05 novembro, 2011
31 outubro, 2011
Abstractos e concretos
Por vezes tenho a noção de que escrevo sempre sobre as mesmas coisas e percebo que é assim porque são sobre essas coisas que vale a pena escrever. A razão disso tudo é que o abstracto transforma-se em concreto sob diversas formas, formas tão diferentes que acabam por ter abstractos diferentes, mesmo que, aos olhos dos outros, no fim seja tudo igual. Mas, na verdade, cada fragmento do tempo tem uma unicidade que só quem os vive consegue perceber a diferença. Ainda há muita coisa sobre o que escrever, ainda há tantos concretos para saborear.
30 outubro, 2011
Ilimitadas
Aconteceu, tão simples e genuinamente, porque há regras na minha família que ninguém ousa querer quebrar. Voltei a apaixonar-me. Mais uma vez, e cada vez melhor, pela pessoa por quem fui mais apaixonada a vida toda. Essa paixão não é como as que correm na boca sem passar pelo coração, é uma das que nascem, literalmente, connosco e que nunca têm fim. Começam com o colo que recebemos quando temos memória de peixe e acabam quando a memória passa a de elefante. Morrem dentro de nós tal como crescem a cada dia que por nós passa. Mas o bom, aqui para quem sabe guardar segredos, é redescobrir as pessoas que conhecemos há anos ao explorar os pequenos detalhes em que nunca reparámos. E perceber a quantidade de maravilhosas que são e que ainda não tínhamos acrescentado à lista. As pessoas são ilimitadas e é por isso que nos estão predestinadas, nunca nos cansamos delas, nunca as queremos fora do que nós somos. Este, sim, é o amor que todos deveríamos sentir e saber como é.
27 outubro, 2011
Tão simples
As coisas boas da vida são tão simples que por vezes deixamos de as saber, tão pequenas que nos ocupam o corpo e a mente por inteiro, tão quentes que nos arrepiam a pele, tão fáceis que precisamos de anos para as compreender, mas nunca desistimos delas. Desistir delas é desistir da felicidade, desistir de nós mesmos e daquilo de que somos feitos. Só a família nos pode ensinar tudo isso, a de sangue e a de coração, e é ela própria uma das coisas boas da vida, senão a melhor de todas.
23 outubro, 2011
19 outubro, 2011
Nove horas de sono
Nove horas de sono, três palavras de bom dia e um longo momento a entornar sentimentos. Duas horas de conforto, cinco minutos a aliviar o espírito e trezentas rotinas perturbadas. Sete horas de espera na certeza, onze passos na direcção do mar e duas músicas para cantar. Oito idas e oito vindas, três vezes a pedir o possível e uma eternidade a pensar se tudo foi verdade ou não. Nove horas de sono, nada e nenhum minuto a tentar mudar o inevitável.
16 outubro, 2011
Falta
Tem tudo a ver com aquilo que sentes no momento, se num dia um insulto pode fazer-te rir e responder na mesma moeda, no outro pode fazer com que te apeteça desaparecer porque tudo o que tu tens é a tua inutilidade e falta de paciência. E falta sensibilidade, altruísmo e preocupação... a tanta gente.
15 outubro, 2011
14 outubro, 2011
Limpezas
Quando te passa tudo pela cabeça e tudo fica a remoer durante um bom bocado, o melhor que tens a fazer é pegar numa vassoura, para varrer tudo para longe, e numa esfregona, para não ficar vestígios de nenhuma luta intra mental. Ainda bem que a minha mãe me ensinou desde cedo a fazer limpezas.
05 outubro, 2011
Caixas
O que é demais enjoa. O que é de menos faz sentir falta. O que é verdade pode magoar. Mas, sobretudo, o que é realmente nosso nunca se perde. Existem caixas no nosso coração que andamos sempre a perder, mas que conseguimos reencontrar quando são só delas que necessitamos. E o que é mentira pode destruir uma família inteira.
30 setembro, 2011
Madrinha
De entre tantos factos que poderiam ser melhores e tantos sacrifícios que poderiam ser evitados, não há maior felicidade do que pertencer a uma família que não tem fim, colocar a capa negra e sentir as boas dores que só aqueles sapatos poderão fazer. Não há nada como gritar e cantar com a família e pela família, pela casa que nos está a formar, pelas pessoas que nos levaram até hoje. Nada se compara com o momento em que se sente que valeu a pena todo o esforço necessário para subir de patamares e ver que todos os rituais são algo com todo o sentido e que nunca se irá esquecer. Ninguém sabe o que é a praxe se não a viver e a querer tanto como o diploma no final do curso. E eu tenho a certeza que irei ouvir sempre, nos confins das minhas memórias, os meus superiores a gritar uma granada. Depois de tanto esperar, o título de Madrinha Eseliana posso finalmente usar, e com um muy nobre orgulho!
26 setembro, 2011
Lugar
O lugar da paragem de autocarros, desapareceu, fecharam o recinto da casa e mudaram a paragem para o outro lado da rua. O lugar onde percebi que não dizias a verdade, nem tão pouco a mentira, já não existe mais. O nosso lugar não é mais o nosso lugar. Mesmo depois de ter passado algum tempo, ainda é triste lembrar-me que esse lugar escondido, próprio para declarações de amor, declarações de impossibilidade ou uma mistura das duas, faz apenas parte das nossas lembranças. Pergunto-me se te doeu tanto como a mim, ver a inexistência daquela paragem de autocarros.
25 setembro, 2011
Vida própria
É como ver a dobrar, é ir e voltar, é sentir sem ver e conseguir sem realmente se mover. E no final das contas, depois de dias e dias debruçada na varanda, o sangue percorre-me a cabeça e a mistura de tanta coisa feita de nada dá-se num impacto de novidade. Brincamos com as palavras e queremos dar-lhes o significado que nem nós entendemos. Mas queremos, mais que tudo, que elas façam sentido, porque se o fizerem, então tudo o resto pode ir com os porcos, com as vacas e com os bodes. Nada mais nos fará andar à roda, como um carrocel que sabe que não irá a lado nenhum e que nunca poderá parar. Iremos apenas emergir e as palavras agrupam-se sem ajuda, saem de nós como micróbios entram. Ouvi dizer que elas têm vida própria, ouvi dizer que nem elas percebem o querem dizer.
17 setembro, 2011
Mudanças
Tudo muda lentamente, e às vezes tudo o que podemos fazer é assistir, sentados numa cadeira confortável, a ver tudo o que vai mudando. Os nossos amigos crescem, evoluem, vão fazendo novos amigos, entram finalmente para a faculdade, arranjam namorados e namoradas, acabam com o namoro de longa data, começam a fumar, mudam de cidade, cometem os maiores erros da vida deles, dão os melhores passos que alguma vez darão, bebem até não poder mais, trabalham em algo que nunca gostaram realmente. E no fim da grande mudança estar completa, pergunta-mo-nos qual é o nosso papel no meio disso tudo. Só que a resposta, é que também nós já demos a volta à nossa vida e eles ficaram sentados a assistir e a ver-nos partir, a crescer e a mudar o padrão de conforto, quando, um dia, estivemos todos na mesma prateleira, a imaginar que voltas nos esperariam. E esperamos, ambas as partes, que a vida trace-nos caminhos que nos levem até uns aos outros, o que, com alguns, nunca acontece.
15 setembro, 2011
Forasteiro
Quando me lembro de ti, espero com todas as forças que tudo o que fiz contigo tenha valido a pena. Mas no segundo seguinte, a minha alma fica pequena, do tamanho de uma cabeça de alfinete. Então começo a pensar que, provavelmente, não valeu assim tanta pena para ti, tendo em conta que as nossas gargalhadas não mais se encontraram. Espero que a tua alma não fique como a minha, isso seria um grande disparate da parte de ambos. Até qualquer dia, forasteiro.
14 setembro, 2011
Entre aspas (40)
Os melhores erros são cometidos com os maiores amigos.
Ficam as melhores memórias e as maiores saudades.
Ficam as melhores memórias e as maiores saudades.
11 setembro, 2011
Terreno fértil
Nunca seremos totalmente prisioneiros das nossas ambições, temos o espírito livre dentro de uma caixa esburacada, de onde poderemos sempre escapar, às escondidas, para viver uma vida paralela, quem sabe, conjunta, com aquela que todos pensam que a ela estamos presos. Nunca estaremos confinados aos estereótipos que consomem a sociedade e as pessoas que nos julgam a toda a hora, somos o fogo que queima e o ar e a água que o apaga, com o equilíbrio de um felino e a liberdade de um pássaro, saíremos por aí até encontrar uma rua sem fim, para nela descobrir uma nova saída. Nunca seremos quem esperam que somos, temos o mundo para descobrir e o poder de nos transformarmos em algo que não entendem, poderemos sempre vestir a pele que guardamos para momentos como estes, em que tudo o que parece impossível se concretiza. Ninguém nos pode dizer como viver a nossa vida, ela é nossa e nós adoramos ser um mistério, até para nós próprios, mas encontraremos sempre uma nova maneira de pisar terreno fértil.
09 setembro, 2011
Rumo de um filme
- Gostavas que a tua vida fosse diferente?
- Não, mas gostava que ela tomasse o rumo de um filme.
- Não percebo.
- É simples, nos filmes, toda a gente sofre, toda a gente tem de enfrentar as circunstâncias, mas...
- Conseguem sempre aprender uma lição e achar o caminho certo.
- E acabam por viver felizes.
- Sim, também quero ser um filme.
- Talvez façamos um os dois.
- Um em que acabamos por ficar juntos no fim.
- Isso já é sonhar muito alto.
- Nunca se sabe.
- É, a vida dá muitas voltas.
- Não, mas gostava que ela tomasse o rumo de um filme.
- Não percebo.
- É simples, nos filmes, toda a gente sofre, toda a gente tem de enfrentar as circunstâncias, mas...
- Conseguem sempre aprender uma lição e achar o caminho certo.
- E acabam por viver felizes.
- Sim, também quero ser um filme.
- Talvez façamos um os dois.
- Um em que acabamos por ficar juntos no fim.
- Isso já é sonhar muito alto.
- Nunca se sabe.
- É, a vida dá muitas voltas.
06 setembro, 2011
01 setembro, 2011
Setembro
Chegou Setembro. Com ele chegou o tempo de colocar a cabeça no sítio certo e de ocupar o meu tempo de forma correcta, seja lá isso o que irá ser. Acabaram-se as oportunidades de chegar perto dele. Acabou-se a paciência para esperar. Irá ser como já foi, irei esquecer, por que o tempo será tão pouco que não chegará para pensar no que não devo. Tenho saudades, não vou mentir. Mas tal como se chega perto, chega-se a ficar longe, tão longe que já nem lembro em concreto de nenhuma conversa que tivemos. Chegou Setembro e com ele chegou o fim de algo que nunca teve propriamente início. Parece que a minha amizade por ele não era assim tão forte ou tão necessária de preservar. Simplesmente, deixei de acreditar nas palavras que tantas vezes o obriguei a dizer-me. O verbo adorar nunca lhe ficou bem, ele não o sabe utilizar ou fazer ser. Setembro não faz milagres, mas faz-me saber as prioridades. Só me arrependo de desejar o Verão. Ele nada me trouxe. Não me trouxe o calor, as tardes no mar ou as amizades que um dia desejei que fossem para sempre. Trouxe-me nada para fazer e muito em que pensar.
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