Subitamente, lembrei-me de quando fechas os olhos, esticas os lábios e acenas com a cabeça. Sei de cor todas as tuas expressões faciais, os momentos em que vais dar um grito ou falar extremamente alto, os olhares cúmplices que me lanças quando ambos concordamos com alguma coisa, os teus risos irónicos e os teus sorrisos tímidos e o dia em que me agarraste as mãos e não disseste absolutamente nada de jeito. Ando a ficar paranóica. Preciso de ver menos filmes, estudar mais e ver-te menos. Ou não! Quando é que as férias começam, quando?! Amanhã! E só me apetece dizer: vai com os porcos, ESEL! Olá, vida!
13 fevereiro, 2011
09 fevereiro, 2011
06 fevereiro, 2011
04 fevereiro, 2011
03 fevereiro, 2011
Exposto
Tenho medo de olhares intensos acompanhados de sorrisos duvidosos. É estranho de mais para mim. Gosto que esteja sempre tudo exposto em cima da mesa, sem receio, sem pudor, sem segundas intenções. Para a próxima vê se não olhas assim e se te deixas de te sentir constrangido, as mulheres não apreciam, nada mesmo.
02 fevereiro, 2011
Continuar igual
D. Queta tinha noção, sabia e entendia, não se lhe colocavam dúvidas. Tudo se lhe simplificava à sua visão, como um puzzle de duas peças. No entanto, imaginava e perdia-se de pálpebras baixas. De olhos fechados, por mais que se tente ver, não se consegue. Avisavam-na e D. Queta não queria saber. Continuava. E mais tarde se arrependia. Era de facto difícil aceitar que já não eram mais os mesmos jovens de ontem que alto se riam e muito se mexiam. Deixaram já para trás as risadas cúmplices e os olhares entendedores. Eram-se agora velhos, frios e calculistas, que já não sabiam falar sem pensar nem divertir ao sentir. E D. Queta sabia, que um dia, tudo poderia... continuar igual.
01 fevereiro, 2011
29 janeiro, 2011
Livros
Comprei um livro. Sou sempre feliz quando compro um livro. É a coisa que mais gosto de comprar, livros. Se pudesse comprava um todos os dias e lia-o logo a seguir. Os livros são os únicos que me pertencem por inteiro. Não fogem, não me deixam de parte, não me abandonam. São como os nossos pais, gostam sempre de nós por mais merda que façamos e no fim ainda dizem "esta é a tua casa, tu, mais que ninguém, terás sempre as portas abertas". Gosto muito de livros... e dos meus pais também.
A carta que te escreveria
Olá guitarrista,
Eu sei que não tens paciência, muito menos agora, e sei que te estás a marimbar para esta merda toda. Mas se eu não te lembrar, tu esqueces. E se esqueceres, vais sentir saudades. Não quero que sintas saudades do que ainda é teu, nunca ninguém deveria sentir falta das pessoas que fazem parte da sua vida. E o que te quero dizer, concretamente, é isto:
A minha vida não está a correr como queria, não tenho todos ao pé de mim, vivo com pessoas que já nada me dizem, raramente vejo o meu pai e quase que já só conheço a minha mãe pela voz. Não tenho tempo para mim e para as coisas de que gosto, passo o dia numa rotinha infernal onde só quem a quebra são duas pessoas que, felizmente, já são muito de mim. Até aqui, tudo bem, eu aguento. Mas é de ti que tenho medo, é de ti de quem tenho mais saudades. Sabes aqueles meses do início, de quando eras um simples conhecido? Eu sei, parece, e está, a anos de distância daqui. No entanto, eu gostava desse tempo, gostava da simplicidade de tudo o que eramos. Gostava de ti com naturalidade. Não é que já não goste, mas quando me lembro do que passou mais tarde, fico com dúvidas e baralho as coisas. Ando a ler demadiadas histórias de amor, talvez por não ter um, me apegue ao que já tive ou aos que sonhava ter. Mas gostar de ti era de facto, fácil, sem complicações. Agora, depois de tudo, estou sempre com perguntas na cabeça, embora, bem no fundo, acredite que amigos como tu não se perdem, podem ficar distantes, chatos, diferentes, mas nunca perdem a capacidade de brincar ou de falar sobre tudo ou sobre nada. Amigos, como tu, não se cansam de aturar as birras dos amigos, as frases brutas ou as tentativas de perceber se estás bem. Tu e a mimi, vieram na altura certa, ficaram na altura certa e de certo não haverá altura certa para se irem embora. Só gostava que entendesses que, todo o valor que não tei dei quando deveria ter dado, dou-to agora mil vezes mais. Só gostava que tomasses consciência de que posso estar muito longe de ti, fisicamente, mas sou um pilar para ti se assim o quiseres. Aprendi a conhecer-te e a entender-te, deveria também tê-lo conseguido bem mais cedo, para percebes que de facto não tenho palavras para dizer o quanto gosto de saber que constas da minha pequena lista de amigos. Gostava de ter aproveitado melhor isso, no início, quando tínhamos tudo para nos darmos bem, como deve ser. E, mais que tudo, gostava que saísses desse quarto escuro e visses o que há fora dele, que percebesses que existe uma pessoa que, apesar de não quereres saber, se importa contigo. Gostava de um dia poder me embebedar na tua companhia, só para termos a oportunidade de falarmos mal do amor sem limites ou restrições, para ficares a saber que sou quase como tu, uma adolescente que odeia a vida e tudo o que ela obriga. Gostava que me voltasses a chamar de melhor amiga, não porque está na moda ou qualquer merda parecida, mas porque nessa altura eu sentia-me aconhegada, por ti e por saber que também te aconhegava. Apenas quero que saibas que serás sempre o meu guitarrista parvo e variado dos pirolitos. Porque, por mais discussões que tenhamos, por mais anos sem te ver, por mais dificuldades em falar contigo, eu gosto mais de ti do que alguma vez poderia ter imaginado. E tenho muito orgulho em nós, em saber que somos completamente diferentes e completamente amigos. É nisso que acredito que somos, amigos no verdadeiro sentido da palavras.
Eu sei, que bela merda, estás a pensar. Mas não interessa. Sabes que quando é preciso, eu tenho de falar. Espero que te tenha ajudado a lembrar. Não é ser chata, é ver que precisas de mimos. Até os mais fortes e insensíveis precisam de mimos para conseguir adormecer. Dorme bem e sonha que o primeiro verão juntos irá voltar. Pode ser que volte mesmo, mas ainda em melhor versão.
Até sempre,
a tua lisboeta.
(Esta era a carta que te escreveria, se soubesse a tua morada.)
Comparações
Um bom livro tira-te do presente e transporta-te para o seu momento, mas de uma maneira ou de outra, consegues sempre comparar o teu presente com o momento do livro. É por isso que quando termino um, termino-o a chorar. A chorar por mim mesma, pelas pessoas que fizeram ou fazem parte da minha vida, pelo facto de nada estar a correr como eu tinha sonhado e planeado.
28 janeiro, 2011
22 janeiro, 2011
Livro entreaberto
Não vale a pena dizer ao mundo os pensamentos que temos em segredo ou os sentimentos que guardamos para serem esquecidos naturalmente. São coisas que só a nós pertencem, factos ou sonhos que só nós temos o direito de julgar ou apoiar. Se a vida de alguém fosse mesmo um livro aberto, não haveria o sentido de rir consigo próprio ou de chorar sozinho no escuro. O ser humano é muito mais que redes sociais, frases feitas e estereótipos. Não estarei certa?
21 janeiro, 2011
Conectam-se
Como uma certeza aplicada à matemática, temos uma realidade inscrita na nossa nova rotina. Não se consegue explicar com todos os pormenores, mas as pessoas conectam-se. Umas às outras, tal qual um vírus: não pedem licença e não sabem se sairão dali ilesos. No entanto, conectam-se e, por vezes, ficam assim até que a morte venha quebrar as linhas imaginárias que os ligam. Muito provavelmente, não se apercebem dessa ligação até que, num momento, se olham nos olhos e percebem que à sua frente têm alguém que já é seu intrínseco.
13 janeiro, 2011
Inconsciência
Por vezes, a nossa inconsciência encarrega-se de nos lembrar, enquanto dormimos, daquilo em que não temos tempo para pensar quando estamos acordados.
11 janeiro, 2011
Tu
A tua expressão quando olhas para mim. O teu riso quando te ris de mim. As tuas mãos quando para mim verbalizam. A tua vontade de estar em contacto comigo que se funde com a minha. Podia passar horas neste impasse, mas seria bem melhor ter-te ao pé de mim. Um dia crio uma passagem secreta, que nos permita viajar à velocidade da luz, entre a tua casa e a minha. Ia ser muito mais feliz do que já sou quando estás presente. Ia ser muito mais óbvio o que tu não dizes e o que eu evito dizer. Deixei de estar apaixonada por ti para me apaixonar pela nossa amizade. E é tão melhor.
08 janeiro, 2011
Espaço
Quero uma remodelação no meu espaço. Um quarto, com algum espaço, não muito, o suficiente para não dormir com a cara na parede e não andar em cima dos móveis. Uma janela, do tecto ao chão para poder apreciar a chuva, bem isolada para não entrar o frio, vidros grossos para não ouvir o som da rua. Umas cortinas, semi-opacas, rosa, para suavizar o branco das paredes. Uma secretária grande, onde possa conseguir espalhar todos os papéis de que necessite, contando com o computador portátil e com a impressora. Uma cadeira giratória, preta, para que me divertir a passar o tempo a ver o quarto à roda. Uma televisão, pode ser das pequeninas desde que esteja pregada à parede. Uma estante, também grande, o maior possível, branca, onde colocar todos os meus livros, todos os meus cadernos, todos os meus pertences. Dois caderões, vermelhos, um para me aconchegar confortavelmente a olhar a rua ou a ler um bom livro, outro para espalhar todos os trapos que não me apetecer arrumar, quem sabe não empreste um a alguém que mereça a minha companhia. Um roupeiro, do tamanho suficiente para guardar a roupa. Um quadro, que mostre o belo das montanhas ou o complicado das cidades. Uma cama, o mais baixa possível, de preferência de casal para me poder esticar ou para a poder partilhar com uma, duas, três pessoas. Muitas almofadas, vermelhas, talvez rosas ou brancas, não gosto de sentir o frio do chão ou o duro das paredes. Uma mesa de cabeira, também branca, grande, para não ter de contar o espaço. Nela, um relógio despertador, daqueles que me acorde com um sorriso e me possa dar música. Uma arca, vermelha, para não ter os sapatos distribuidos pelos cantos. Não quero objectos de decoração, não servem para nada e ocupam espaço. Uma cesta, pequenina e apetitosa, onde possa dar guarida ao novo amigo, um gatinho de pêlo escuro e olhos de doce. E, talvez o mais importante, as paredes cheias, repletas, de recordações minhas, dos meus, do novo amigo e dos lugares que nos pertencem, sejam fotografias, bilhetes, posters, desenhos, que me tragam a felicidade de saber que tive a oportunidade de os viver. Quero isto tudo. No entanto, não preciso de nada disto para me sentir bem nos sítios onde moro ou para me lembrar de que estes dezoitos anos foram passados da melhor forma possível. Mas uma coisa é certa, quando tiver a minha casa, terei o meu espaço e o meu novo amigo.
07 janeiro, 2011
Tempo de sobra
Quando as pessoas têm tempo de sobra, começam a preocupar-se com coisas desnecessárias e desimportantes. Por isso é que sempre foi bom estar ocupado e ter sempre algo para fazer, nem que seja estudar. Caso contrário, as teias de aranha multiplicam-se e para as limpar é preciso muito trabalho, paciência e, claro, sabedoria.
02 janeiro, 2011
Tão certa
Hoje disse a uma das minhas melhores amigas com toda a sinceridade que é possível eu ter: à medida que vamos conhecendo melhor as pessoas ou descobrimos que não são bem aquilo que pensávamos e, assim, elas nos desiludem, ou começamos a gostar ainda mais delas. Ela concordou e eu agora sei que nunca disse uma coisa tão certa.
01 janeiro, 2011
Infinito
Acredito que quando uma coisa acaba muito mal, outra, completamente diferente, pode começar muito melhor. No entanto, é quase tudo semelhante, as novas gastam-se e acabam por se tornar um peso, tanto ou mais difícil de carregar que as antigas. Dou graças por existirem pessoas e sentimentos que se mantém nos meus sonhos a cada ano que passa e que se demonstram capazes de persistir para sempre, que se mantém na linha do infinito.
31 dezembro, 2010
2011
Para 2011, não vale a pena fazer planos. São os mesmos de sempre e aqueles que vão aparecendo todos os dias. Fazer planos chega a ser idiota, porque a nossa vida não está apenas nas nossas mãos. Quero, por isso, continuar a bater com a cabeça para, assim, poder continuar a conhecer-me como ninguém. 2011 é apenas outro ano e vai ter os mesmos dias depressivos, alegres, cansativos e inesquecíveis, tal como 2010 ou 2012. O que importa é não querer morrer.
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