21 novembro, 2011

A carta que poucos têm coragem de escrever...

Às vezes tenho saudade. Saudade do que fomos, não de ti, mas deixei de ser burro ao ponto de me lembrar constantemente que ainda poderíamos estar juntos, que ainda poderíamos passar noites acordados a conversar, que ainda poderíamos mandar uma mensagem de bons dias e sentir as borboletas na barriga, que ainda poderíamos ser a luz um do outro. Agora penso nisso só quando vejo um casal feliz, na rua, a rir e a trocar beijos. Mas nunca nos imagino no lugar deles, isso seria impossível e contraditório. Mas se gostava? Não sei, mas gostava, sim, que o rumo tivesse sido outro. Se fosse outro, talvez ainda estivéssemos juntos. Talvez. Mas, hoje, tudo o que posso sentir é felicidade de ver que estás feliz.

...A carta que ficou por enviar e permanece abandonada nos confins dos segredos.

20 novembro, 2011

Mais um dia

Ele sentiu-se tão frágil, tão insignificante. Passou horas a reflectir, palavra tão imperiosa naqueles tempos, sobre o quanto mudava a sua perspectiva sobre o mundo, parece que mudava consoante os acontecimentos que A ou B provocam na sua vida. Sentiu-se pronto para acordar do pesadelo, para mergulhar na sua querida solitude e lhe oferecer, só a ela, toda a sua atenção. Mas interrogou-se, tanta vez, sobre o que aconteceria, a todas as pessoas e a todas as circunstâncias que alteravam constantemente a sua forma de estar, se isso de facto acontecesse, que as respostas só o deixaram ainda mais destabilizado. Calou-se, por breves momentos, e dedicou-se àquilo que sabia melhor fazer, desejar o que podia ter e não deveria querer possuir. Por fim, rendeu-se aos prazeres de um simples, e, isoladamente, apenas inofensivo acto. Não quis mais reflectir, parece que foi esse o remédio. Agiu lentamente, sem pressas, inspirando e expirando, consumindo o fumo esbranquiçado que lhe apaziguava os pensamentos, como se ele fosse o seu melhor amigo, e como todos os outros, se desfazia no ar frio da noite. No dia seguinte, acordou e, sem nexo, sem princípio ou fim, lembrou-se de que todos os seus sonhos e desejos coincidiam com uma coisa: ter aquilo que não tinha e que desesperava muito por ter. E lá se levantou para mais um dia, como outro qualquer.

19 novembro, 2011

Entre aspas (52)

13 novembro, 2011

Entre aspas (51)

Um tipo diferente

Sempre ouvi dizer que não se pode medir o afecto mútuo entre dois seres humanos pelas palavras que eles trocam e só consigo chegar à conclusão de que é verdade. Somos assim, temos poucas conversas, mas as que temos dão para meses de outras sem entusiasmo ou valor. Confesso que tenho saudades. Trata-se de um tipo de saudade diferente, estreado há pouco tempo. E confesso que estas são bem mais suportáveis. Tanta coisa que tem mudado, não achas?

09 novembro, 2011

Entre aspas (50)

Ao contrário

Interessa muito a ansiedade que nos consome quando sabemos que algo poderá ou vai mudar? Não. Mas até termos a certeza, ela só tem rastilhos infinitos e bombas que explodem a cada milésimo de segundo. Não sei como será quando tudo tiver de dar uma volta de cento e oitenta graus, amanhã, daqui a uma semana, alguns meses, anos... Mas quando uma volta acontece, parece sempre que sempre estivemos habituados, que já ali estivemos antes, que já sabemos como irá acabar e que tudo é perfeitamente normal. Será que há voltas maiores do que elas que nos viram ao contrário?

06 novembro, 2011

Entre aspas (49)

05 novembro, 2011

Entre aspas (48)

Entre aspas (47)

31 outubro, 2011

Abstractos e concretos

Por vezes tenho a noção de que escrevo sempre sobre as mesmas coisas e percebo que é assim porque são sobre essas coisas que vale a pena escrever. A razão disso tudo é que o abstracto transforma-se em concreto sob diversas formas, formas tão diferentes que acabam por ter abstractos diferentes, mesmo que, aos olhos dos outros, no fim seja tudo igual. Mas, na verdade, cada fragmento do tempo tem uma unicidade que só quem os vive consegue perceber a diferença. Ainda há muita coisa sobre o que escrever, ainda há tantos concretos para saborear.

30 outubro, 2011

Ilimitadas

Aconteceu, tão simples e genuinamente, porque há regras na minha família que ninguém ousa querer quebrar. Voltei a apaixonar-me. Mais uma vez, e cada vez melhor, pela pessoa por quem fui mais apaixonada a vida toda.  Essa paixão não é como as que correm na boca sem passar pelo coração, é uma das que nascem, literalmente, connosco e que nunca têm fim. Começam com o colo que recebemos quando temos memória de peixe e acabam quando a memória passa a de elefante. Morrem dentro de nós tal como crescem a cada dia que por nós passa. Mas o bom, aqui para  quem sabe guardar segredos, é redescobrir as pessoas que conhecemos há anos ao explorar os pequenos detalhes em que nunca reparámos. E perceber a quantidade de maravilhosas que são e que ainda não tínhamos acrescentado à lista. As pessoas são ilimitadas e é por isso que nos estão predestinadas, nunca nos cansamos delas, nunca as queremos fora do que nós somos. Este, sim, é o amor que todos deveríamos sentir e saber como é.

27 outubro, 2011

Tão simples

As coisas boas da vida são tão simples que por vezes deixamos de as saber, tão pequenas que nos ocupam o corpo e a mente por inteiro, tão quentes que nos arrepiam a pele, tão fáceis que precisamos de anos para as compreender, mas nunca desistimos delas. Desistir delas é desistir da felicidade, desistir de nós mesmos e daquilo de que somos feitos. Só a família nos pode ensinar tudo isso, a de sangue e a de coração, e é ela própria uma das coisas boas da vida, senão a melhor de todas.

23 outubro, 2011

Entre aspas (46)

19 outubro, 2011

Entre aspas (45)

Nove horas de sono

Nove horas de sono, três palavras de bom dia e um longo momento a entornar sentimentos. Duas horas de conforto, cinco minutos a aliviar o espírito e trezentas rotinas perturbadas. Sete horas de espera na certeza, onze passos na direcção do mar e duas músicas para cantar. Oito idas e oito vindas, três vezes a pedir o possível e uma eternidade a pensar se tudo foi verdade ou não. Nove horas de sono, nada e nenhum minuto a tentar mudar o inevitável.

16 outubro, 2011

Falta

Tem tudo a ver com aquilo que sentes no momento, se num dia um insulto pode fazer-te rir e responder na mesma moeda, no outro pode fazer com que te apeteça desaparecer porque tudo o que tu tens é a tua inutilidade e falta de paciência. E falta sensibilidade, altruísmo e preocupação... a tanta gente.

15 outubro, 2011

Entre aspas (44)

Entre aspas (43)

14 outubro, 2011

Entre aspas (42)

Entre aspas (41)

Limpezas

Quando te passa tudo pela cabeça e tudo fica a remoer durante um bom bocado, o melhor que tens a fazer é pegar numa vassoura, para varrer tudo para longe, e numa esfregona, para não ficar vestígios de nenhuma luta intra mental. Ainda bem que a minha mãe me ensinou desde cedo a fazer limpezas.

05 outubro, 2011

Caixas

O que é demais enjoa. O que é de menos faz sentir falta. O que é verdade pode magoar. Mas, sobretudo, o que é realmente nosso nunca se perde. Existem caixas no nosso coração que andamos sempre a perder, mas que conseguimos reencontrar quando são só delas que necessitamos. E o que é mentira pode destruir uma família inteira.

30 setembro, 2011

Madrinha

De entre tantos factos que poderiam ser melhores e tantos sacrifícios que poderiam ser evitados, não há maior felicidade do que pertencer a uma família que não tem fim, colocar a capa negra e sentir as boas dores que só aqueles sapatos poderão fazer. Não há nada como gritar e cantar com a família e pela família, pela casa que nos está a formar, pelas pessoas que nos levaram até hoje. Nada se compara com o momento em que se sente que valeu a pena todo o esforço necessário para subir de patamares e ver que todos os rituais são algo com todo o sentido e que nunca se irá esquecer. Ninguém sabe o que é a praxe se não a viver e a querer tanto como o diploma no final do curso. E eu tenho a certeza que irei ouvir sempre, nos confins das minhas memórias, os meus superiores a gritar uma granada. Depois de tanto esperar, o título de Madrinha Eseliana posso finalmente usar, e com um muy nobre orgulho!

26 setembro, 2011

Lugar

O lugar da paragem de autocarros, desapareceu, fecharam o recinto da casa e mudaram a paragem para o outro lado da rua. O lugar onde percebi que não dizias a verdade, nem tão pouco a mentira, já não existe mais. O nosso lugar não é mais o nosso lugar. Mesmo depois de ter passado algum tempo, ainda é triste lembrar-me que esse lugar escondido, próprio para declarações de amor, declarações de impossibilidade ou uma mistura das duas, faz apenas parte das nossas lembranças. Pergunto-me se te doeu tanto como a mim, ver a inexistência daquela paragem de autocarros.