28 dezembro, 2011

Rapina

Tudo o que e lhe falta é a razão. Enquanto não a achar, ele vai continuar a caminhar num sentido, que não sei  se é o que lhe é necessário, se é o que o vai levar a espetar contra uma árvore e morrer à beira-mar. Os seus desejos estão concentrados em levá-lo ao oposto do lhe têm dito que tem de fazer. Tudo o que sei é que não há nada de novo quando tudo o que lhe passa pela cabeça é relaxar o corpo e cair em rapina, sem se preocupar com o embate ou com o tempo que ele demorará a chegar. Ele diz que algumas pessoas estão destinadas a morrer sem ser, eu acho que ele quer morrer para não ser. Tentei conversar sobre a tão falada razão, mas ele continua a sua tempestade e diz-me, sem qualquer intenção, de que precisa de dormir, mas sofre de insónias desde que descobriu o que é a maturidade.

25 dezembro, 2011

Des

Apesar de desproporcional, desintegrada, desagradada, desmiolada, até um pouco disfuncional, e imagino que há quem pense que seja uma desfamília, tenho a melhor família do mundo e não quero mais nenhuma.

24 dezembro, 2011

Várias formas

Todos os dias descubro novas maneiras de estarmos juntos, seja por aqui, seja por ali, seja depois de ontem, seja depois do mês passado. E nada do que possam dizer ou criticar irá mudar as memórias com que fico. Há tantas formas de amor e a maioria delas é tão patética aos olhos dos outros que se torna tão legítima aos meus. Para mim amor é chamar nomes e rir a seguir, é fazer caretas e dar murros, é dar a mão sem nada dizer, é olhar nos olhos e dizer uma piada sem sentido, é falar sobre coisas sérias e manter a cabeça baixa, é fazer silêncio quando não há nada a dizer, é dizer que se gosta ao ofender, é tirar macacos do nariz enquanto o outro está a ver. Há várias receitas, sempre com a mesma solução, sempre com a mesma intenção.

Entre aspas (58)

22 dezembro, 2011

Amizades e amizades

Há tanta coisa para dizer que nada acaba por ser dito. De todas as vezes que estamos juntos, evitamos certos assuntos, percorremos as ruas pintadas a cores e deixamos as de preto e branco guardadas para outra pessoa. Porque precisamos que pensem que estamos a ter uma boa vida, que temos tudo o que desejamos, que estamos a ser felizes. Mas tudo o que me apetece dizer é que quase nada está a ser como pensei, como quero ou como sonho. Mas eles não podem saber disto. Há amigos que só servem para rir e dizer mal dos outros, esses que não são como nós e que não estão bem. Tenho pena que seja assim, mas há amizades que não são talhadas para os maus momentos. Há outras que são talhadas para tudo e, essas, são as melhores.

20 dezembro, 2011

Entre aspas (57)

13 dezembro, 2011

Entre aspas (56)

10 dezembro, 2011

Há um facto

Há séculos que não escrevo nada romântico, nada lamechas, nada sobre duas pessoas apaixonadas, nada sobre o amor. Há uma ironia quando escrevo a palavra "amor". Há uma explicação para isso. Há uma falha na minha vida amorosa. Há uma não existência de sentimentos. Há um vazio no compartimento que se intitula "pessoa por quem poderia morrer por". Há uma vontade de mudar isso. Há uma falta de tempo que nem me deixar pensar decentemente em como resolver a questão. Há uma esperança que um dia alguém venha preencher o espaço oco. Há uma certeza de que daqui para a frente tudo vai piorar, a triplicar. Há muitas coisas para fazer, porque raio estou eu aqui a falar do que não existe?

07 dezembro, 2011

Sei lá

Penso tantas vezes no mesmo, que essas vezes fazem-me a pessoa mais infeliz do mundo. Ainda bem que os tempos vão mudando e que as pessoas vão passando, acho que não aguentaria tudo de uma só vez.

Entre aspas (55)

Adoro

Os sapos que engolimos em conjunto, os olhares que falam e que ninguém mais entende, as risadas de algo que ninguém mais se riria, os abraços só porque sim, dar as mãos num acto puro de amizade, evitar os beijinhos o mais possível porque não são algo nada confortável, as ideias que surgem ao mesmo tempo, as conclusões a que chegamos juntos, ter os mesmos sonhos e desejar que o outro os realize, as músicas que não têm piada mas passam a tê-la só porque as estamos a cantar, o gozo que sai de todas as situações de que irremediavelmente falamos sempre que estamos juntos, os comentários sobre a nossa própria vida e que nos fazem dizer coisas parvas, as séries que adoramos e as frases que estamos sempre a repetir. Adoro ter amigos assim. E não dispenso adorar saber que só alguns têm o privilégio de manter estes simples gestos comigo. Os outros... são apenas pessoas que não posso descartar, porque me irão levar a algum lado. Não é aproveitamento, é ter de aguentar as regras da sociedade e saber manter a postura quando tudo o que os outros fizeram foi baixar de nível.

03 dezembro, 2011

Listas

Sou muito boa a fazer listas. Mentalmente, faço-as de tudo e mais alguma coisa. No papel, faço listas de coisas que não me posso esquecer. No coração, as listas criam-se por elas próprias sem que o meu cérebro concorde ou discorde. Sou muito boa a fazê-las porque elas são aos milhões, mas nem sempre correspondem ao retrato fiel da realidade e nem sempre se colocam pela ordem correcta. Por isso, sou ainda melhor a emendá-las, qualquer detalhe, por mais insignificante que seja, faz com que mude as minhas listas e as torne um tanto ou quanto diferentes, às vezes irónicas, meticulosas e fiéis ao que se vai passando. Estas listas, muitas delas perdem-se para dar lugar às novas e às mais relevantes. Tenho pena de me esquecer delas, principalmente das que relatam aspectos negativos sobre determinada coisa, por isso tenho esta imensa facilidade em perdoar tudo o que se possa imaginar. E as listas, trocam-me os passos durante os sonhos, querem fazer-me ver que ainda faltam muitas para concertar, baralham-me a realidade e só fazem ainda mais confusão. Só que num determinado momento, tudo se começa a encaixar e todas as listas se começam a organizar, velozmente e rigorosamente, enquanto fico a assistir às suas modificações e digo para mim mesma que ainda me falta muito trabalho para fazer. Listas, todos temos as nossas.

01 dezembro, 2011

Entre aspas (54)

25 novembro, 2011

Entre aspas (53)


As saudades que tenho...

23 novembro, 2011

Não há falhas

Passe o tempo que passar, as histórias que nos marcaram um dia, marcarão sempre um dia mais tarde. Não há falhas, não há crescimento pessoal que apague as memórias. O mesmo acontece em relação às pessoas, as que importam.

21 novembro, 2011

A carta que poucos têm coragem de escrever...

Às vezes tenho saudade. Saudade do que fomos, não de ti, mas deixei de ser burro ao ponto de me lembrar constantemente que ainda poderíamos estar juntos, que ainda poderíamos passar noites acordados a conversar, que ainda poderíamos mandar uma mensagem de bons dias e sentir as borboletas na barriga, que ainda poderíamos ser a luz um do outro. Agora penso nisso só quando vejo um casal feliz, na rua, a rir e a trocar beijos. Mas nunca nos imagino no lugar deles, isso seria impossível e contraditório. Mas se gostava? Não sei, mas gostava, sim, que o rumo tivesse sido outro. Se fosse outro, talvez ainda estivéssemos juntos. Talvez. Mas, hoje, tudo o que posso sentir é felicidade de ver que estás feliz.

...A carta que ficou por enviar e permanece abandonada nos confins dos segredos.

20 novembro, 2011

Mais um dia

Ele sentiu-se tão frágil, tão insignificante. Passou horas a reflectir, palavra tão imperiosa naqueles tempos, sobre o quanto mudava a sua perspectiva sobre o mundo, parece que mudava consoante os acontecimentos que A ou B provocam na sua vida. Sentiu-se pronto para acordar do pesadelo, para mergulhar na sua querida solitude e lhe oferecer, só a ela, toda a sua atenção. Mas interrogou-se, tanta vez, sobre o que aconteceria, a todas as pessoas e a todas as circunstâncias que alteravam constantemente a sua forma de estar, se isso de facto acontecesse, que as respostas só o deixaram ainda mais destabilizado. Calou-se, por breves momentos, e dedicou-se àquilo que sabia melhor fazer, desejar o que podia ter e não deveria querer possuir. Por fim, rendeu-se aos prazeres de um simples, e, isoladamente, apenas inofensivo acto. Não quis mais reflectir, parece que foi esse o remédio. Agiu lentamente, sem pressas, inspirando e expirando, consumindo o fumo esbranquiçado que lhe apaziguava os pensamentos, como se ele fosse o seu melhor amigo, e como todos os outros, se desfazia no ar frio da noite. No dia seguinte, acordou e, sem nexo, sem princípio ou fim, lembrou-se de que todos os seus sonhos e desejos coincidiam com uma coisa: ter aquilo que não tinha e que desesperava muito por ter. E lá se levantou para mais um dia, como outro qualquer.

19 novembro, 2011

Entre aspas (52)

13 novembro, 2011

Entre aspas (51)

Um tipo diferente

Sempre ouvi dizer que não se pode medir o afecto mútuo entre dois seres humanos pelas palavras que eles trocam e só consigo chegar à conclusão de que é verdade. Somos assim, temos poucas conversas, mas as que temos dão para meses de outras sem entusiasmo ou valor. Confesso que tenho saudades. Trata-se de um tipo de saudade diferente, estreado há pouco tempo. E confesso que estas são bem mais suportáveis. Tanta coisa que tem mudado, não achas?

09 novembro, 2011

Entre aspas (50)

Ao contrário

Interessa muito a ansiedade que nos consome quando sabemos que algo poderá ou vai mudar? Não. Mas até termos a certeza, ela só tem rastilhos infinitos e bombas que explodem a cada milésimo de segundo. Não sei como será quando tudo tiver de dar uma volta de cento e oitenta graus, amanhã, daqui a uma semana, alguns meses, anos... Mas quando uma volta acontece, parece sempre que sempre estivemos habituados, que já ali estivemos antes, que já sabemos como irá acabar e que tudo é perfeitamente normal. Será que há voltas maiores do que elas que nos viram ao contrário?

06 novembro, 2011

Entre aspas (49)

05 novembro, 2011

Entre aspas (48)

Entre aspas (47)