05 março, 2011

Entre aspas (14)

03 março, 2011

Carnaval

E quase aos dezanove anos, continuo a fazer-me a mesma pergunta dos tempos em que, na escola, nos obrigavam a ir vestidos de palhaços durante uns dias: que raio de interesse tem o carnaval? Acho que nunca irei ter resposta. Ou é de mim ou... não chegam as máscaras que já usamos todos os dias.

Um dia, talvez

Um dia ele irá perceber que as coisas certas não estão do lado das erradas. Quando esse dia chegar, vais fingir que pensas que é outro dia qualquer, talvez o dia em que deste o fim por escrito. E nesse dia em concreto, talvez lhe irás dizer o que tantas vezes ele te disse. Não é vingança, é fazer entender da única forma que ele conseguirá entender.

01 março, 2011

Idiota

Talvez nunca a tenhas esquecido realmente e tudo o que tens sentido não é amizade ferida, mas sim amor que ela não sente e que querias que fosse mútuo. Ou talvez sejas apenas um triste... por andares aí a pensar nisso e por me fazeres gastar tempo a achar respostas para as tuas dúvidas. Em todo o caso, és um idiota.

27 fevereiro, 2011

Entre aspas (13)

Sabe-se, simplesmente, sabe-se

- Gosto muito de ti.
- Também gosto muito de ti, sabias?
- Sempre soube.

Bimbos

Não pensam na visão dos outros, assumem automaticamente que todos temos de ser iguais, com os mesmos termos de paleio e com os que tais momentos de não inteligência. E isto já cansa, deveria cansar. Tentam formatar os cérebros que por si só conseguem pensar. Idiotas que são, passam por bimbos quando para eles próprios serão os outros os bimbos, os que são diferentes e os que tomam o seu próprio caminho. Andam com as ideias trocadas. Ou nunca ninguém lhes conseguiu colocar a realidade à frente dos olhos. Sinceramente, à minha pessoa não interessa, nunca me senti na obrigatoriedade de voltar a um lugar onde não senti que poderia ser a minha casa. Mas e os outros? Os que não conseguem abstrair-se da semelhança que esses tais idiotas teimam em construir? Os que seriamente começam a pensar que nada do que são por inteiro tem dignidade de ser? Preocupam-me os outros que poderão algo de interessante ter, não os que fazem da sua barriga o centro do universo. Como diria Aristóteles: o sábio nunca diz tudo o que pensa, mas pensa sempre tudo o que diz. E sem outra hipótese, vos digo, quando toda a minha reserva me faz ter a certeza de que há gente que não me desperta nem me faz moça, que tenho dito.

21 fevereiro, 2011

Segundas-feiras

Dizem que amanhã é segunda-feira. E oh, começa o segundo semestre, por acaso. Começar cadeiras novas (ética, sistemas e políticas, análise de situações, ENSINO CLÍNICO, ANATOMIA e fundamentos que eu adoro todas com muito ironia sem contar com a última), aturar professores novos (não sei se aguento mais uns quantos meses a aturar palhaços, burros ou até mesmo putos) e aguentar com a mesma turma . Só o grupo novo me salva, quase. Depois de uma semana a fazer-me feliz e realizada, onde mal levantava o rabo da cama/sofá, chega o dia em que acumulo raivas e tristezas numa depressão por odiar a capital, odiar a faculdade, odiar tudo e mais alguma coisa que me apareça à frente. E o meu apartamento, odeio o meu apartamento minúsculo, os meus colegas de casa, as janelas da cozinha, a torneira do lava loiça. Odeio os minutos que espero sentada na cama até sair para caminhar até ao metro, até que nele entro e aí sinto-me longe, profundamente confortável, mas apenas por causa do barulho. É que eu adoro tudo o que faça barulho que não me deixe ouvir mais nada. É por isso que aspiro a casa, bato claras e seco o cabelo. Mas depois de sair do metro? A caminhada até à faculdade, até me sentar numa cadeira, é simplesmente penosa, como se fosse cumprir um castigo. E o tempo passa, olho para o relógio trezentas vezes e ele lá se dá ao luxo de andar para a frente. Até que vou para casa às luz dos candeeiros e sinto-me feliz por o dia estar a terminar, poder ir para a cama ler um pouco, poder aninhar-me nos lençóis e sonhar com o fim de semana. No entanto, continuo a odiar tudo naquela cidade até que o dia seguinte chega e eu penso que já falta pouco para me vir embora. Sim, basicamente, são estas as minhas segundas-feiras. Excepto aquelas em que tenho frequência e ando a mil à hora e odeio tudo... a triplicar. Olá, segundo semestre. Prometo ir adorar-te e não recear-te!

19 fevereiro, 2011

Coisas que nunca hão-de mudar

A miúda ia no carro, distraída, como sempre, a pensar nem ela sabe no quê, como quase sempre, quando o sinal ficou vermelho. Viu, sem ver realmente, um vulto castanho, bastante parecido com o casaco do seu pai. Continuou distraída e dois segundos depois, olhou para trás e viu-o. Sorriu-lhe, acenou-lhe. Ele fez o mesmo, como há muito tempo não o via fazer, pelo menos para si. Sorriu por dentro, cá para mim foi mais explodir de amor por dentro, tinha o melhor pai do mundo. E ali estava ele, a dizer-lhe com os olhos o quão orgulhoso estava dela. O homem que será sempre o homem da vida dela, independentemente das parvoíces que ela possa vir a fazer.

18 fevereiro, 2011

Entre aspas (12)

Ficar ali

Apetece-me enfiar a cabeça na almofada e pronto, ficar ali. Apetece-me sentar na areia e pronto, ficar ali. Apetece-me deitar-me na relva e pronto, ficar ali. Não sei se é algum síndrome que vem e vai sem pedir licença ou qualquer tipo de disposição maquiavélica, mas é isto. Simples e sem explicação. Como um pássaro que pode voar e que lhe apetece muito mais ficar onde está sem ter de ver os outros a fazer proezas. Se eu pegasse nestes dias e os substituísse por horas de sono nos outros, eu era muito mais feliz, mais saudável e teria mais juízo. E continuo a preferir ficar ali, sem fazer nada, sem pensar em grande coisa, sem me chatear com o frio que está na rua ou com os problemas económicos desta pobre sociedade. Não é preguiça, é o cansaço que nem nas férias me dá descanso.

15 fevereiro, 2011

Lealdade

O que eu quero de ti? Toda a lealdade que mais ninguém me poderá dar. Essa que mantens secretamente escondida debaixo da cama a cada dia que vais atravessando. A tua presença dá-me segurança, mais que isso, dá-me os pedaços de mim que te ofereci de livre vontade. Sabes as ligações? Temos muitas, não podemos viver sem as ligações que estabelecemos, porque elas são tanto de nós como nós delas. É isso a amizade, é disso que todas as chamadas de atenção falam. Quando é que percebes de uma vez ou deixas de fingir que ainda não chegaste lá?

13 fevereiro, 2011

Vai com os porcos

Subitamente, lembrei-me de quando fechas os olhos, esticas os lábios e acenas com a cabeça. Sei de cor todas as tuas expressões faciais, os momentos em que vais dar um grito ou falar extremamente alto, os olhares cúmplices que me lanças quando ambos concordamos com alguma coisa, os teus risos irónicos e os teus sorrisos tímidos e o dia em que me agarraste as mãos e não disseste absolutamente nada de jeito. Ando a ficar paranóica. Preciso de ver menos filmes, estudar mais e ver-te menos. Ou não! Quando é que as férias começam, quando?! Amanhã! E só me apetece dizer: vai com os porcos, ESEL! Olá, vida!

09 fevereiro, 2011

Entre aspas (11)

06 fevereiro, 2011

Entre aspas (10)

Porque não?
Daqui a um ano... vou rir-me imenso com a minha carinha laroca.

04 fevereiro, 2011

Entre aspas (9)

03 fevereiro, 2011

Exposto

Tenho medo de olhares intensos acompanhados de sorrisos duvidosos. É estranho de mais para mim. Gosto que esteja sempre tudo exposto em cima da mesa, sem receio, sem pudor, sem segundas intenções. Para a próxima vê se não olhas assim e se te deixas de te sentir constrangido, as mulheres não apreciam, nada mesmo.

02 fevereiro, 2011

Continuar igual

D. Queta tinha noção, sabia e entendia, não se lhe colocavam dúvidas. Tudo se lhe simplificava à sua visão, como um puzzle de duas peças. No entanto, imaginava e perdia-se de pálpebras baixas. De olhos fechados, por mais que se tente ver, não se consegue. Avisavam-na e D. Queta não queria saber. Continuava. E mais tarde se arrependia. Era de facto difícil aceitar que já não eram mais os mesmos jovens de ontem que alto se riam e muito se mexiam. Deixaram já para trás as risadas cúmplices e os olhares entendedores. Eram-se agora velhos, frios e calculistas, que já não sabiam falar sem pensar nem divertir ao sentir. E D. Queta sabia, que um dia, tudo poderia... continuar igual.

01 fevereiro, 2011

Entre aspas (8)

29 janeiro, 2011

Livros

Comprei um livro. Sou sempre feliz quando compro um livro. É a coisa que mais gosto de comprar, livros. Se pudesse comprava um todos os dias e lia-o logo a seguir. Os livros são os únicos que me pertencem por inteiro. Não fogem, não me deixam de parte, não me abandonam. São como os nossos pais, gostam sempre de nós por mais merda que façamos e no fim ainda dizem "esta é a tua casa, tu, mais que ninguém, terás sempre as portas abertas". Gosto muito de livros... e dos meus pais também.

A carta que te escreveria

Olá guitarrista,

Eu sei que não tens paciência, muito menos agora, e sei que te estás a marimbar para esta merda toda. Mas se eu não te lembrar, tu esqueces. E se esqueceres, vais sentir saudades. Não quero que sintas saudades do que ainda é teu, nunca ninguém deveria sentir falta das pessoas que fazem parte da sua vida. E o que te quero dizer, concretamente, é isto:
A minha vida não está a correr como queria, não tenho todos ao pé de mim, vivo com pessoas que já nada me dizem, raramente vejo o meu pai e quase que já só conheço a minha mãe pela voz. Não tenho tempo para mim e para as coisas de que gosto, passo o dia numa rotinha infernal onde só quem a quebra são duas pessoas que, felizmente, já são muito de mim. Até aqui, tudo bem, eu aguento. Mas é de ti que tenho medo, é de ti de quem tenho mais saudades. Sabes aqueles meses do início, de quando eras um simples conhecido? Eu sei, parece, e está, a anos de distância daqui. No entanto, eu gostava desse tempo, gostava da simplicidade de tudo o que eramos. Gostava de ti com naturalidade. Não é que já não goste, mas quando me lembro do que passou mais tarde, fico com dúvidas e baralho as coisas. Ando a ler demadiadas histórias de amor, talvez por não ter um, me apegue ao que já tive ou aos que sonhava ter. Mas gostar de ti era de facto, fácil, sem complicações. Agora, depois de tudo, estou sempre com perguntas na cabeça, embora, bem no fundo, acredite que amigos como tu não se perdem, podem ficar distantes, chatos, diferentes, mas nunca perdem a capacidade de brincar ou de falar sobre tudo ou sobre nada. Amigos, como tu, não se cansam de aturar as birras dos amigos, as frases brutas ou as tentativas de perceber se estás bem. Tu e a mimi, vieram na altura certa, ficaram na altura certa e de certo não haverá altura certa para se irem embora. Só gostava que entendesses que, todo o valor que não tei dei quando deveria ter dado, dou-to agora mil vezes mais. Só gostava que tomasses consciência de que posso estar muito longe de ti, fisicamente, mas sou um pilar para ti se assim o quiseres. Aprendi a conhecer-te e a entender-te, deveria também tê-lo conseguido bem mais cedo, para percebes que de facto não tenho palavras para dizer o quanto gosto de saber que constas da minha pequena lista de amigos. Gostava de ter aproveitado melhor isso, no início, quando tínhamos tudo para nos darmos bem, como deve ser. E, mais que tudo, gostava que saísses desse quarto escuro e visses o que há fora dele, que percebesses que existe uma pessoa que, apesar de não quereres saber, se importa contigo. Gostava de um dia poder me embebedar na tua companhia, só para termos a oportunidade de falarmos mal do amor sem limites ou restrições, para ficares a saber que sou quase como tu, uma adolescente que odeia a vida e tudo o que ela obriga. Gostava que me voltasses a chamar de melhor amiga, não porque está na moda ou qualquer merda parecida, mas porque nessa altura eu sentia-me aconhegada, por ti e por saber que também te aconhegava. Apenas quero que saibas que serás sempre o meu guitarrista parvo e variado dos pirolitos. Porque, por mais discussões que tenhamos, por mais anos sem te ver, por mais dificuldades em falar contigo, eu gosto mais de ti do que alguma vez poderia ter imaginado. E tenho muito orgulho em nós, em saber que somos completamente diferentes e completamente amigos. É nisso que acredito que somos, amigos no verdadeiro sentido da palavras.
Eu sei, que bela merda, estás a pensar. Mas não interessa. Sabes que quando é preciso, eu tenho de falar. Espero que te tenha ajudado a lembrar. Não é ser chata, é ver que precisas de mimos. Até os mais fortes e insensíveis precisam de mimos para conseguir adormecer. Dorme bem e sonha que o primeiro verão juntos irá voltar. Pode ser que volte mesmo, mas ainda em melhor versão.

Até sempre,
a tua lisboeta.

(Esta era a carta que te escreveria, se soubesse a tua morada.)

Comparações

Um bom livro tira-te do presente e transporta-te para o seu momento, mas de uma maneira ou de outra, consegues sempre comparar o teu presente com o momento do livro. É por isso que quando termino um, termino-o a chorar. A chorar por mim mesma, pelas pessoas que fizeram ou fazem parte da minha vida, pelo facto de nada estar a correr como eu tinha sonhado e planeado.

28 janeiro, 2011

Entre aspas (7)

22 janeiro, 2011

Livro entreaberto

Não vale a pena dizer ao mundo os pensamentos que temos em segredo ou os sentimentos que guardamos para serem esquecidos naturalmente. São coisas que só a nós pertencem, factos ou sonhos que só nós temos o direito de julgar ou apoiar. Se a vida de alguém fosse mesmo um livro aberto, não haveria o sentido de rir consigo próprio ou de chorar sozinho no escuro. O ser humano é muito mais que redes sociais, frases feitas e estereótipos. Não estarei certa?

Entre aspas (6)