02 agosto, 2011
4 # Carta para o teu irmão
Se tivesses nascido, seríamos o abrigo um do outro, seríamos cúmplices. Gostaria imenso de te conhecer, de te ver crescer e de me zangar contigo. De certeza que todos adorariam ter-te nesta estranha família.
Provas
Não há nada que a sangria e um bom amigo não ajudem a suportar. Ontem foi a prova disso. Mais dias virão como prova, mas de fogo. E a única verdade para mim nestes últimos anos é que não há amores que acabem com amizades, desde que estas sejam genuínas. Também tenho provas disso. São provas a mais, acções a menos. Palavras por dizer e expressões que não têm explicação.
30 julho, 2011
Conversas
- Sabes, eu acredito mesmo que existem fios que ligam as pessoas e que nunca se partem, aconteça o que acontecer.
- Eu também. E o meu com o dele estão ligados. Mas não podemos ficar juntos, não agora.
- Não agora? Estão separados por uma estupidez.
- Nós somos estúpidos, estamos de acordo com o mundo.
- Não deviam. Deviam contrariar o mundo.
29 julho, 2011
3 # Carta para os teus pais
Não vos culpo, porque há muito que vos perdoei. Com o que aconteceu, aprendi o que não fazer com os meus futuros filhos. Mas obrigada, fizeram da criança uma mulher mais cedo do que o previsto e, apesar de tudo, tenho orgulho nas minhas origens, vocês.
Ignorar
Agora sei o que é estar numa situação do lado contrário ao que estou habituada e, diga-se de passagem, não é nada agradável, fácil ou simples. E só agora percebi o porquê da demora da resposta, da dificuldade em encontrar palavras, do mal estar em ouvir o que não queremos ouvir, da sensação de cair no vazio sem saber o caminho para voltar, dos arrepios sempre que a memória aviva, do receio do reencontro, da dúvida da mudança. Mas, sobretudo, é a desilusão de ser sempre ao contrário, de ser sempre da forma que não queríamos que nos leva a ignorar a questão o mais que conseguimos.
28 julho, 2011
2 # Carta para a tua paixão
Difícil é aguentar ver-te em todo o sítio, estar contigo e fingir que está tudo bem, que estamos bem, tentar ignorar-te enquanto me ignoras. Tenho saudades, apesar de saber que não posso e que não devo.
27 julho, 2011
1 # Carta para a tua melhor amiga
Estamos lá nos momentos mais difíceis, mas nos bons nem por isso. Espero que percebas, tanto quanto eu, que ninguém consegue substituir ninguém.
25 julho, 2011
Amizades à parte
O que me assusta é não conseguir deixar de gostar de alguém. Durante toda a minha vida, sempre me lembro de ter alguém a passear nos meus pensamentos e nos meus sonhos. Sempre foi uma canseira, pensar a toda a hora, apenas esquecer quando o cérebro já está tão sobrecarregado que, mais uma coisa com se preocupar, seria morrer de exaustão. E nas alturas de quando passava de uma pessoa para outra, ficavam lá as duas, a remoer. Houve até um tempo que eram três, o velho, o novo e o que matava o tédio. Será assim tão difícil ficar sem gostar, ficar aliviada, vazia de paixão ou amor? E o tempo que levo a deixar de gostar, é capaz de me deixar desesperada por esquecimento, porque só esqueço quando outro alguém aparece. Nunca vou perceber, vai ser assim a minha vida toda, gostar, gostar e ainda mais gostar. Os dias inteiros com alguém no pensamento, inevitavelmente no coração. Estou cheia disso, quero ter uma relação comigo própria, não ter de me preocupar com outro alguém que não eu, não cansar a mente com coisas que não têm nem terão solução. É o que me assusta, viver o resto da mina vida assim, sem conseguir deixar de gostar. gostar sem fim, gostar sempre, gostar sem limites.
24 julho, 2011
22 julho, 2011
O dia
Espero, embora sem esperar, pelo dia em que vou poder dizer a mim mesma "o sonho tornou-se real, parece mentira, mas é verdade", em que vou poder dizer a alguém "valeu a pena saber esperar, porque vales toda a espera". Nesse dia, espero não me arrepender do rumo que a nossa história levou. Até lá vou continuando a falar como se me ouvisses.
21 julho, 2011
16 julho, 2011
Que pena
Um dia destes sonhei que já namoravas. Não te perguntei quem era a felizarda, não tive reacção. Apenas olhei para ti, tentando perceber se estavas feliz ou bem acompanhado. A tua expressão foi zero de certezas, zero de sentimentos. Mas acreditei, já passara tanto tempo que fazia sentido dares um rumo à tua vida. E acreditei tão bem que, quando acordei, continuava com aquele misto de emoções, de raivas e alegrias acumuladas, e apenas disse a mim mesma que bom era teres alguém. Quando me apercebi que de facto só tinha sonhado, fiquei triste. Continuava a não ter razões para desistir, para deixar de esperar. E é por isso que desejo tanto fazer algo que não costumo fazer, para que essa maluqueira me deixe sonhar mais alto, mas sonhar de verdade, e me deixe livre de ti e das memórias que, inocentemente, colocaste cá dentro. Já reparaste, ironia do destino ou ainda para nós, somos os únicos que temos vindo a não ter par. E parece que continua a ser complicado.
Oh, mundo
E o mundo fica tão longe, o que foi feito de manhã parece ter sido feito há tanto tempo atrás. Perde-se o rumo ao caminho, já não se sabe o que é melhor, subir o passeio, andar pelo alcatrão ou ir subindo e descendo como quem não sabe o que quer. E talvez seja isso, não se sabe o que quer. E o mundo continua tão longe, mesmo quando o queremos tão perto, dos nossos olhos e da nossa alma. O prazer é momentâneo, não dura, e a saudade vem logo que ele acaba. Irremediavelmente, irá ser assim. Por isso, não vou pensar ou esperar. Vou deixar que as pedras da calçada me levem até ao meu destino e me deixem ser criança para fazer birra se não gostar do resultado. Tudo o que sei é que o que mói também pode matar, vou apenas deixar moer devagarinho. E o mundo parece ficar mais perto, mas continua tão distante. Digo-lhe adeus do meu sítio, e ele, no seu, nem parece sequer perceber. Um dia hás-de ver que o adeus que te disse não era um olá, mas sim uma despedida. E nessa noite, vais chorar, mundo, tal como chorei quando te tive de virar as costas enquanto ainda lá sentia as tuas mãos. E o mundo nunca esteve tão longe.
12 julho, 2011
11 julho, 2011
10 julho, 2011
05 julho, 2011
Que raio
Mas afinal porque raio é que gostamos de quem não gosta de nós e não gostamos de quem gosta de nós? Andamos todos desencontrados e os que se encontram acabam, de uma maneira ou de outra, por se desencontrar. Uma asneira ia bem aqui. Apetece-me dizer asneiras, caraças.
04 julho, 2011
Da mesma forma
A saudade vem, pela alma a dentro, vem para ficar. Consome as forças, as vontades de ir e de não ficar. Arrepia com as memórias, entristece pela sua sensação fria de já nada restar. Dá-nos a volta e com a última meia volta rouba-nos as esperanças que um dia nos tinha dado, como presente. E a tinta das fotografias desvanece, pela causa de não ser a causa de alegrias. Os dias vão acontecendo, sentados à beira da amargura, abandonados. Dizem que a saudade vem, mas que um dia há-de ir e, com ela, há-de ir toda a simples convicção de que um dia irá melhorar, em vez de deixar de sentido fazer. Não sei se a minha alma é já a mesma, mas a saudade é sentida sempre da mesma forma. Há coisas que nunca mudam.
02 julho, 2011
01 julho, 2011
Circunstâncias
De facto, não há nada que possamos dizer que irá fazer o outro ver o mundo com óculos de ver, a não ser que ele aceite que talvez seja benéfico utilizá-los. De facto, são as circunstâncias que nos mudam ou nos moldam, que nos fazem ver por esses óculos ou nos levam a negar sem dormir sobre o assunto. Mas não há nada pior do que ser deixado para trás, do que perceber que, de facto, as circunstâncias mudaram algo que tanto estimávamos. E nisso, só podemos falar quinhentas vezes do mesmo e sentir a desilusão outras quinhentas vezes.
25 junho, 2011
Se calhar...
... tudo o que disse até agora, foi mentira e estava errado. Há coisas que colocam tudo em causam, mas há outras que derrubam o que mais querias preservar. Não tem corrido bem, mas acho que sair de cena é uma boa opção. Se eles não merecem, eu também não.
23 junho, 2011
Erros
Muitos dos meus problemas foram criados pela falta de comunicação e explicação. Era mais fácil passar por cima deles do que passar por entre eles. Hoje em dia, os conflitos não passam a problemas porque me preocupo em falar sobre eles e em transformá-los em erros assumidos. E se toda a gente começasse a fazer o mesmo? Acho que seriamos tão mais felizes... felizes e compreendidos.
21 junho, 2011
Nada de novo
Ia escrever sobre ti, mas arrependi-me. Não ia dizer nada de novo. Há mais de um ano que não se passa nada de novo, que não dizemos nada de novo. No entanto, é sempre em ti que penso e é sobre ti que gasto as conversas. Estou cansada, e não é da vida que levo, mas da dificuldade que tenho em perceber quem diz a verdade, tu ou os teus gestos. O certo é que um de vocês mente com medo do desconhecido.
14 junho, 2011
Favor a ti próprio
Acho que não nasceste para muita coisa. Mas se um dia reparares que andas a fazer algo para o qual não foste talhado, faz um favor a ti próprio, desiste e vai procurar outro lugar que te faça sentir que é ali que pertences. A vida não foi feita para viveres sob regras e valores que não compreendes e que não respeitas.
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