23 maio, 2011

Constipação

Umas amizades morrem congeladas sem nenhum cobertor para as aquecer, enquanto outras renascem da neve e se tornam o sol de todos os dias.

22 maio, 2011

Um passo de cada vez

De vez em quando, viver apenas resulta se as metas forem as pequenas de amanhã. É dar um passo de cada vez, desejar pelo acontecimento mais próximo e aproveitá-lo até que acabe, sentir a felicidade momentânea e não ansiar pelos grandes acontecimentos que não têm consequências previsíveis. De vez em quando, tem de ser assim. E quando não é, entra-se num rodopio de tonturas e ansiedades desnecessárias. Como lá no fundo, que se espera pelo convite que nunca chega, pelas palavras que nunca chegarão e pelos gestos que um dia já chegaram.

19 maio, 2011

Entre aspas (25)

17 maio, 2011

Já passou

O tempo do não querer saber já passou e a vontade de continuar assim está a ficar sem razões. Então, príncipe, quando é que apareces e vens para ficar?

16 maio, 2011

Esvaziamento

A chuva lavou-lhe a alma, retirou-lhe o peso que a poeira há muito acumulada lhe obrigava. Mas não lhe lavou o que mais precisava, o buraco que tem no peito. E é sempre assim, apenas se fica limpo aparentemente, por dentro nada se altera, nada se mexe, nada se decompõe. Parece até não fazer sentido, tanto tempo com o mesmo buraco, tantos dias a lamentar o inevitável. Talvez a chuva de amanhã seja outra, outra que contenha uma poção mágica que lhe volte a preencher o vazio com algo tão melhor quanto a razão do esvaziamento.

14 maio, 2011

Entre aspas (24)

10 maio, 2011

Dúvidas

Por vezes (quase todos os dias) pergunto-me o que ando a fazer afinal da minha vida. Depois lá vejo que tenho de estudar para uma coisa qualquer e lá me dedico (durante cinco minutos) a parecer preocupada, voltando-me novamente para o (nada) que preenche os meus dias. A única escapatória é a literatura que me leva (a rir ou a chorar) a sair da monótona vida que levo. Mas melhor ainda, é tentar dizer verbalmente o que se passa e ninguém realmente (querer) compreender. E às vezes também me pergunto onde errei eu para ter tantos amigos e estar complemente só neste maldito cubículo. Preciso de férias, quero ir para o Canadá. A possibilidade de ter o oceano Atlântico entre mim e o espaço onde estou... é brilhante. Resumindo, odeio cidades.

09 maio, 2011

Olhar

Foi o teu olhar que a minha memória melhor fotografou, ela recorda-me de ti e de como é quente o verde dos teus olhos, diz-me em silêncio o que a conversa nunca abordou. Como se as palavras pudessem alguma vez descrever o que é o amor.

04 maio, 2011

Entre aspas (23)

03 maio, 2011

Problemas físicopsiquicos

Enquanto os meus olhos ardem ao ler textos de letras que já se confundem numa sopa, o meu cérebro pede que se apague a luminosidade. Para agradar ainda mais o filme, existe o ressoar de mudanças que sobe pelas escadas, desce pelo elevador e ainda entra pela janela. É que no meio da confusão que está a minha inteligência pouca e a minha memória fugida, eu não sei, porque nada saberei até que a realidade fale finalmente a verdade. E até lá esperarei, com ácido nos olhos, escassez de correntes nas sinapses e articulações da mão direita enregeladas, nunca tirando da consciência aquilo que me dá e tira horas de sono. Se me perguntarem o que, de facto, é, eu terei de responder que, de facto, não sei ao certo.

02 maio, 2011

Entre aspas (23)

28 abril, 2011

Entre aspas (22)

25 abril, 2011

O pó do sótão

Apetece-me enviar-te uma mensagem para que saibas que morro de saudades tuas. Mas de que serviria, se não é tarefa tua, nem de mais ninguém, matares-me as vontades e satisfazeres-me as necessidades? É esse o meu problema, gostar do que não devo, precisar do que não me faz bem. Se soubesses quantos rios enchi depois das horas em que juntos estivemos, talvez não achasses que era coisa de miúda. Dizem que se já dura há mais de quatro meses, então é amor. Não imaginas de que tamanho é esse, aquele que por ti vivo. Tens razão, o meu dever é continuar a mentir-me: já nada em ti me acelera o ritmo cardíaco. E quando é que me convidas para outro almoço?

23 abril, 2011

Eu devia ter ido para Hogwarts

E se realmente conseguirmos voltar atrás no tempo para emendar o que fizemos de seriamente errado, é por isso que nos conseguimos safar por um triz da merda que fazemos sem pensar uma vez inteira e que parece que estamos a viver aqueles segundos uma segunda vez na íntegra?

22 abril, 2011

Entre aspas (21)

21 abril, 2011

É isso

Tenho vontade de fugir daqui.

Entre aspas (20)

20 abril, 2011

Fazer um esforço

Não gosto de beijinhos, mas estou sempre a recebê-los do meu pequenino. Não aprecio os abraços de rapazes, mas quando eles tentam dar eu deixo e retribuo. Não gosto de gozar com as pessoas, mas passo a vida a fazê-lo com os meus melhores amigos. Detesto acordar cedo, mas se é ir ter com alguém levanto-me com vontade. Não gosto de ver futebol, mas vejo quando estou com o meu pai. Detesto que me digam que estou errada, mas se for um amigo a dizê-lo eu aceito-o. Resumindo, quando se gosta, faz-se um esforço e leva-se tudo para a brincadeira, porque se não for assim, a vida torna-se uma treta.

17 abril, 2011

Percebes que o tempo passou num instante

.... quando olhas para os teus velhos amigos rapazes e notas que eles têm pêlos espalhados pela cara toda, que a sua voz está ainda mais grossa que da última vez que a ouviste, que já não têm pensamentos completamente otários, que conduzem um carro por melhor ou pior que seja, que te levam a almoçar ou jantar em Lisboa, que quase não os reconheces na rua, que pensas "foda-se, que orgulho ter um amigo bom comó milho" ao ver uma foto deles, que têm músculos a sério nos braços e não apenas aquela coisa minúscula que um dia se gabaram à tua frente de ter. Sim, os meus meninos cresceram e agora somos todos jovens adultos e estamos cada um para o seu lado.

16 abril, 2011

Incerto

Quando se acorda e se percebe o quão vazia foi a noite, não há sol da manhã que aqueça o sangue congelado nas extremidades do corpo. Só no centro os órgãos se obrigam a mexer, para não morrer e sofrer mais um pouco. O sol do meio-dia será mais quente, terão de esperar por ele para conseguir andar em frente, mais um metro no direcção do incerto.

14 abril, 2011

Pessoas muito queridas

Pessoas que te deixam quando tu mais precisas, pessoas que só te falam quando estão a morrer com alguma merda, pessoas que se esquecem do que já fizeste por elas e que por sinal não foi assim tão pouco, pessoas que se afastam dos velhos amigos quando arranjam uns novos e às vezes piores, pessoas que têm a mania que toda a gente tem de gostar delas, pessoas que vão na rua a falar para o menu do telemóvel, pessoas que não te sorriem ou agradecem quando as deixas passar primeiro, pessoas que ouvem aqui e vão contar ali e acolá, pessoas que não sabem esperar ou seja a maioria das que vivem na cidade, pessoas que não se sabem olhar ao espelho e ver quanta merda fazem igual à daqueles que criticam, pessoas que colocam a tua segurança em perigo por causa de alguma merda ainda mais estúpida do que todas as situações anteriores e pessoas que fazem mais umas quantas merdas que eu não tenho tempo para descrever: fuck you all. :)

13 abril, 2011

Quando as saudades são boas

As crianças são mesmo o melhor do mundo. Então quando são da nossa família e passam a vida a chamar por nós e a sentir saudades nossas... Só me apetece correr da cidade a fora para num instante chegar e abraçar o ser humano mais adorável que já conheci até hoje. E eu que odeio rotinas, já não dispenso os meus domingos nos sorrisos e gritos no colo da minha estranha família.

09 abril, 2011

Entre aspas (19)


É por isto que prefiro o "até amanhã", seja ele qual for.

Saturou

Peço desculpa a mim mesma por já não compreender o amor e por já não mais conseguir ter um como no passado pensei que tive. A única coisa que me faria feliz nestes tempos que decorrem era ter um copo de plástico meio cheio na mão e a música no volume máximo, mas por isso eu sei esperar. Por agora, o amor que a família, em todas as definições que lhe são atribuídas, me dá e o que eu lhe devolvo chega e completa os espaços de uma vida normal, que não tenho, por preencher. E não peço desculpa porque no fundo é o que mais desejo, mas sim porque no fundo eu não quero nem preciso. Acho que andava a precisar de explicar isto a mim mesma. Obrigada, Ema.

05 abril, 2011

Livros velhos

Quando as páginas de um livro se começam a estragar, as frases por ali repletas de histórias e memórias deixam de fazer a lógica da cronologia. Ficam trocadas, baralhadas sem a noção de que um dia foram uma narrativa com princípio, meio e fim. Os donos desses livros fazem por esquecer que se estão a degradar, fazem por ser menos uma preocupação a ter. Como uma fruta se decompõe à medida que o tempo passa, naturalmente se deixa empobrecer até nada ao certo ser. Só que ao contrário da fruta, os livros protegem-se do tempo e as frases, as histórias e as memórias podem ser guardadas naquilo que melhor memória tem: nós próprios.