A tua expressão quando olhas para mim. O teu riso quando te ris de mim. As tuas mãos quando para mim verbalizam. A tua vontade de estar em contacto comigo que se funde com a minha. Podia passar horas neste impasse, mas seria bem melhor ter-te ao pé de mim. Um dia crio uma passagem secreta, que nos permita viajar à velocidade da luz, entre a tua casa e a minha. Ia ser muito mais feliz do que já sou quando estás presente. Ia ser muito mais óbvio o que tu não dizes e o que eu evito dizer. Deixei de estar apaixonada por ti para me apaixonar pela nossa amizade. E é tão melhor.
08 janeiro, 2011
Espaço
Quero uma remodelação no meu espaço. Um quarto, com algum espaço, não muito, o suficiente para não dormir com a cara na parede e não andar em cima dos móveis. Uma janela, do tecto ao chão para poder apreciar a chuva, bem isolada para não entrar o frio, vidros grossos para não ouvir o som da rua. Umas cortinas, semi-opacas, rosa, para suavizar o branco das paredes. Uma secretária grande, onde possa conseguir espalhar todos os papéis de que necessite, contando com o computador portátil e com a impressora. Uma cadeira giratória, preta, para que me divertir a passar o tempo a ver o quarto à roda. Uma televisão, pode ser das pequeninas desde que esteja pregada à parede. Uma estante, também grande, o maior possível, branca, onde colocar todos os meus livros, todos os meus cadernos, todos os meus pertences. Dois caderões, vermelhos, um para me aconchegar confortavelmente a olhar a rua ou a ler um bom livro, outro para espalhar todos os trapos que não me apetecer arrumar, quem sabe não empreste um a alguém que mereça a minha companhia. Um roupeiro, do tamanho suficiente para guardar a roupa. Um quadro, que mostre o belo das montanhas ou o complicado das cidades. Uma cama, o mais baixa possível, de preferência de casal para me poder esticar ou para a poder partilhar com uma, duas, três pessoas. Muitas almofadas, vermelhas, talvez rosas ou brancas, não gosto de sentir o frio do chão ou o duro das paredes. Uma mesa de cabeira, também branca, grande, para não ter de contar o espaço. Nela, um relógio despertador, daqueles que me acorde com um sorriso e me possa dar música. Uma arca, vermelha, para não ter os sapatos distribuidos pelos cantos. Não quero objectos de decoração, não servem para nada e ocupam espaço. Uma cesta, pequenina e apetitosa, onde possa dar guarida ao novo amigo, um gatinho de pêlo escuro e olhos de doce. E, talvez o mais importante, as paredes cheias, repletas, de recordações minhas, dos meus, do novo amigo e dos lugares que nos pertencem, sejam fotografias, bilhetes, posters, desenhos, que me tragam a felicidade de saber que tive a oportunidade de os viver. Quero isto tudo. No entanto, não preciso de nada disto para me sentir bem nos sítios onde moro ou para me lembrar de que estes dezoitos anos foram passados da melhor forma possível. Mas uma coisa é certa, quando tiver a minha casa, terei o meu espaço e o meu novo amigo.
07 janeiro, 2011
Tempo de sobra
Quando as pessoas têm tempo de sobra, começam a preocupar-se com coisas desnecessárias e desimportantes. Por isso é que sempre foi bom estar ocupado e ter sempre algo para fazer, nem que seja estudar. Caso contrário, as teias de aranha multiplicam-se e para as limpar é preciso muito trabalho, paciência e, claro, sabedoria.
02 janeiro, 2011
Tão certa
Hoje disse a uma das minhas melhores amigas com toda a sinceridade que é possível eu ter: à medida que vamos conhecendo melhor as pessoas ou descobrimos que não são bem aquilo que pensávamos e, assim, elas nos desiludem, ou começamos a gostar ainda mais delas. Ela concordou e eu agora sei que nunca disse uma coisa tão certa.
01 janeiro, 2011
Infinito
Acredito que quando uma coisa acaba muito mal, outra, completamente diferente, pode começar muito melhor. No entanto, é quase tudo semelhante, as novas gastam-se e acabam por se tornar um peso, tanto ou mais difícil de carregar que as antigas. Dou graças por existirem pessoas e sentimentos que se mantém nos meus sonhos a cada ano que passa e que se demonstram capazes de persistir para sempre, que se mantém na linha do infinito.
31 dezembro, 2010
2011
Para 2011, não vale a pena fazer planos. São os mesmos de sempre e aqueles que vão aparecendo todos os dias. Fazer planos chega a ser idiota, porque a nossa vida não está apenas nas nossas mãos. Quero, por isso, continuar a bater com a cabeça para, assim, poder continuar a conhecer-me como ninguém. 2011 é apenas outro ano e vai ter os mesmos dias depressivos, alegres, cansativos e inesquecíveis, tal como 2010 ou 2012. O que importa é não querer morrer.
30 dezembro, 2010
Tretas
Pedia-se sinceridade e deu-se silêncio. Pedia-se atenção e deu-se conversa. Pedia-se nada e deu-se tudo. Pedia-se amizade e deu-se algo mais. Ou isto, ou o contrário. Depende. O certo é que se dá quando outra coisa se pede. Ninguém nos conhece, ninguém pode imaginar como é sentir aquilo que só nós vivemos. Deixem-se de tretas, é sempre bom enquanto dura, mau quando tem de terminar. A verdade é que nem sempre aqueles que nos deram a escolher são os melhores para permanecer ao nosso lado. Muito raramente encontramos pessoas que são dignas desse papel, que se encaixam nos nossos sentimentos e que façam de nós o que fazemos deles. É simples, pode magoar, mas há-se passar. Acho que é esse o único conforto que consegue confortar o mínimo.
29 dezembro, 2010
28 dezembro, 2010
Há muito
O ventro uiva lá fora, move-se depressa, não vê por onde anda. Entra pelas frinchas das janelas com o mesmo à vontade com que entra em minhas cavidades. Ressoa cá dentro. Sai e volta a entrar. Diverte-se. Não me importa mais. Meu amor há muito que se fora embora. Estou vazia. Perdi todos os encantos que poderia um dia saber que tive. Já nem o frio me faz sentir dor. Há muito que deixei de sentir. Há muito que deixei de saber como é ter sangue a correr nas veias.
Amigos
E quando menos esperamos, sabemos que os nossos verdadeiros amigos, não são aqueles que nos falam todos os dias sem saber muito bem porquê. São aqueles que, mesmo nunca falando muito, conseguem ouvir-nos e dar-nos a mão quando mais ninguém o poderá conseguir fazer. Sem pedirem nada em troca, sem quererem mais nada além do nosso bem-estar. Apenas ficam ali, a sorrir para nós, falando a verdade e deixando-nos um pouco mais aconchegados.
27 dezembro, 2010
26 dezembro, 2010
Guerras
Há dias em que a nossa alma não nos pertence, nesses dias somos outras pessoas e nem damos conta. Pensamos falsamente que estamos a ser a pessoa que gostamos de ser quando praticamente nada fazemos dentro da nossa normalidade. Nesses dias apercebemo-nos de coisas que achávamos ultrapassadas ou esquecidas. A vida não é assim, fácil de se viver como tantos dizem achar. Pode-o ser, mas, para isso, muita guerra tem de ser vencida com distinção. Aqueles dias fazem parte dessas guerras. E há guerras que nunca acabam.
19 dezembro, 2010
Carinho
O carinho e o querer bem que as pessoas podem sentir pelos seus semelhantes, não menos dignas de sentir o mesmo, seja por essas ou por outras, tem o poder de emergir do fundo os mais belos desejos de estar presente na história do mundo dos vivos. Acredito que se não fosse esse carinho e a existência de pessoas capazes de o suportar, tanto de o receber como de o oferecer sem qualquer custo, a Humanidade não seria de longe tão fantástica e tão magicamente imprevisível como é. Muitas vezes o Homem comete erros por este sentimento ou pelo vazio que a sua ausência deixou.
12 dezembro, 2010
Nossos
Dizem que as coisas só mudam quando assim queremos. Não é verdade. Há sempre alturas da nossa história em que não podemos escolher ficar com o dinheiro e comprar o doce, porque não é possível ficar com ambos. Só peço que nada separe os que, verdadeiramente, se gostam e se respeitam. Já que nada irá substituir os rituais tão próprios, apenas se pode aproveitar as poucas horas, que mais parecem breves minutos, e fazê-las durar até ao máximo. Nada de nada faria sentido se não existissem pessoas com a capacidade de nos fazer sorrir e de nos levar ao mundo que só a nós pertence. E as saudades, quando tudo isto acontece, nunca morrem, ficam para nos fazer lembrar que nada é mais importante que aqueles que são eternos e sempre nossos.
05 dezembro, 2010
Melhor
Deixa sempre o melhor para o fim, mas só e apenas se tiveres a certeza de que irás ter tempo de saborear tal como mereces. Em caso de dúvida, e porque a vida gosta imenso de pregar partidas, não deixes nada do que gostes para o final. Nunca se sabe quando as certezas são relativas.
01 dezembro, 2010
Noite
Naquela noite, ela sentia-se sozinha por dentro da multidão. Não se ouviam as vozes, a música no volume máximo só permitia perceber a leitura dos lábios e um pouco dos gritos que se berravam no ouvido. Mas ela nada percebia, sabendo perfeitamente quem queria ouvir. Até que a coragem conseguiu sair do cofre onde estava confinada, não a deixou pensar, nem reflectir, nem perceber. E quando deu por isso, ela estava ao lado dele. Ambos caminhavam para algum lugar, longe dos outros, longe dos medos, longe das incertezas e das barreiras. Estavam juntos e era assim que lhes sabia bem estar. Mas depressa as horas passaram, o dia chegou, outra noite voltou, outro caminho juntos percorreram. E ela voltou para casa, derramando lágrimas e dizendo adeus à última vez que o vira.
27 novembro, 2010
Temperatura
É na esperança de te ver que me reconcilio contigo. É na dúvida de te ver que me obrigo a voltar à realidade. Andamos tantas vezes a pensar no mesmo, para tentar chegar às mínimas conclusões, e só conseguimos chegar ao ponto onde toda a gente já chegou: não sabemos nem temos a certeza se queremos. O que nos vale é uma dualidade, mantemo-nos em contacto a quilómetros de distância. Se um dia me dessem a escolher entre ter e ser, preferia não possuir duas mãos que sentem o frio por dentro e calor por fora. São as frieiras de sentir e não perceber, de querer e afastar, de desejar e não pensar. As minhas mãos são como nós, pertencentes a dualidades que não fazem sentido, apenas têm que ser assim, sem saber muito bem porquê. Dizem que é a temperatura, mas entre nós nunca houve frebe, se bem que me lembro de uns tempos de hipertermia, outros de hipotermia, mas nunca chegamos a morrer. E eu não percebo.
22 novembro, 2010
Questões
E depois há aqueles dias em que estamos com um pé no certo e outro no errado, em que fomos divididos ao meio e não sabemos a que lugar queremos pertencer. Devería-me preocupar quando o meu cérebro pára em certas frases ou me leva para outro lugar ao qual nunca mais vou pertencer. Deveria até sentir-me estranha dentro do meu corpo quando o toque, que a minha mão sente, não é o toque que eu quis provocar. Tenho a percepção, em certas alturas do dia, especialmente nas horas em que as minhas pernas adormecem a caminhar ou nas horas em que os meus olhos se perdem no ponto a fixar, de que estou fora desta caixa e que sou leve, quase invisível, como uma pena que esvoaça e nada tem. Nestas alturas, não me agarro às incertezas e volto à realidade, dizendo a mim mesma que não posso enlouquecer. Mas pergunto-me, tantas e tantas vezes, que coisa me faz andar aqui, por quem me levanto de manhã, por que razão me canso a viver. Não obtenho resposta. E continuo com o que estava a fazer, sem pensar que as perguntas vão voltar outra vez.
21 novembro, 2010
19 novembro, 2010
Falésia
Entreabes os lábios e fechas os olhos, falas em voz baixa sem que se te abra o coração, remas pelas encostas do maravilhoso e pensas que ainda estás no sítio errado. Passando por entre o vento, foges da vida que levaste, pedes pelos teus e não por ti, finges que sabes as verdades e ainda viras a face ao que faz parte dos teus planos. E no final da história, nada se aprendeu contigo. Queres fazer por vencer, mas só consegues chegar à frente para logo atrás chegares, quando não o cimo que realmente procuras. Abre os olhos ao dares função às tuas estruturas, tenta dizer em voz alta o que julgas ser o teu medo. E quando estiveres no topo da falésia, deixa-te cair e aproveita a queda.
16 novembro, 2010
Réplicas
Eram tantas as limpezas que o Sr. Manel tinha de fazer à sua junção de histórias que não sabia por onde começar. Foram muitos anos a querer esquecer o que a vida lhe dera, foram tantos os dias a querer a esperança de conseguir se arrumar, e os longos serões, que passava sentado no chão dos seus sonhos, acabavam por o acordar de tanto tédio acumulado nas paredes da sua caixa craniana. Até que um momento lhe sussurrou ao ouvido, disse-lhe que as memórias tinham aprendido a gostar de si mesmas, o que fez com que as ditas histórias se tivessem aglutinado e formado um livro. O Sr. Manel sorriu, tinha finalmente arrumado os seus pensamentos e as suas vontades, percebeu que as rugas que a sua cara ostentava eram nada mais do que as histórias, que eram suas, e a sua identidade, que era formada por elas. Então pensou nas Marias e nos Manéis, seus vizinhos na casa que o universo lhes deu, e rezou aos ceús e aos ventos de forma a conduzirem réplicas daquele sorriso para outras bandas, tão necessitadas dele como um dia o Sr. Manel o foi.
15 novembro, 2010
Saudade
Ter saudade é ver com o coração e sofrer pelos olhos, querendo sair de casa quando uma tempestade lá fora acontece, é haver sol e sentir-se congelado. Não são pequenas saudades aquelas de que falo, são as impossíveis de apagar, indecifráveis aos outros e para nós difíceis de aguentar. Vive-se com elas, quando se corre para o metro ou se estuda para um exame, quando se acorda e se tenta adormecer, quando se repara nos outros e, mais ainda, quando falamos para dentro. São as saudades que travam connosco uma luta, a todos os minutos do dia e da noite, faça tranquilidade, faça inquietude.
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