É por isto que prefiro o "até amanhã", seja ele qual for.
09 abril, 2011
Saturou
Peço desculpa a mim mesma por já não compreender o amor e por já não mais conseguir ter um como no passado pensei que tive. A única coisa que me faria feliz nestes tempos que decorrem era ter um copo de plástico meio cheio na mão e a música no volume máximo, mas por isso eu sei esperar. Por agora, o amor que a família, em todas as definições que lhe são atribuídas, me dá e o que eu lhe devolvo chega e completa os espaços de uma vida normal, que não tenho, por preencher. E não peço desculpa porque no fundo é o que mais desejo, mas sim porque no fundo eu não quero nem preciso. Acho que andava a precisar de explicar isto a mim mesma. Obrigada, Ema.
05 abril, 2011
Livros velhos
Quando as páginas de um livro se começam a estragar, as frases por ali repletas de histórias e memórias deixam de fazer a lógica da cronologia. Ficam trocadas, baralhadas sem a noção de que um dia foram uma narrativa com princípio, meio e fim. Os donos desses livros fazem por esquecer que se estão a degradar, fazem por ser menos uma preocupação a ter. Como uma fruta se decompõe à medida que o tempo passa, naturalmente se deixa empobrecer até nada ao certo ser. Só que ao contrário da fruta, os livros protegem-se do tempo e as frases, as histórias e as memórias podem ser guardadas naquilo que melhor memória tem: nós próprios.
27 março, 2011
O que eu, provavelmente, mais detesto
Ter mais atenção de desconhecidos do que dos meus próprios melhores amigos.
26 março, 2011
Aniversários
Coincidência ou não, é um facto. Nasci a vinte e sete. Dois e sete dá nove. Tu nasceste a nove. E a única preocupação ou a minha alegria com o meu dia de anos é ver se te lembras. Cá estou para ver se este ano vai ser diferente. Provavelmente não, mas não faz mal. A minha amizade por ti não tem limites, contigo nunca pode haver limites, infelizmente.
21 março, 2011
19 março, 2011
Falta muito?
Precisa-se do calor, das horas no comboio, das manhãs na areia fresca, dos mergulhos a todas as horas, das conversas deitados na toalha, dos gelados, dos hamburgueres à beira-mar, do creme protector cinquenta, das caminhadas até casa, dos filmes quando apetece, das bebidas quando se quer, das noites prolongadas, da música fatela, dos passeios à lua, das viagens de carro, do silêncio acolhedor entre duas pessoas, dos risos sinceros, dos abraços apertados, dos olhos que dizem tudo o que a alma sente, dos momentos que nos fazem felizes quando tudo o resto nos é infeliz. Precisa-se de sentir que vale a pena o esforço, a distância da própria vida, a solidão que faz companhia a maior parte do dia, a vontade que teima em não vir, o aperto na garganta, o movimento descoordenado do coração. Falta muito para o verão chegar?
13 março, 2011
Esverdeado
Como quem não quer a coisa, abraçaste-me pelas costas, ao de leve, apenas com um braço. Senti a tua respiração no meu cabelo e na minha orelha. Quase que te ouvi dizer olá, mas ficaste calado, a fingir que tomavas atenção ao que os outros diziam. Apertaste-me com força, num abraço completo, enquanto que as tuas calças tocavam nas minhas pernas. Era a vez de nos sentarmos e vermos o filme. Os outros, não sei, mas tu sentaste-me ao meu lado e entrelaçaste os teus dedos nos meus. Não cheguei a olhar o esverdeado dos teus olhos, mas sabia que estavam a sorrir-me.
12 março, 2011
Entre aspas (17)
Impressão Digital
"Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
Que eu vejo no mundo escolhos
Onde outros com outros olhos,
Não vêem escolhos nenhuns.
Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores
Uns outros descobrem cores
Do mais formoso matiz.
Nas ruas ou nas estradas
Onde passa tanta gente,
Uns vêem pedras pisadas,
Mas outros, gnomos e fadas
Num halo resplandecente.
Inútil seguir vizinhos,
Querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.
Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes."
"Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
Que eu vejo no mundo escolhos
Onde outros com outros olhos,
Não vêem escolhos nenhuns.
Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores
Uns outros descobrem cores
Do mais formoso matiz.
Nas ruas ou nas estradas
Onde passa tanta gente,
Uns vêem pedras pisadas,
Mas outros, gnomos e fadas
Num halo resplandecente.
Inútil seguir vizinhos,
Querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.
Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes."
Basicamente
Descobri o meu problema, basicamente: não sei o que quero ou, se quero, não sei onde encontrar ou, se não quero, não sei onde me esconder.
08 março, 2011
07 março, 2011
05 março, 2011
03 março, 2011
Carnaval
E quase aos dezanove anos, continuo a fazer-me a mesma pergunta dos tempos em que, na escola, nos obrigavam a ir vestidos de palhaços durante uns dias: que raio de interesse tem o carnaval? Acho que nunca irei ter resposta. Ou é de mim ou... não chegam as máscaras que já usamos todos os dias.
Um dia, talvez
Um dia ele irá perceber que as coisas certas não estão do lado das erradas. Quando esse dia chegar, vais fingir que pensas que é outro dia qualquer, talvez o dia em que deste o fim por escrito. E nesse dia em concreto, talvez lhe irás dizer o que tantas vezes ele te disse. Não é vingança, é fazer entender da única forma que ele conseguirá entender.
01 março, 2011
Idiota
Talvez nunca a tenhas esquecido realmente e tudo o que tens sentido não é amizade ferida, mas sim amor que ela não sente e que querias que fosse mútuo. Ou talvez sejas apenas um triste... por andares aí a pensar nisso e por me fazeres gastar tempo a achar respostas para as tuas dúvidas. Em todo o caso, és um idiota.
27 fevereiro, 2011
Sabe-se, simplesmente, sabe-se
- Gosto muito de ti.
- Também gosto muito de ti, sabias?
- Sempre soube.
Bimbos
Não pensam na visão dos outros, assumem automaticamente que todos temos de ser iguais, com os mesmos termos de paleio e com os que tais momentos de não inteligência. E isto já cansa, deveria cansar. Tentam formatar os cérebros que por si só conseguem pensar. Idiotas que são, passam por bimbos quando para eles próprios serão os outros os bimbos, os que são diferentes e os que tomam o seu próprio caminho. Andam com as ideias trocadas. Ou nunca ninguém lhes conseguiu colocar a realidade à frente dos olhos. Sinceramente, à minha pessoa não interessa, nunca me senti na obrigatoriedade de voltar a um lugar onde não senti que poderia ser a minha casa. Mas e os outros? Os que não conseguem abstrair-se da semelhança que esses tais idiotas teimam em construir? Os que seriamente começam a pensar que nada do que são por inteiro tem dignidade de ser? Preocupam-me os outros que poderão algo de interessante ter, não os que fazem da sua barriga o centro do universo. Como diria Aristóteles: o sábio nunca diz tudo o que pensa, mas pensa sempre tudo o que diz. E sem outra hipótese, vos digo, quando toda a minha reserva me faz ter a certeza de que há gente que não me desperta nem me faz moça, que tenho dito.
21 fevereiro, 2011
Segundas-feiras
Dizem que amanhã é segunda-feira. E oh, começa o segundo semestre, por acaso. Começar cadeiras novas (ética, sistemas e políticas, análise de situações, ENSINO CLÍNICO, ANATOMIA e fundamentos que eu adoro todas com muito ironia sem contar com a última), aturar professores novos (não sei se aguento mais uns quantos meses a aturar palhaços, burros ou até mesmo putos) e aguentar com a mesma turma . Só o grupo novo me salva, quase. Depois de uma semana a fazer-me feliz e realizada, onde mal levantava o rabo da cama/sofá, chega o dia em que acumulo raivas e tristezas numa depressão por odiar a capital, odiar a faculdade, odiar tudo e mais alguma coisa que me apareça à frente. E o meu apartamento, odeio o meu apartamento minúsculo, os meus colegas de casa, as janelas da cozinha, a torneira do lava loiça. Odeio os minutos que espero sentada na cama até sair para caminhar até ao metro, até que nele entro e aí sinto-me longe, profundamente confortável, mas apenas por causa do barulho. É que eu adoro tudo o que faça barulho que não me deixe ouvir mais nada. É por isso que aspiro a casa, bato claras e seco o cabelo. Mas depois de sair do metro? A caminhada até à faculdade, até me sentar numa cadeira, é simplesmente penosa, como se fosse cumprir um castigo. E o tempo passa, olho para o relógio trezentas vezes e ele lá se dá ao luxo de andar para a frente. Até que vou para casa às luz dos candeeiros e sinto-me feliz por o dia estar a terminar, poder ir para a cama ler um pouco, poder aninhar-me nos lençóis e sonhar com o fim de semana. No entanto, continuo a odiar tudo naquela cidade até que o dia seguinte chega e eu penso que já falta pouco para me vir embora. Sim, basicamente, são estas as minhas segundas-feiras. Excepto aquelas em que tenho frequência e ando a mil à hora e odeio tudo... a triplicar. Olá, segundo semestre. Prometo ir adorar-te e não recear-te!
19 fevereiro, 2011
Coisas que nunca hão-de mudar
A miúda ia no carro, distraída, como sempre, a pensar nem ela sabe no quê, como quase sempre, quando o sinal ficou vermelho. Viu, sem ver realmente, um vulto castanho, bastante parecido com o casaco do seu pai. Continuou distraída e dois segundos depois, olhou para trás e viu-o. Sorriu-lhe, acenou-lhe. Ele fez o mesmo, como há muito tempo não o via fazer, pelo menos para si. Sorriu por dentro, cá para mim foi mais explodir de amor por dentro, tinha o melhor pai do mundo. E ali estava ele, a dizer-lhe com os olhos o quão orgulhoso estava dela. O homem que será sempre o homem da vida dela, independentemente das parvoíces que ela possa vir a fazer.
18 fevereiro, 2011
Ficar ali
Apetece-me enfiar a cabeça na almofada e pronto, ficar ali. Apetece-me sentar na areia e pronto, ficar ali. Apetece-me deitar-me na relva e pronto, ficar ali. Não sei se é algum síndrome que vem e vai sem pedir licença ou qualquer tipo de disposição maquiavélica, mas é isto. Simples e sem explicação. Como um pássaro que pode voar e que lhe apetece muito mais ficar onde está sem ter de ver os outros a fazer proezas. Se eu pegasse nestes dias e os substituísse por horas de sono nos outros, eu era muito mais feliz, mais saudável e teria mais juízo. E continuo a preferir ficar ali, sem fazer nada, sem pensar em grande coisa, sem me chatear com o frio que está na rua ou com os problemas económicos desta pobre sociedade. Não é preguiça, é o cansaço que nem nas férias me dá descanso.
15 fevereiro, 2011
Lealdade
O que eu quero de ti? Toda a lealdade que mais ninguém me poderá dar. Essa que mantens secretamente escondida debaixo da cama a cada dia que vais atravessando. A tua presença dá-me segurança, mais que isso, dá-me os pedaços de mim que te ofereci de livre vontade. Sabes as ligações? Temos muitas, não podemos viver sem as ligações que estabelecemos, porque elas são tanto de nós como nós delas. É isso a amizade, é disso que todas as chamadas de atenção falam. Quando é que percebes de uma vez ou deixas de fingir que ainda não chegaste lá?
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