico. Há tantas formas de amor e a maioria delas é tão patética aos olhos dos outros que se torna tão legítima aos meus. Para mim amor é chamar nomes e rir a seguir, é fazer caretas e dar murros, é dar a mão sem nada dizer, é olhar nos olhos e dizer uma piada sem sentido, é falar sobre coisas sérias e manter a cabeça baixa, é fazer silêncio quando não há nada a dizer, é dizer que se gosta ao ofender, é tirar macacos do nariz enquanto o outro está a ver. Há várias receitas, sempre com a mesma solução, sempre com a mesma intenção.

Entre aspas (58)

22 dezembro, 2011

Amizades e amizades

Há tanta coisa para dizer que nada acaba por ser dito. De todas as vezes que estamos juntos, evitamos certos assuntos, percorremos as ruas pintadas a cores e deixamos as de preto e branco guardadas para outra pessoa. Porque precisamos que pensem que estamos a ter uma boa vida, que temos tudo o que desejamos, que estamos a ser felizes. Mas tudo o que me apetece dizer é que quase nada está a ser como pensei, como quero ou como sonho. Mas eles não podem saber disto. Há amigos que só servem para rir e dizer mal dos outros, esses que não são como nós e que não estão bem. Tenho pena que seja assim, mas há amizades que não são talhadas para os maus momentos. Há outras que são talhadas para tudo e, essas, são as melhores.

20 dezembro, 2011

Entre aspas (57)

13 dezembro, 2011

Entre aspas (56)

10 dezembro, 2011

Há um facto

Há séculos que não escrevo nada romântico, nada lamechas, nada sobre duas pessoas apaixonadas, nada sobre o amor. Há uma ironia quando escrevo a palavra "amor". Há uma explicação para isso. Há uma falha na minha vida amorosa. Há uma não existência de sentimentos. Há um vazio no compartimento que se intitula "pessoa por quem poderia morrer por". Há uma vontade de mudar isso. Há uma falta de tempo que nem me deixar pensar decentemente em como resolver a questão. Há uma esperança que um dia alguém venha preencher o espaço oco. Há uma certeza de que daqui para a frente tudo vai piorar, a triplicar. Há muitas coisas para fazer, porque raio estou eu aqui a falar do que não existe?

07 dezembro, 2011

Sei lá

Penso tantas vezes no mesmo, que essas vezes fazem-me a pessoa mais infeliz do mundo. Ainda bem que os tempos vão mudando e que as pessoas vão passando, acho que não aguentaria tudo de uma só vez.

Entre aspas (55)

Adoro

Os sapos que engolimos em conjunto, os olhares que falam e que ninguém mais entende, as risadas de algo que ninguém mais se riria, os abraços só porque sim, dar as mãos num acto puro de amizade, evitar os beijinhos o mais possível porque não são algo nada confortável, as ideias que surgem ao mesmo tempo, as conclusões a que chegamos juntos, ter os mesmos sonhos e desejar que o outro os realize, as músicas que não têm piada mas passam a tê-la só porque as estamos a cantar, o gozo que sai de todas as situações de que irremediavelmente falamos sempre que estamos juntos, os comentários sobre a nossa própria vida e que nos fazem dizer coisas parvas, as séries que adoramos e as frases que estamos sempre a repetir. Adoro ter amigos assim. E não dispenso adorar saber que só alguns têm o privilégio de manter estes simples gestos comigo. Os outros... são apenas pessoas que não posso descartar, porque me irão levar a algum lado. Não é aproveitamento, é ter de aguentar as regras da sociedade e saber manter a postura quando tudo o que os outros fizeram foi baixar de nível.

03 dezembro, 2011

Listas

Sou muito boa a fazer listas. Mentalmente, faço-as de tudo e mais alguma coisa. No papel, faço listas de coisas que não me posso esquecer. No coração, as listas criam-se por elas próprias sem que o meu cérebro concorde ou discorde. Sou muito boa a fazê-las porque elas são aos milhões, mas nem sempre correspondem ao retrato fiel da realidade e nem sempre se colocam pela ordem correcta. Por isso, sou ainda melhor a emendá-las, qualquer detalhe, por mais insignificante que seja, faz com que mude as minhas listas e as torne um tanto ou quanto diferentes, às vezes irónicas, meticulosas e fiéis ao que se vai passando. Estas listas, muitas delas perdem-se para dar lugar às novas e às mais relevantes. Tenho pena de me esquecer delas, principalmente das que relatam aspectos negativos sobre determinada coisa, por isso tenho esta imensa facilidade em perdoar tudo o que se possa imaginar. E as listas, trocam-me os passos durante os sonhos, querem fazer-me ver que ainda faltam muitas para concertar, baralham-me a realidade e só fazem ainda mais confusão. Só que num determinado momento, tudo se começa a encaixar e todas as listas se começam a organizar, velozmente e rigorosamente, enquanto fico a assistir às suas modificações e digo para mim mesma que ainda me falta muito trabalho para fazer. Listas, todos temos as nossas.

01 dezembro, 2011

Entre aspas (54)

25 novembro, 2011

Entre aspas (53)


As saudades que tenho...

23 novembro, 2011

Não há falhas

Passe o tempo que passar, as histórias que nos marcaram um dia, marcarão sempre um dia mais tarde. Não há falhas, não há crescimento pessoal que apague as memórias. O mesmo acontece em relação às pessoas, as que importam.