07 dezembro, 2011
Adoro
Os sapos que engolimos em conjunto, os olhares que falam e que ninguém mais entende, as risadas de algo que ninguém mais se riria, os abraços só porque sim, dar as mãos num acto puro de amizade, evitar os beijinhos o mais possível porque não são algo nada confortável, as ideias que surgem ao mesmo tempo, as conclusões a que chegamos juntos, ter os mesmos sonhos e desejar que o outro os realize, as músicas que não têm piada mas passam a tê-la só porque as estamos a cantar, o gozo que sai de todas as situações de que irremediavelmente falamos sempre que estamos juntos, os comentários sobre a nossa própria vida e que nos fazem dizer coisas parvas, as séries que adoramos e as frases que estamos sempre a repetir. Adoro ter amigos assim. E não dispenso adorar saber que só alguns têm o privilégio de manter estes simples gestos comigo. Os outros... são apenas pessoas que não posso descartar, porque me irão levar a algum lado. Não é aproveitamento, é ter de aguentar as regras da sociedade e saber manter a postura quando tudo o que os outros fizeram foi baixar de nível.
03 dezembro, 2011
Listas
Sou muito boa a fazer listas. Mentalmente, faço-as de tudo e mais alguma coisa. No papel, faço listas de coisas que não me posso esquecer. No coração, as listas criam-se por elas próprias sem que o meu cérebro concorde ou discorde. Sou muito boa a fazê-las porque elas são aos milhões, mas nem sempre correspondem ao retrato fiel da realidade e nem sempre se colocam pela ordem correcta. Por isso, sou ainda melhor a emendá-las, qualquer detalhe, por mais insignificante que seja, faz com que mude as minhas listas e as torne um tanto ou quanto diferentes, às vezes irónicas, meticulosas e fiéis ao que se vai passando. Estas listas, muitas delas perdem-se para dar lugar às novas e às mais relevantes. Tenho pena de me esquecer delas, principalmente das que relatam aspectos negativos sobre determinada coisa, por isso tenho esta imensa facilidade em perdoar tudo o que se possa imaginar. E as listas, trocam-me os passos durante os sonhos, querem fazer-me ver que ainda faltam muitas para concertar, baralham-me a realidade e só fazem ainda mais confusão. Só que num determinado momento, tudo se começa a encaixar e todas as listas se começam a organizar, velozmente e rigorosamente, enquanto fico a assistir às suas modificações e digo para mim mesma que ainda me falta muito trabalho para fazer. Listas, todos temos as nossas.
01 dezembro, 2011
25 novembro, 2011
23 novembro, 2011
Não há falhas
Passe o tempo que passar, as histórias que nos marcaram um dia, marcarão sempre um dia mais tarde. Não há falhas, não há crescimento pessoal que apague as memórias. O mesmo acontece em relação às pessoas, as que importam.
21 novembro, 2011
A carta que poucos têm coragem de escrever...
Às vezes tenho saudade. Saudade do que fomos, não de ti, mas deixei de ser burro ao ponto de me lembrar constantemente que ainda poderíamos estar juntos, que ainda poderíamos passar noites acordados a conversar, que ainda poderíamos mandar uma mensagem de bons dias e sentir as borboletas na barriga, que ainda poderíamos ser a luz um do outro. Agora penso nisso só quando vejo um casal feliz, na rua, a rir e a trocar beijos. Mas nunca nos imagino no lugar deles, isso seria impossível e contraditório. Mas se gostava? Não sei, mas gostava, sim, que o rumo tivesse sido outro. Se fosse outro, talvez ainda estivéssemos juntos. Talvez. Mas, hoje, tudo o que posso sentir é felicidade de ver que estás feliz.
...A carta que ficou por enviar e permanece abandonada nos confins dos segredos.
20 novembro, 2011
Mais um dia
Ele sentiu-se tão frágil, tão insignificante. Passou horas a reflectir, palavra tão imperiosa naqueles tempos, sobre o quanto mudava a sua perspectiva sobre o mundo, parece que mudava consoante os acontecimentos que A ou B provocam na sua vida. Sentiu-se pronto para acordar do pesadelo, para mergulhar na sua querida solitude e lhe oferecer, só a ela, toda a sua atenção. Mas interrogou-se, tanta vez, sobre o que aconteceria, a todas as pessoas e a todas as circunstâncias que alteravam constantemente a sua forma de estar, se isso de facto acontecesse, que as respostas só o deixaram ainda mais destabilizado. Calou-se, por breves momentos, e dedicou-se àquilo que sabia melhor fazer, desejar o que podia ter e não deveria querer possuir. Por fim, rendeu-se aos prazeres de um simples, e, isoladamente, apenas inofensivo acto. Não quis mais reflectir, parece que foi esse o remédio. Agiu lentamente, sem pressas, inspirando e expirando, consumindo o fumo esbranquiçado que lhe apaziguava os pensamentos, como se ele fosse o seu melhor amigo, e como todos os outros, se desfazia no ar frio da noite. No dia seguinte, acordou e, sem nexo, sem princípio ou fim, lembrou-se de que todos os seus sonhos e desejos coincidiam com uma coisa: ter aquilo que não tinha e que desesperava muito por ter. E lá se levantou para mais um dia, como outro qualquer.
19 novembro, 2011
13 novembro, 2011
Um tipo diferente
Sempre ouvi dizer que não se pode medir o afecto mútuo entre dois seres humanos pelas palavras que eles trocam e só consigo chegar à conclusão de que é verdade. Somos assim, temos poucas conversas, mas as que temos dão para meses de outras sem entusiasmo ou valor. Confesso que tenho saudades. Trata-se de um tipo de saudade diferente, estreado há pouco tempo. E confesso que estas são bem mais suportáveis. Tanta coisa que tem mudado, não achas?
09 novembro, 2011
Ao contrário
Interessa muito a ansiedade que nos consome quando sabemos que algo poderá ou vai mudar? Não. Mas até termos a certeza, ela só tem rastilhos infinitos e bombas que explodem a cada milésimo de segundo. Não sei como será quando tudo tiver de dar uma volta de cento e oitenta graus, amanhã, daqui a uma semana, alguns meses, anos... Mas quando uma volta acontece, parece sempre que sempre estivemos habituados, que já ali estivemos antes, que já sabemos como irá acabar e que tudo é perfeitamente normal. Será que há voltas maiores do que elas que nos viram ao contrário?
06 novembro, 2011
05 novembro, 2011
31 outubro, 2011
Abstractos e concretos
Por vezes tenho a noção de que escrevo sempre sobre as mesmas coisas e percebo que é assim porque são sobre essas coisas que vale a pena escrever. A razão disso tudo é que o abstracto transforma-se em concreto sob diversas formas, formas tão diferentes que acabam por ter abstractos diferentes, mesmo que, aos olhos dos outros, no fim seja tudo igual. Mas, na verdade, cada fragmento do tempo tem uma unicidade que só quem os vive consegue perceber a diferença. Ainda há muita coisa sobre o que escrever, ainda há tantos concretos para saborear.
30 outubro, 2011
Ilimitadas
Aconteceu, tão simples e genuinamente, porque há regras na minha família que ninguém ousa querer quebrar. Voltei a apaixonar-me. Mais uma vez, e cada vez melhor, pela pessoa por quem fui mais apaixonada a vida toda. Essa paixão não é como as que correm na boca sem passar pelo coração, é uma das que nascem, literalmente, connosco e que nunca têm fim. Começam com o colo que recebemos quando temos memória de peixe e acabam quando a memória passa a de elefante. Morrem dentro de nós tal como crescem a cada dia que por nós passa. Mas o bom, aqui para quem sabe guardar segredos, é redescobrir as pessoas que conhecemos há anos ao explorar os pequenos detalhes em que nunca reparámos. E perceber a quantidade de maravilhosas que são e que ainda não tínhamos acrescentado à lista. As pessoas são ilimitadas e é por isso que nos estão predestinadas, nunca nos cansamos delas, nunca as queremos fora do que nós somos. Este, sim, é o amor que todos deveríamos sentir e saber como é.
27 outubro, 2011
Tão simples
As coisas boas da vida são tão simples que por vezes deixamos de as saber, tão pequenas que nos ocupam o corpo e a mente por inteiro, tão quentes que nos arrepiam a pele, tão fáceis que precisamos de anos para as compreender, mas nunca desistimos delas. Desistir delas é desistir da felicidade, desistir de nós mesmos e daquilo de que somos feitos. Só a família nos pode ensinar tudo isso, a de sangue e a de coração, e é ela própria uma das coisas boas da vida, senão a melhor de todas.
23 outubro, 2011
19 outubro, 2011
Nove horas de sono
Nove horas de sono, três palavras de bom dia e um longo momento a entornar sentimentos. Duas horas de conforto, cinco minutos a aliviar o espírito e trezentas rotinas perturbadas. Sete horas de espera na certeza, onze passos na direcção do mar e duas músicas para cantar. Oito idas e oito vindas, três vezes a pedir o possível e uma eternidade a pensar se tudo foi verdade ou não. Nove horas de sono, nada e nenhum minuto a tentar mudar o inevitável.
16 outubro, 2011
Falta
Tem tudo a ver com aquilo que sentes no momento, se num dia um insulto pode fazer-te rir e responder na mesma moeda, no outro pode fazer com que te apeteça desaparecer porque tudo o que tu tens é a tua inutilidade e falta de paciência. E falta sensibilidade, altruísmo e preocupação... a tanta gente.
15 outubro, 2011
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