11 junho, 2011

Entre aspas (28)


Maybe...

05 junho, 2011

Verdade seja dita

Tanta coisa mudou desde que vim para Lisboa. Sinto-me outro alguém que não tem passado próprio, mas que anda a partilhar as memórias de outra pessoa. Verdade seja dita, enquanto uns ficaram pelo caminho, outros já escreveram o seu nome num pedaço de mim e se declararam donos desse. Mas a distância é tanta, de mim e dos outros, dos novos e dos antigos, que chego a sentir ciúme da pessoa que fui e das pessoas que tive. É tanto o esforço para olhar para dentro e perceber que não estou a viver em vão, que não estou a perder as pessoas que considerei mais minhas do que de ninguém. Digo em voz baixa que tem de ser, que tudo vai voltar ao normal quando terminar o primeiro ano e voltar a viver na terra em que nasci e me viu crescer. E rezo, rezo muito, para que nenhuma promessa feita seja quebrada e me quebre o pouco que de mim vai restando. Rezo mais ainda para que não me arrependa das decisões que tomei e dos laços que criei. Mas verdade seja dita, nunca fui de andar satisfeita.

Permanecer

Às vezes, acordo e penso: que seria de nós se não tivéssemos âncoras que nos mantém no mesmo sítio durante anos e com razões que nos fazem querer continuar a permanecer? Acho que simplesmente nos deixávamos entregar ao desconhecido, permaneceríamos num nível sem identidade, com vontades de nada interessar. Só que essas âncoras e essas razões também nos podem levar ao rumo sem retorno. E é disso que tenho medo.

02 junho, 2011

Um desabafozito

Quando os teus amigos saem e não te convidam, pior, não te dizem nada... Eu adoro.

Fala a Voz

"Tu... és sempre assim. Primeiro fazes a tempestade, pensas que vais morrer, dizes que não és capaz, gastas toda a água que tens no corpo em lágrimas, quase que entras em depressão. No final, consegues sempre, ficas orgulhosa de ti, vens a sorrir e até dizes que correu bem."

A minha mãe é a minha melhor pessoa, o meu saco de alívio, o pilar principal da minha ponte, o rosto que me faz confiar e a voz que preciso de ouvir todos os dias... Ela sim, conhece-me.

01 junho, 2011

E choveu

O céu resolveu chover para não a deixar chover sozinha. Entraram os dois em sintonia numa dança de água por limpar, num encontro de chuva por parar. E assim permaneceram, a chover, sem que sol algum se lembrasse de a chuva secar. Pareceu-lhes bem que ninguém se intrometesse para perguntar por que raio de razão choviam os dois. E por ali ficaram até a fonte se esgotar.

Entre aspas (27)

28 maio, 2011

Naturalíssimo

Não trocava nada pelas horas em que somos apenas amigos, quando juntos rimos e falamos das coisas mais inacreditáveis. Não é de espantar que deixe de ter palavras para dizer em voz alta. O resto tu percebes, pelos olhos, pelos sorrisos, pela vontade de voltar, pela vontade de nunca partir. Nem as voltas que te troco conseguem apagar as marcas invisíveis que ressoam nos dias em que fingimos estar longe. E a chuva voltou, porque será.

26 maio, 2011

Adormecidos

Andamos tão adormecidos de olhos abertos, iludidos com a percepção a que estamos habituados. Não vemos o óbvio, sentimo-lo mas não o definimos. Até que algo nos faz acordar do sono profundo e nos mostra o que andávamos a não ver. Os nossos melhores amigos são aqueles que nunca se gabaram de o ser e que o são sem que nunca pedíssemos ou quiséssemos que o fossem. São-no sem haver razão, mas são-no sempre, independentemente das suas escolhas, estados de espírito e relações.

25 maio, 2011

Entre aspas (26)

23 maio, 2011

Constipação

Umas amizades morrem congeladas sem nenhum cobertor para as aquecer, enquanto outras renascem da neve e se tornam o sol de todos os dias.

22 maio, 2011

Um passo de cada vez

De vez em quando, viver apenas resulta se as metas forem as pequenas de amanhã. É dar um passo de cada vez, desejar pelo acontecimento mais próximo e aproveitá-lo até que acabe, sentir a felicidade momentânea e não ansiar pelos grandes acontecimentos que não têm consequências previsíveis. De vez em quando, tem de ser assim. E quando não é, entra-se num rodopio de tonturas e ansiedades desnecessárias. Como lá no fundo, que se espera pelo convite que nunca chega, pelas palavras que nunca chegarão e pelos gestos que um dia já chegaram.

19 maio, 2011

Entre aspas (25)

17 maio, 2011

Já passou

O tempo do não querer saber já passou e a vontade de continuar assim está a ficar sem razões. Então, príncipe, quando é que apareces e vens para ficar?

16 maio, 2011

Esvaziamento

A chuva lavou-lhe a alma, retirou-lhe o peso que a poeira há muito acumulada lhe obrigava. Mas não lhe lavou o que mais precisava, o buraco que tem no peito. E é sempre assim, apenas se fica limpo aparentemente, por dentro nada se altera, nada se mexe, nada se decompõe. Parece até não fazer sentido, tanto tempo com o mesmo buraco, tantos dias a lamentar o inevitável. Talvez a chuva de amanhã seja outra, outra que contenha uma poção mágica que lhe volte a preencher o vazio com algo tão melhor quanto a razão do esvaziamento.

14 maio, 2011

Entre aspas (24)

10 maio, 2011

Dúvidas

Por vezes (quase todos os dias) pergunto-me o que ando a fazer afinal da minha vida. Depois lá vejo que tenho de estudar para uma coisa qualquer e lá me dedico (durante cinco minutos) a parecer preocupada, voltando-me novamente para o (nada) que preenche os meus dias. A única escapatória é a literatura que me leva (a rir ou a chorar) a sair da monótona vida que levo. Mas melhor ainda, é tentar dizer verbalmente o que se passa e ninguém realmente (querer) compreender. E às vezes também me pergunto onde errei eu para ter tantos amigos e estar complemente só neste maldito cubículo. Preciso de férias, quero ir para o Canadá. A possibilidade de ter o oceano Atlântico entre mim e o espaço onde estou... é brilhante. Resumindo, odeio cidades.

09 maio, 2011

Olhar

Foi o teu olhar que a minha memória melhor fotografou, ela recorda-me de ti e de como é quente o verde dos teus olhos, diz-me em silêncio o que a conversa nunca abordou. Como se as palavras pudessem alguma vez descrever o que é o amor.

04 maio, 2011

Entre aspas (23)

03 maio, 2011

Problemas físicopsiquicos

Enquanto os meus olhos ardem ao ler textos de letras que já se confundem numa sopa, o meu cérebro pede que se apague a luminosidade. Para agradar ainda mais o filme, existe o ressoar de mudanças que sobe pelas escadas, desce pelo elevador e ainda entra pela janela. É que no meio da confusão que está a minha inteligência pouca e a minha memória fugida, eu não sei, porque nada saberei até que a realidade fale finalmente a verdade. E até lá esperarei, com ácido nos olhos, escassez de correntes nas sinapses e articulações da mão direita enregeladas, nunca tirando da consciência aquilo que me dá e tira horas de sono. Se me perguntarem o que, de facto, é, eu terei de responder que, de facto, não sei ao certo.

02 maio, 2011

Entre aspas (23)

28 abril, 2011

Entre aspas (22)

25 abril, 2011

O pó do sótão

Apetece-me enviar-te uma mensagem para que saibas que morro de saudades tuas. Mas de que serviria, se não é tarefa tua, nem de mais ninguém, matares-me as vontades e satisfazeres-me as necessidades? É esse o meu problema, gostar do que não devo, precisar do que não me faz bem. Se soubesses quantos rios enchi depois das horas em que juntos estivemos, talvez não achasses que era coisa de miúda. Dizem que se já dura há mais de quatro meses, então é amor. Não imaginas de que tamanho é esse, aquele que por ti vivo. Tens razão, o meu dever é continuar a mentir-me: já nada em ti me acelera o ritmo cardíaco. E quando é que me convidas para outro almoço?

23 abril, 2011

Eu devia ter ido para Hogwarts

E se realmente conseguirmos voltar atrás no tempo para emendar o que fizemos de seriamente errado, é por isso que nos conseguimos safar por um triz da merda que fazemos sem pensar uma vez inteira e que parece que estamos a viver aqueles segundos uma segunda vez na íntegra?

22 abril, 2011

Entre aspas (21)