22 agosto, 2011

Entra aspas (38)


Uma das verdades que nunca dizes por palavras.

19 agosto, 2011

Morrer com noção

Tenho tantas lembranças que vão e vêm, mas que nunca se perdem no esquecimento. Dão sinal de si quando menos espero e fazem-me recordar os tempos que um dia em tudo foram novos e que agora são já velhos. O ouvir uma música que alguém me acabou de enviar, os nomes carinhosos que chamei a cada pessoa, o dar as mãos, o sorriso cheio de pedidos e desejos, o não conseguir fazer a bicicleta entrar na garagem, o olhar um desconhecido nos olhos no meio da multidão, o obrigado de alguém a que apenas deixar passar, as gargalhadas da pessoa que mais me fez feliz, as caretas que fizeram odiar-me por não estar mais perto, o arrependimento por não saber utilizar as palavras que não magoam, o barulho do aspirador do qual o cobertor ingenuamente me protege, a concordância numa conversa séria que reforça as relações, o vento que faz roçar o cabelo nas costas, o mar que se enrola e desenrola numa melodia perfeita, a sensação de ler uma mensagem calorosa, a expectativa de querer que tudo dê certo, o terminar um livro e desejar que nunca tivesse acabado, a tristeza quando a desilusão acaba mais uma vez por chegar, o toque inesperado que me faz dar um salto, as ideias novas e vazias de sentido, o álcool a percorrer a garganta para mais tarde me deixar leve, o chocolate a derreter-se sobre a língua, a adrenalina que os elevadores me teimam em fazer circular, o sol a queimar a pele, o cheiro do verniz acabado de pintar, o peso no ombro da mala a abarrotar, o arrepio que percorre a coluna e tem sempre a ver com alguém muito especial. Todas estas lembranças trazem consigo o ritmo da vida que levei e das escolhas que fiz, das pessoas de que gostei e dos momentos que a minha alma resolveu guardar como um tesouro. Não seria nada sem essas memórias e não quero perdê-las. Quero morrer com noção do que fui e do que nunca consegui ser.

18 agosto, 2011

Já chega

Da próxima vez que me entrares nos sonhos, por favor, vai-te embora. Já me chega de idiotas na rifa, de indecisos e de cobardes. Da próxima vez, faz como se eu não existisse, só assim conseguirás facilitar-me a vida.

15 agosto, 2011

Entre aspas (37)

Escrever, riscar e deitar fora

Parece que nada do que eu faça te faz desaparecer. Parece que estás cravado na minha cabeça e em todos os pensamentos que tenho e tento não ter. É tão frustrante achar alguém com as mesmas linhas faciais que tu e ficar a olhar só porque me faz lembrar de ti e das memórias. E lembrei-me de que o sítio em que percebi o que se passava contigo já não existe mais. Foi-se. E parece que com ele se foi a esperança de um dia ficarmos juntos. Como se não tivesse ido já, mas foi mais uma facada no teu nome. Já nem o consigo ler direito, o que vale é que te sei de cor. Mas de que vale isso, até porque já nem próximos somos. Estamos tão distantes. Foste ou fui eu? Foi minha culpa não ter feito a prova dos nove ou foste tu que foste cobarde ao ponto de deixares a tua vida de parte? A sério, eu tento, mas ninguém será melhor que tu. Ninguém terá mais jeito para me fazer rir, sorrir tão naturalmente, gozar contigo e tu fingires que não fui bruta demais. Ninguém me respeitará mais que tu. E sabes, era isso que queria, ninguém poderia ser melhor que tu. Agora estou a desistir dessa ideia e tudo o que penso é que estou a trair-me, a mim própria. Já passou tanto tempo e parece que foi ontem. Tenho saudades. E não tomei nada esquisito, apenas sou eu a falar. E tu nunca respondes às minhas perguntas, sejam elas directas ou meio aldrabadas. Isso irrita-me, tu irritas-me quando  não deixas os momento rolarem. Tal como são ridículas as cartas de amor ou os desabafos sobre ele. Estás longe e às vezes parecia que estavas tão perto. Acho eu que estivemos perto.

14 agosto, 2011

Era bom

Um abraço de alguém que ainda não teve tempo para me desiludir, que nunca terá tempo para me iludir e que sempre terá tempo para um abraço muito longo, era bom.

10 agosto, 2011

Entre aspas (36)

08 agosto, 2011

Nossa casa

Nada é ou será como a família. Apesar das desilusões e das inúmeras confusões, ela nunca se vai embora. Nunca nos deixa sozinhos e tem sempre um sorriso para nos dar, mesmo quando apenas sentimos que fomos abandonados. Sabe dizer o quanto somos bons e o que ainda nos falta melhorar, sem nunca nos tirar do lugar que sempre terá o nosso nome, escrito e gravado, preto no branco. Tem as mais fortes das ligações e os mais frágeis dos corações, mas tem sempre um cuidado e um querer que ultrapassa qualquer sentimento. Dá-nos as asas para voar e dá-nos as cordas para não nos perdemos nos imensos céus por descobrir. Ela é a nossa casa e o colo dela será sempre onde podemos rir e chorar sem que, por isso, sejamos menos do que já fomos.

04 agosto, 2011

5 # Carta para os teus sonhos

Não podem ser a ser mais reais, mais concretizáveis? Estou cansada das dores de cabeça que vocês me dão. E as ilusões? Não são mais que esperanças já de si mortas. Chegam a ser cruéis, vocês.

03 agosto, 2011

Entre aspas (35)

Promessas

Promessas deixadas ao vento, que as leva para longe, sem destino ou direcção, leva-as e não as trás de volta, deixa-as perdidas no tempo, pretas de esperança, vermelhas de emoção, e nunca ninguém mais as vê, se não o vento, que as leva consigo, como suas secretas amantes, como suas deliberadas companheiras, são essas as promessas esquecidas, perdidas no tempo, com a ajuda do vento, sem nenhuma outra maneira de voltar ao presente e se darem como cumpridas, feridas elas ficaram, voando elas se desfizeram, as amantes do vento, em pequenas finas linhas cheias de promessas por cumprir.

02 agosto, 2011

Entre aspas (34)

4 # Carta para o teu irmão

Se tivesses nascido, seríamos o abrigo um do outro, seríamos cúmplices. Gostaria imenso de te conhecer, de te ver crescer e de me zangar contigo. De certeza que todos adorariam ter-te nesta estranha família.

Provas

Não há nada que a sangria e um bom amigo não ajudem a suportar. Ontem foi a prova disso. Mais dias virão como prova, mas de fogo. E a única verdade para mim nestes últimos anos é que não há amores que acabem com amizades, desde que estas sejam genuínas. Também tenho provas disso. São provas a mais, acções a menos. Palavras por dizer e expressões que não têm explicação.

30 julho, 2011

Conversas

- Sabes, eu acredito mesmo que existem fios que ligam as pessoas e que nunca se partem, aconteça o que acontecer.
- Eu também. E o meu com o dele estão ligados. Mas não podemos ficar juntos, não agora.
- Não agora? Estão separados por uma estupidez.
- Nós somos estúpidos, estamos de acordo com o mundo.
- Não deviam. Deviam contrariar o mundo.

29 julho, 2011

3 # Carta para os teus pais

Não vos culpo, porque há muito que vos perdoei. Com o que aconteceu, aprendi o que não fazer com os meus futuros filhos. Mas obrigada, fizeram da criança uma mulher mais cedo do que o previsto e, apesar de tudo, tenho orgulho nas minhas origens, vocês.

Ignorar

Agora sei o que é estar numa situação do lado contrário ao que estou habituada e, diga-se de passagem, não é nada agradável, fácil ou simples. E só agora percebi o porquê da demora da resposta, da dificuldade em encontrar palavras, do mal estar em ouvir o que não queremos ouvir, da sensação de cair no vazio sem saber o caminho para voltar, dos arrepios sempre que a memória aviva, do receio do reencontro, da dúvida da mudança. Mas, sobretudo, é a desilusão de ser sempre ao contrário, de ser sempre da forma que não queríamos que nos leva a ignorar a questão o mais que conseguimos.

28 julho, 2011

2 # Carta para a tua paixão

Difícil é aguentar ver-te em todo o sítio, estar contigo e fingir que está tudo bem, que estamos bem, tentar ignorar-te enquanto me ignoras. Tenho saudades, apesar de saber que não posso e que não devo.

27 julho, 2011

1 # Carta para a tua melhor amiga

Estamos lá nos momentos mais difíceis, mas nos bons nem por isso. Espero que percebas, tanto quanto eu, que ninguém consegue substituir ninguém.

25 julho, 2011

Amizades à parte

O que me assusta é não conseguir deixar de gostar de alguém. Durante toda a minha vida, sempre me lembro de ter alguém a passear nos meus pensamentos e nos meus sonhos. Sempre foi uma canseira, pensar a toda a hora, apenas esquecer quando o cérebro já está tão sobrecarregado que, mais uma coisa com se preocupar, seria morrer de exaustão. E nas alturas de quando passava de uma pessoa para outra, ficavam lá as duas, a remoer. Houve até um tempo que eram três, o velho, o novo e o que matava o tédio. Será assim tão difícil ficar sem gostar, ficar aliviada, vazia de paixão ou amor? E o tempo que levo a deixar de gostar, é capaz de me deixar desesperada por esquecimento, porque só esqueço quando outro alguém aparece. Nunca vou perceber, vai ser assim a minha vida toda, gostar, gostar e ainda mais gostar. Os dias inteiros com alguém no pensamento, inevitavelmente no coração. Estou cheia disso, quero ter uma relação comigo própria, não ter de me preocupar com outro alguém que não eu, não cansar a mente com coisas que não têm nem terão solução. É o que me assusta, viver o resto da mina vida assim, sem conseguir deixar de gostar. gostar sem fim, gostar sempre, gostar sem limites.

24 julho, 2011

Entre aspas (33)

22 julho, 2011

O dia

Espero, embora sem esperar, pelo dia em que vou poder dizer a mim mesma "o sonho tornou-se real, parece mentira, mas é verdade", em que vou poder dizer a alguém "valeu a pena saber esperar, porque vales toda a espera". Nesse dia, espero não me arrepender do rumo que a nossa história levou. Até lá vou continuando a falar como se me ouvisses.

21 julho, 2011

Entre aspas (32)

16 julho, 2011

Que pena

Um dia destes sonhei que já namoravas. Não te perguntei quem era a felizarda, não tive reacção. Apenas olhei para ti, tentando perceber se estavas feliz ou bem acompanhado. A tua expressão foi zero de certezas, zero de sentimentos. Mas acreditei, já passara tanto tempo que fazia sentido dares um rumo à tua vida. E acreditei tão bem que, quando acordei, continuava com aquele misto de emoções, de raivas e alegrias acumuladas, e apenas disse a mim mesma que bom era teres alguém. Quando me apercebi que de facto só tinha sonhado, fiquei triste. Continuava a não ter razões para desistir, para deixar de esperar. E é por isso que desejo tanto fazer algo que não costumo fazer, para que essa maluqueira me deixe sonhar mais alto, mas sonhar de verdade, e me deixe livre de ti e das memórias que, inocentemente, colocaste cá dentro. Já reparaste, ironia do destino ou ainda para nós, somos os únicos que temos vindo a não ter par. E parece que continua a ser complicado.

Oh, mundo

E o mundo fica tão longe, o que foi feito de manhã parece ter sido feito há tanto tempo atrás. Perde-se o rumo ao caminho, já não se sabe o que é melhor, subir o passeio, andar pelo alcatrão ou ir subindo e descendo como quem não sabe o que quer. E talvez seja isso, não se sabe o que quer. E o mundo continua tão longe, mesmo quando o queremos tão perto, dos nossos olhos e da nossa alma. O prazer é momentâneo, não dura, e a saudade vem logo que ele acaba. Irremediavelmente, irá ser assim. Por isso, não vou pensar ou esperar. Vou deixar que as pedras da calçada me levem até ao meu destino e me deixem ser criança para fazer birra se não gostar do resultado. Tudo o que sei é que o que mói também pode matar, vou apenas deixar moer devagarinho. E o mundo parece ficar mais perto, mas continua tão distante. Digo-lhe adeus do meu sítio, e ele, no seu, nem parece sequer perceber. Um dia hás-de ver que o adeus que te disse não era um olá, mas sim uma despedida. E nessa noite, vais chorar, mundo, tal como chorei quando te tive de virar as costas enquanto ainda lá sentia as tuas mãos. E o mundo nunca esteve tão longe.